Blog do Ari: Vitória do drible no título europeu do Real Madrid

Contra ‘muralhas’ o caminho continua ainda é a individualidade

0002048191924 img

Para o bem do futebol o drible foi o diferencial nesta final da Liga dos Campeões. Três dos quatro gols da goleada do Real Madrid sobre o Atlético de Madrid são atribuídos a início de jogadas pessoais. Eis aí o recado para aqueles que apostam em mirabolantes esquemas de marcações como capazes de superar naturais dificuldades. O drible bem aplicado ainda é uma arma mortífera.

O Real arrombou a porteira do Atlético com aquela sequência de dribles curtos e desconcertantes do argentino Di Maria, na construção do lance que originou o segundo gol de sua equipe. Após defesa parcial do goleiro Courtois, eis que a cabeçada de Bale para o gol estremeceu o Estádio da Luz, em Lisboa (POR), palco desta extraordinária decisão na tarde deste sábado.

Aí o lateral-esquerdo Marcelo, do Real, soube usar espaço para conduzir a bola e finalizar com sucesso naquela porteira escancarada, no terceiro gol do Real.

Por fim, até o apagado Cristiano Ronaldo resolveu driblar dentro da área e sofreu pênalti, que ele mesmo converteu. Pronto, 17 gols e artilharia absoluta na competição.

SÉRGIO RAMOS

Nada disso teria ocorrido se o zagueiro Sérgio Ramos, do Real, não tivesse acertado aquela forte e indefensável cabeçada aos 48 minutos do segundo tempo, empatando a partida.

Antes disso o Real viveu o drama de derrota para o bem aplicado Atlético de Madrid, que correu demais ao longo da partida e já não teve pernas na prorrogação.

Bom, melhor a gente se fixar apenas em alguns tópicos da partida que provavelmente vão gerar discussão.

1 – Jogo a mil por hora, nada a ver com a morosidade que se verifica na maioria das partidas do futebol brasileiro.

2 – Em campo duas equipes que praticam um futebol vertical, que visa chegar rapidamente às imediações da área adversária.

3 – Muito jogo aéreo de ambos os lados, mas o Atlético optou por maiores cuidados defensivos.

4 – Se o Real tivesse perdido diriam que Cristiano Ronaldo jogou mal porque entrou em campo no sacrifício, correto? Errado. Dois lances respectivamente no final da primeira e segunda fase da prorrogação mostram que ele tinha ‘pernas’. A primeira quando tentou puxar contra-ataque em seu campo de defesa e foi barrado com falta; a segunda ao driblar e cavar o pênalti. E mais: deu ‘pedaladas’ e saltou para cabecear várias vezes. Machucado? Talvez mal condicionado fisicamente.

5 – O futebol é caprichoso mesmo. Bale, do Real, havia desperdiçado três boas para chances de gols e de certo seria ‘malhado’ se o Real perdesse. Mas se redimiu com aquele gol de cabeça.

6 – No gol de Bale, estranha a comemoração do francês Michael Platini, presidente da Uefa. Deveria ser neutro. Estranho também os aplausos do treinador adversário Simeone.

7 – Estas câmeras da TV Globo continuam dando show. Flagraram o goleiro Casillas, do Real, enchendo as buchechas de Sérgio Ramos de beijos, pelo gol de empate que salvou a sua pela. Imaginem se o Real perdesse a partida por causa daquela falha gritante dele no gol do zagueiro Godín do Atlético.

8 – Dois flagrantes de Cristiano Ronaldo durante distintas cobranças de faltas para o Real. Numa delas de certo desapontou a mulherada com aquela cuspida feia de boleiro, e na sequência ele ainda cutucou o nariz com a unha; noutra, quando arrancou a camisa e fez pose de halterofilista após marcar o quarto gol do Real.

9 – Gente, que partidaço fez o zagueiro Miranda do Atlético! E ainda ficou fora da Seleção Brasileira, enquanto o apadrinhado ex-palmeirense Henrique foi chamado. Pode?

10 – Por acaso você contou o número de impedimentos ao longo da partida? Raríssimos. Por que? Porque boleiro que atua no futebol europeu tem mais percepção do posicionamento em campo, diferente de uns e outros por aqui, como o centroavante Luís Fabiano do São Paulo.