Boas lembranças de técnico vencedor Carlos Alberto Silva
O colunista Sérgio Carvalho faz uma homenagem ao técnico que morreu no último fim de semana
O colunista Sérgio Carvalho faz uma homenagem ao técnico que morreu no último fim de semana
Por SÉRGIO CARVALHO
Campinas, SP, 23 (AFI) – Tenho duas lembranças que gostaria de apresentar para meus leitores em relação a Carlos Alberto Silva, técnico vencedor que dirigiu o Guarani, de Campinas, o Rio Preto EC, o São Paulo, o Atlético Mineiro e outras agremiações (inclusive algumas internacionais). A primeira dessas lembranças vem da época em que ele era o técnico do São Paulo.
Naqueles tempos a decisão do campeonato era feita na base de um quadrangular. Os quatro grandes chegaram. Numa análise sobre as possibilidades dos quatro finalistas eu disse que o “São Paulo era a zebra” que “entre os quatro, era o time mais fraco e que sua chance de ser campeão era mínima”.
Carlos Alberto leu a coluna, tirou copias do meu comentário e colocou sobre o travesseiro de cada jogador do São Paulo na concentração.
Depois, antes de disputar o primeiro jogo, lembrou daquilo que eu disse e provocou seus jogadores dizendo que eles “tinham obrigação de me desmentir, pois eram atletas qualificados e, ao contrário do que eu dizia, tinham sim competência para serem campeões”.
Antes do jogo ele me encontrou no Morumbi e brincou comigo.
“Sergio, você me ajudou a motivar meu time. Acho que vamos ganhar esse título”.
De fato. O São Paulo se superou e vencer a decisão ficando com o titulo paulista da temporada. Quando voltei a me encontrar com o Carlos Alberto ele me agradeceu.
“Você não errou na sua análise, mas eu soube aproveitá-la para super motivar meus jogadores. Deu certo e nós fomos campeões. Obrigado pela ajuda!!!”.
Fosse outro treinador e possivelmente ele iria me ironizar e jogar todo seu elenco contra mim. Não foi o que ele fez. Ao contrário. Me agradeceu e ainda me colocou como um dos responsáveis por aquele título do São Paulo.
OUTRA PASSAGEM
Outra lembrança vem daquela mesma fase de São Paulo, onde eu era setorista pela Rádio Bandeirantes. O São Paulo tinha um ponta esquerda chamado Zé Sergio que era uma fera na velocidade e no drible. Mas quando o seu marcador o complicava, Zé Sergio baixava a cabeça e caia de produção.
Como sabia da importância de Zé Sergio na produção do ataque do seu time, Carlos Alberto ficava de olho. Se Zé Sergio produzisse pouco no primeiro tempo, ele esperava o jogador nos vestiários e tinha uma conversa com ele. Procurava super motivá-lo.
“Vá prá cima, Zé. Você é melhor do que seu marcador. Você pode decidir esse jogo prá nós. Conto com você.”
Dava certo: Zé Sergio entrava para o segundo tempo “voando” e geralmente ganhava o jogo para o São Paulo. Mérito de Carlos Alberto Silva, como sabia usar a psicologia para motivar seu time e seus jogadores e para ganhar campeonatos.
Um grande profissional ! ! !





































































































































