Blog do Ari: Vem aí mais histórias do Lanús, Passarella e racismo na Argentina

Termina aqui minha missão de repórter do FI na Argentina

A partir deste sábado sepulto a velha reportagem que a desenterrei há duas semanas e volto ao meu sagrado espaço de opinião, para que discutamos temas diversos sobre o futebol.

Quão bom foi o reencontro com descrição de fatos, busca de informações, e eterna gratidão ao mestre Mário Erbolato, que ensinava na faculdade de jornalismo da PUC-Campinas que a pauta deve sim ser travada quando se encontra um fato com relevância no meio do caminho.

Pois se o destino para busca de informação era um, obviamente ficou num segundo plano quando presencio quase que em tempo real um acidente com reflexo de capotamento de um táxi.

Quem era a vítima e as causas do acidente pouco importam neste caso específico, até porque há dificuldade de comunicação de línguas diferentes e a truculenta polícia argentina rompe o espaço delimitado para circulação. O certo é que não houve vítima fatal e aí prevalece a máxima jornalística de que uma imagem vale por mil palavras.

De certo os diretores do FI, Élcio Paiola e Artur Eugênio, jamais poderiam projetar que a extensão de dois dias a passeio do repórter em Buenos Aires fosse ter reflexo, com exclusividade para a mídia nacional, do registro da conturbada festividade da torcida do Boca Junior, que se realiza a cada 12 de dezembro no Obelisco, praça em área central da cidade.

O diferencial, desta vez, é que a festa foi manchada devido ao conflito com a polícia, deixando cinco policiais feridos, além de outros tantos torcedores.

Um bando de torcedores ‘queimava fumo’ (fumava maconha) livremente no local, e já era visivelmente o comportamento alterado.

E vejam que a polícia foi tolerante até demais ao permitir que o trânsito fosse bloqueado parcialmente pelos torcedores, que não se restringiam à ocupação à área ora delimitada, na praça específica.

TORCIDA DO LANÚS

Vou contar, em detalhes, como o Lanús se preparou para ganhar este título e o comportamento de sua torcida. Infiltrei-me entre os torcedores dele horas antes da decisão e acompanhei desde a aglomeração em grande terminal urbano.

Depois, o acompanhamento ao longo do calçadão – similar ao da Rua 13 de Mario em Campinas – até a concentração em uma praça a cerca de 700 metros do Estádio La Fortaleza.

Ali fizeram um bandeiraço e foguetório. Percebi uma energia positiva fantástica. Estava criado o clima ‘ passar por cima’, transportado para o campo de jogo.

Claro que muitas coisas fogem do alcance de um profissional que se aventura em terra alheia.

Foi frustrante a tentativa de entrevistar o presidente do River Plate e vou explicar em matéria ainda a ser produzida a aflição dele pelo desfecho de sua gestão no clube.

Ele enfrenta uma forte oposição que estende o processo eleitoral do clube às ruas de Buenos Aires através de outdoor.

Por fim, vou tentar explicar, até com testemunho em vídeo de entrevistado, a quantas anda o racismo na Argentina, que já foi mais explícito.

E parafreando o brilhante jornalista Goulart de Andrade, da TV Gazeta, a recomendação é ‘venha comigo’.