Carbone, ao seu estilo, marcou história nos dois clubes de Campinas

Carbone jogou na Ponte Preta e chegou à Seleção Brasileira, colecionou títulos como jogador e como técnico

Morre Carbone, treinador que marcou história na Ponte Preta e Guarani

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Noite de domingo chega-me a notícia da morte do treinador José Luiz Carbone, aos 74 anos de idade.

Era eu setorista da Ponte Preta em 1984, quando o clube o contratou.

É praxe, nessas ocasiões, cartolas e diretores de futebol chegarem às salas de imprensa para formalizarem a apresentação do profissional.

Curioso é que o caso de Carbone foi diferente.

Chegou à sala de imprensa Sérgio José Salvucci, no Estádio Moisés Lucarelli, e da porta foi logo se apresentando.

– Gente, eu sou o Carbone, novo técnico da Ponte Preta. Quero deixar claro que na minha forma de trabalhar todos repórteres vão receber o mesmo tratamento.

RÉGIS E SÍLVIO

E Carbone foi dando jeito no time da Ponte Preta.

Caso não falhe a minha memória, foi sob o comando dele que a Ponte Preta, pela primeira vez, adotou formato da equipe com dois volantes: Sílvio e Régis.

Ele também direcionou treinamentos especializados com o ponteiro-esquerdo Mauro cruzando e o centroavante Chicão completando as jogadas.

SEM GOLEIRO

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Reportaiada setorista da Ponte Preta ficava espantada quando Carbone programava os primeiros 20 minutos de treinos coletivos sem o goleiro no time titular.

Como assim?

Sim. Isso mesmo.

A intenção era forçar laterais a evitarem cruzamentos, e tanto volantes como zagueiros travarem finalizações de jogadores do time reserva.

Quando a meta era atingida, Carbone rasgava elogios aos obedientes jogadores.

Do contrário, mostrava as deficiências e buscava correção.

Embora tivesse sido volante de destaque no Botafogo (RJ) e relacionado à Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, provavelmente pouca gente sabe que Carbone jogou na Ponte Preta como lateral-direito, emprestado que foi pelo São Paulo, em 1966.

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GUARANI

Na passagem pelo Guarani em 1988 deixou a equipe bem organizada e conseguiu levá-la à decisão do titulo paulista contra o Corinthians.

Carbone foi o típico treinador de campo, porém nem sempre afeito a problema de indisciplina no elenco, que transferia aos dirigentes dos clubes que trabalhava.

Exceto a ‘andança’ pelo Brasil afora no comando de clubes, havia definido que fixaria residência em Campinas quando deixasse a função.

E aqui construiu incontáveis amizades.