Bragança Paulista festeja a rendenção do Bragantino

Bragança Paulista, SP, 29 (AFI) – O Bragantino festeja a sua rendenção no futebol nacional. A cidade de Bragança Paulista voltou a vestir a camisa do clube da cidade, que acaba de conquistar o título do Campeonato Brasileiro da Série C. Sob o comando do chedid 001 150presidente Marco Chedid (foto), o Bragantino reabre portas no cenário brasileiro e sonha em ir mais longe nos próximos anos, brilhando como já fez no início dos anos 90.

Ainda nesta temporada, o Bragantino chegou às semifinais do Campeonato Paulista e que lhe garantiu uma vaga na Copa do Brasil. Lembra um pouco os tempos áureos do time, que conquistou o título brasileiro da Série B, em 1989, e sagrou-se campeão paulista de 1990. No ano seguinte, em 1991, foi vice-campeão brasileiro, perdendo o título para o São Paulo.

Carro, missa e festança
A delegação do Bragantino retornou à cidade, vinda de Natal, somente às 18h30. Uma hora e meia mais tarde já iria participar de uma missa na Igreja do Rosário em homenagem à um ano da morte de Nabi Abi Chedid, patrono do Bragantino. Depois iria desfilar pelas principais ruas da cidade num caminhão de Corpo de Bombeiros. No final da noite os jogadores participariam de um jantar oferecido pela diretoria.

Com relação à premiação, já estava definida. O time terá R$ 60 mil auferidos em três jogos dentro do Marcelão, além de um carro zero quilômetro presenteado pelo patrocinador da camisa e avaliado em R$ 30 mil. A Câmara Municipal também pretende oferecer à todos os jogadores um brasão de honra ao mérito pela conquista do título nacional.

Trabalho planejado
”Tudo que aconteceu este ano, inclusive, agora, o título da Série C é resultado de um planejamento de três anos. O clube está enxuto, temos um modelo próprio de organização e trabalhamos dentro da nossa realidade financeira”, explica o presidente.

A reestruturação do clube começou em 2005, quando na base do “vamos lá” conseguiu o acesso da Série A-2 para a Série A-1, ou seja, o direito de disputar o Paulistão. No final deste ano, o presidente derrubou o pior obstáculo: as dívidas trabalhistas acumuladas ao longo dos anos e que inviabilizavam o funcionamento do clube.

Num acordo com a Justiça do Trabalho ficou convencionado que o Bragantino destinaria um percentual de 10% de toda sua receita para quitar seus débitos. Naquela época eram 115 ações, agora restam apenas 32.

Este acordo proporcionou a manutenção do clube que, em 2006 disputou o Paulistão e sagrou-se vice-campeão da Copa Federação paulista de Futebol (Copa FPF). Este título assegurou ao time voltar a participar do Campeonato Brasileiro da Série C em 2007.

Estrutura enxuta e sem escolinha
A estrutura funcional está enxuta, praticamente restrita a seis funcionários diretos. Sem dinheiro para investimentos no futebol, a folha sempre ficou reduzida em relação a clubes do mesmo padrão. O time fecha o ano, por exemplo, com uma folha mensal de R$ 150 mil.

A diretoria extinguiu as categorias de base, terceirizando o departamento apenas para cumprir as exigências da FPF. “Cansei de perder jogadores de 16 e 17 anos para outros clubes e, principalmente, para empresários inescrupulosos”, conta Chedid.

“Nós mantemos um elenco com 30 jogadores, a maioria bem observada antes de chegar ao clube, e com quatro ou cinco juniores de boa qualidade técnica”.

Futuro com muito trabalho
Nos planos do presidente, ainda falta muita coisa. Ele sonha no futuro ter um Centro de Treinamento, com quatro campos e alojamento; quer modernizar as instalações do Estádio Marcelo Stéfani e, ao mesmo tempo, sabe que precisa manter o time em alta. As ações trabalhistas continuam sendo pagas, o débito com impostos e encargos federais – algo em torno de R$ 900 mil – estão incluídos dentro do Projeto da Timemania.

Marcelo 0009 180Dentro dos planos, consta a manutenção do técnico Marcelo Veiga (foto), no clube desde 2005. O curioso é que ele tentou sair este ano, mas fez duas escolhas erradas. Inicialmente foi para o Paulista, na Série B, e o time lá acabou rebaixado. Depois dirigiu o América-RN, que já estava condenado ao rebaixamento na Série A.

”O Marcelo Veiga é um profissional competente e que tem méritos neste projeto e em nosso trabalho. Nunca o quis fora do Bragantino, mas ele quis arriscar e se deu mal. Ele soube a hora de dar um passo atrás e eu, como dirigente, não levei em conta qualquer rancor tão visto em muitos dirigentes. O acolhi de braços abertos e deu certo”, diz Chedid. Veiga substituiu Roberval Davino e conquistou o título da Série C, o seu primeiro título como treinador de futebol.