Cartola do Guarani garante que acordo evita leilão do Brinco

jose carlos 0001 130Campinas, SP, 31 (AFI) – Tentando demonstrar uma tranqüilidade que, verdadeiramente, não existe, o vice-presidente do Guarani, o promotor público José Carlos Meloni Sicolli (foto), garantiu ao microfone da Rádio Central, ao repórter Rafael Pio, que o Estádio Brinco de Ouro não será, tão já, leiloado como foi pedido em edital pela advogada Gislane Nunes.

O valor corresponde ao débito trabalhista com o meia Liberman, que passou pelo clube em 2003. O dirigente também confessou que o débito atual do clube gira em torno de R$ 40 milhões.

”Nós já conversamos com a parte reclamante e conseguirmos protelar o leilão para que possamos atender às exigências”, explicou Sicolli. A dívida do clube é de R$ 5,2 milhões e o Brinco de Ouro seria colocado como garantia da mesma. Sobre o valor “absurdo” a dívida, o diretor se apega à própria deficiência da lei.

”Sempre digo que a justiça é como um taxi com bandeira dois. A multa rescisória cresce numa progressão geométrica, ficando inviável o seu pagamento”, completa.

Informação exclusiva do Futebol Interior
A divulgação sobre este leilão do brinco de Ouro foi noticiado, nesta quarta-feira, com exclusividade pelo Portal Futebol Interior.

Contratado em 2003, o jogador saiu brigado com a antiga diretoria – presidida por José Luiz Lourenzetti -, e cobra, até hoje, uma dívida de R$ 5,2 milhões. A ação já passou por várias instâncias na justiça trabalhista e até agora a diretoria bugrina não pagou o valor, alegando sempre que a dívida é da antiga diretoria.

O principal erro por parte do alviverde foi fazer um depósito recursal equivocado, fazendo com que o recurso não fosse aceito. Na epóca, o responsável pela parte jurídica do Guarani era o próprio vice-presidente José Carlos Sicolli.

Dívidas e ativos
Sicolli admitiu que de momento o clube tem perto de 110 processos em execução, num montante de R$ 15 milhões. Mas, segundo ele, o maior problema “é a falta de fluxo de caixa”. Ele desmentiu que o clube teria formulado uma proposta de parcelamento de R$ 100 mil por mês.

”Não haveria este valor para pagamento e também o mesmo valor seria insignificante diante do total de R$ 15 milhões”, completou.

Além destes R$ 15 milhões, o clube teria outros débitos em Ações Cíveis, totalizando R$ 40 milhões, já excluindo um acordo com o Governo Federal, sobre o parcelamento de R$ 40 a 50 milhões de débitos federais. Este valor está sendo negociado através do projeto recente da Timemania.

Sicolli lembrou ainda que o clube tem outras ações pendentes, como uma cobrança do banco Central à respeito da venda de um jogador para o futebol holandês, que não teria sido contabilizada no Banco Central. A multa giraria em torno de R$ 2 milhões. Sem confirmar, o dirigente supõe que seja referente à venda do meio-campo Walker, no final dos anos 90.

Quanto vale o patrimônio?
Diante do polêmico comentário de que o Brinco de Ouro poderia ser negociado para sanar todas estas dívidas, Sicolli tem um ponto de vista especial:

“Acho que existe um valor sentimental do torcedor. Mas há também a visão financeira, de valor e que pode até ser alvo de discussão numa Assembléia Geral”, explicou.

brinco 0001 150Sicolli confirmou que há um recente mapeamento da área total do Brinco de Ouro, incluindo seu parque poliesportivo, e que a área seria superior a 83 mil metros quadrados “dispostos numa área nobre e valorizada da cidade”. Segundo Sicolli, o valor estimado deste patrimônio giraria em algo perto de “200 a 220 milhões de reais”.

Sobre as eleições, marcadas para dia 15 de dezembro, Sicolli se esquivou de entrar em detalhes, inclusive sobre seu afastamento da vice-presidência. Mas admitiu que, talvez, ajude o clube “em outro nível, talvez, em São Paulo”. Mas lembrou que não se pode pensar em trazer de volta pessoas irresponsáveis que geraram estes processos e dívidas monstruosas.

”São bombas com efeito retardado que estouram a cada dia no clube”, concluiu.