Blog do Ari: Vitória suada da Ponte Preta não encobre os erros
Tinha ainda precisa ajustar compartimentos nesta Série B
Torcedor gosta de afagos ao seu time quando consegue vitória, independente da performance. Elogios se ampliam quando a conquista é fora de casa, pelas dificuldades inerentes. E quando ocorre através de virada de placar haja saudação.
Compreendo o lado do torcedor que reprova restrições ao seu time quando vence, mas o compromisso com a imparcialidade me obriga citar que a Ponte Preta não praticou futebol convincente diante do Paraná, apesar da vitória por 2 a 1, em Curitiba.
A Ponte fez dois gols de cabeça, teve predomínio no final do primeiro tempo e paradoxalmente depois que sofreu o gol até a virada no placar no segundo tempo. Depois se resguardou para sustentar a vantagem, por sinal justa.

LÚCIO FLÁVIO
Com a ausência do criativo meia Lúcio Flávio, o Paraná perdeu a lucidez e teve apenas alguns lampejos ao longo da partida, dois deles em que o goleiro Roberto praticou defesas difíceis, além do lance do gol em que novamente o lateral-direito Daniel Borges teve que disputar bola por cima na pequena área e perdeu.
No mais, o plano defensivo da Ponte foi bem, inclusive o zagueiro Gilvan que se redimiu da instável atuação diante do Ceará.
O problema da Ponte tem sido seus compartimentos divorciados. O time foi estruturado num 4-3-3, novamente com os atacantes Cafu aberto pela direita e Alexandro pela esquerda. Edno, mais centralizado, desta vez foi posicionado mais à frente.
Até que o trio era abastecido de bola, mas sem acompanhamento dos homens de meio de campo, e com raras aparições do lateral-direito Daniel Borges ao ataque até os 35 minutos do primeiro tempo.
Assim, o distanciamento dos jogadores da Ponte implicou na necessidade de os atacantes optarem por jogadas pessoais, e aí a bola era perdida.
ADRIANINHO

O estilo de jogo do meia Adrianinho de só lançar é um modelo ultrapassado no futebol. O time precisa ganhar fluxo a partir do meio de campo, com deslocamentos contínuos dos homens do setor, e isso raramente era visto.
O volante Elton, embora tenha bom toque de bola, é lento. Assim, o time carece de transição rápida e qualificada ao ataque por dentro.
Provavelmente o rápido volante Juninho teve esta leitura de jogo e procurou se projetar com a bola ao ataque, até que alguma recomendação contrária implicou no recuo para guarnecer a posição.
Este era o panorama de jogo, agravado pela má atuação de Cafu que não ganhava uma jogada sequer.
Paradoxalmente o panorama só se modificou após o Paraná ter aberto a contagem através de Carlinhos Miranda aos 5 minutos do segundo tempo, ocasião em que contava apenas com um atacante fixo – caso de Giancarlo – e se encolheu com três volantes.
Era cedo demais para o clube paranaense recuar na tentativa de administrar a vantagem.
Melhor para a Ponte que adiantou a marcação, ganhou a maioria dos rebotes e ficou de posse de bola no campo adversário, sem que isso representasse jogadas trabalhadas no chão.
EDNO E CÉSAR
Assim, o gol de empate teria que surgir pelo alto, quando Edno testou bem um cruzamento de Juninho e empatou para a Ponte. Também de cabeça o zagueiro César aproveitou cobrança de falta de Adrianinho e marcou o gol da vitória pontepretana.

Assim, pode-se afirmar que prevaleceu a velha raça pontepretana na tentativa de sustentar a vitória, mas por duas vezes ela esteve ameaçada e contra um adversário tecnicamente inferior.
Por isso, a Ponte que não se iluda com os três pontos que trouxe de Curitiba porque muita coisa precisa ser arrumada para que o time se estabilize na competição.
A contratação de um meia qualificado é prioridade urgente. O lateral-esquerdo Bryan precisa conduzir a bola ao invés do passe longo. Elton ainda não ganhou cara de jogador vibrante como cobra a torcida da Ponte, e atacantes isolados pelos lados do campo como ficaram Cafu e Alexandro facilitam a marcação adversária.
Com tempo para trabalhar no período de Copa e convencionando-se pouca qualificação nas equipes desta Série B, dá pra Ponte traçar planificação visando o acesso à Série A.





































































































































