Botafogo x Deportivo Quito-EQU - Há coisas que só acontecem ao Botafogo?
Uma eliminação precoce, nesta quarta, poderia criar uma crise sem precedentes no clube
Nesta quarta-feira, porém, o Fogão tem a chance de provar que sua Estrela Solitária, hoje, brilha mais do que nunca. Para tanto, basta não fazer o papelão de ser eliminado pelo modesto Deportivo Quito-EQU, a partir das 22 horas, no Maracanã.
Rio de Janeiro, RJ, 04 (AFI) – “Há coisas que só acontecem ao Botafogo”. O velho ditado do futebol carioca é tão antigo que se confunde com a própria história do Glorioso. Criado pelos rivais, ainda no início dos anos 1900, para descrever a fama de azarado do clube de General Severiano, o bordão já é algo que ecoa naturalmente no Rio. Inclusive, na boca dos próprios alvinegros que teimam em carregar consigo este fardo recheado de baixa auto-estima. Nesta quarta-feira, porém, o Fogão tem a chance de provar que sua Estrela Solitária, hoje, brilha mais do que nunca. Para tanto, basta não fazer o papelão de ser eliminado pelo modesto Deportivo Quito-EQU, a partir das 22 horas, no Maracanã, pela fase preliminar da Libertadores.
A missão, contudo, não será das mais fáceis. Se existe um resultado enganoso, este é o 1 a 0 da derrota para os equatorianos, no jogo de ida, em Quito. Um gol no início da partida, obriga o Fogão a correr atrás de outros três gols para não morrer na praia. E a história do Bota, mesmo que vitoriosa, está repleta de exemplos negativos, que tornam legítimo a fama atribuída pelos rivais. A perda do título da Copa do Brasil para o Juventude, em 1999, e o tri vice-campeonato carioca contra o Flamengo, entre 2007 e 2009, são apenas duas provas recentes, que servem para ilustrar.
Apoio será tão grande quanto a cobrançaUma eliminação precoce, nesta quarta, poderia criar uma crise sem precedentes no clube. Afinal, o time voltou ao torneio continental 18 anos, após a última participação em 1996. O estado de euforia criado pela classificação foi tão grande quanto serão as lamentações, caso o time padeça antes mesmo de saborear a fase de grupos, onde entraria em uma chave teoricamente fraca, o Grupo 2, que conta com Unión Española-CHI, San Lorenzo-ARG e Independiente Del Valle.
Para garantir que tudo caminhasse perfeitamente, o técnico Eduardo Hungaro decidiu poupar os titulares no Carioca e esticou a pré-temporada dos titulares. Tudo para entrar voando na Libertadores. O resultado disso, uma sofrível campanha no Estadual, onde soma cinco pontos em cinco jogos e ocupa na nona posição. Ou seja, a queda no torneio continental seria ainda mais trágica, tendo em vista que as chances de classificação na competição local não são tão palpáveis.
Pessimismo é folclore
Se a fama acompanha o Botafogo há quase uma década, os torcedores não parecem nem um pouco pessimistas. Mesmo com o placar adverso na ida, a expectativa é de que os alvinegros lotem o Maraca e sem ajuda dos tradicionais rivais Flamengo, Vasco e Fluminense. Fato pouco comum na história de mais de 60 anos do templo do futebol.
Até esta terça-feira, mais de 35 mil ingressos já haviam sido comercializados. Portanto, a expectativa é de que o público total supere os 50 mil torcedores. Até porque no Rio de Janeiro, a quantidade de “penetras” (leia-se torcedores com gratuidades) chega a exorbitantes dez mil pessoas em grandes jogos.
Promessa é…
Uma das estrelas contratadas para comandar o time alvinegro na Libertadores, o meia Jorge Wagner prometeu não decepcionar os torcedores. O jogador se mostrou bastante ansioso para fazer sua estreia com a camisa do Fogão no Maraca – por enquanto jogou contra o Madureira em São Januário e na ida em Quito.
“Com certeza, é um ano diferente, devido ao que o Botafogo apresentou em 2013, conquistou essa condição. Infelizmente, não saímos com o resultado positivo do Equador, mas temos condições de reverter. É o jogo das nossas vidas, o mais importante para o Botafogo. Esperamos sair com a classificação”, disse.
Para esta partida, Hungaro promete uma formação mais ofensiva pela necessidade de vencer por dois gols de diferença. Com isso, quem ganhará uma oportunidade de começar jogando é o atacante Wallyson, que formará dupla com Tanque Ferreyra. O escolhido para sair foi o atacante Rodrigo Souto.
Retrospecto desfavorável
Embora esteja em vantagem pela vitória na ida, o Deportivo Quito entra nesta decisão com uma grande marca negativa a ser quebrada. Em 25 partidas como fora do país na Libertadores, “La Academia” nunca venceu. Foram sete empates e 18 derrotas. A única vitória como visitante foi sobre o Emelec-EQU, em Guayaquil. Mais um motivo para tornar uma possível derrota ao folclore do Fogão.
Apesar do retrospecto desfavorável, o discurso dos jogadores do Quito é de puro otimismo. “Esperamos conseguir um ‘Maracanazzo’. Estamos confiantes em ganhar o jogo”, disparou o meia reserva Santiago Morales. “A torcida pode ficar tranqüila, porque este grupo sempre esteve comprometido na classificação à fase de grupos”, disse o técnico Juan Carlos Garay.
Para a partida, o treinador deve apostar exatamente na mesma formação que venceu na ida. Destaque para dupla e ataque formada por Víctor Estupiñán, autor do gol na partida de ida, e o grandalhão Walter Calderón.





































































































































