Caro João da Teixeira: não somos exigentes; somos realistas
Não dá pra bater palmas pra jogadores com claros defeitos
Caro João da Teixeira: não somos exigentes; somos realistas
O parceiro João da Teixeira me fez refletir profundamente quando colocou que deveríamos ser menos exigentes na avaliação de jogadores, ou parar de ver futebol.
Meditei, meditei e concluí, João: não dá pra engolir jogador que, com bola dominada, em seu campo de defesa, simplesmente opta por se desfazer dela e chutá-la à linha lateral, com receio de perdê-la para adversário colado no cangote.
Brinquei em clubes de futebol amadores até meus 63 anos de idade, e juro pela alma de meu pai que jamais fiz isso. Sentiria-me envergonhado se mostrasse aos espectadores dos campos varzeanos que não teria condições de usar o corpo para proteger a bola diante da aproximação do adversário. Não dá pra girar e recuar essa bola pro goleiro?
PABLO E FERRON
Pasmem: o quarto-zagueiro Pablo, que chegou à Seleção Brasileira pelas mãos do treinador Tite, fez isso incontáveis vezes quando vestiu a camisa da Ponte Preta. Ferron, outro ex-pontepretano, tinha tremenda paúra de perder a bola nessas circunstâncias, e não hesitava em rolá-la à lateral, a exemplo daquilo que hoje faz Fabrício Carioca, no Guarani.
Sempre admirei o conceito do ex-treinador argentino Cesar Luiz Menotti de que o drible é dispensável aquém da intermediária adversária, mas não dispor na equipe de jogadores com capacidade de drible é atestado de incompetência para farejar boleiro neste estilo, no Brasil afora.
Claro que não cito os dribles convencionais em que o sujeito estica a bola e corre atrás dela. Cobro jogador que no balanço já deixa o adversário de ‘cata cavaco’. Aquele com capacidade de tocar a bola de um pé a outro, e assim enganar adversários.
FELIPE SARAIVA
Tenho pouco interlocutores para presencialmente discutir futebol, mas ainda na terça-feira comungamos da análise de que o atacante Felipe Saraiva, da Ponte Preta, é caso típico de jogador mal-acabado na transição dos juniores ao profissional.
Ele tinha o drible com a bola colada ao pé. Velocidade para o imprescindível arranque, e de repente sucumbiu. Por que?
Primeiro que não o corrigiram do inaceitável defeito de não saber finalizar, assim como melhorar a percepção para assistência a companheiros de ataque, visando complemento de jogada.
Depois não procuraram detectar motivos que o levaram a desmotivação. A falta de foco implicou em não convencimento nas raras oportunidades que teve durante o Campeonato Brasileiro da Série B.
Aí, meu caro João, não se trata de exigência. Quando surge um jogador para ser lapidado, falta competência no Departamento de Futebol para a execução.
Como sermos menos exigente se falta uma lupa pra enxergarem que o lateral-esquerdo Danilo Barcelos é jogador fraco, com rótulo apenas de pegar razoavelmente na bola?
Pois ele marca mal, não sabe driblar para limpar uma jogada, e são incontáveis os erros de passe dele. E tem gente que ainda o aplaude.
Bater palma para Nathan, Pará, Ferreira, Éverton Alemão, Philipe Maia, Marcão?
Não, João. Não dá.
Exceto algumas exceções no Guarani e Ponte Preta, você sabe que é plenamente possível montar time de igual condição técnica pela metade do preço. Logo, estão jogando dinheiro no ralo.
A rigor, precisam ralar por aí a procura de jovens com potencial bem escondidos neste Brasil afora. E não venha citar que todos indistintamente estão nas mãos de empresários do futebol.
Se profissionais de bom olho clínico procurarem tais promessas, de certo vão encontrar.
Tem que ser o ‘olho clínico’ com capacidade de projetar sequência de degraus que o jovem vai avançar.





































































































































