Blog do Ari: Vadão arrumou o time da Ponte no segundo tempo, apesar da derrota

Entradas de Neílson e Bida foram vantajosas diante do Palmeiras

Pela comodidade da televisão minha pauta foi o jogo da derrota da Ponte Preta por 3 a 2 para o Palmeiras, no Estádio do Pacaembu. Simultaneamente, na tarde deste sábado, o Guarani empatou por 2 a 2 com o Red Bull, em Paulínia, após abrir vantagem por 2 a 0.

Detalhes destes dois pontos perdidos pelo Bugre e sobre a aglomeração de torcedores no estádio ficam por sua conta que esteve lá.

Sobre a derrota da Ponte, o comentário tem que ser feito observando-se duas fases distintas. No primeiro tempo, a única chance criada foi convertida através do atacante Rossi logo aos dois minutos, quando aproveitou um cruzamento da esquerda.

Depois disso, o Palmeiras encurralou a Ponte em seu campo de defesa, sem contudo ameaçá-la contundentemente.

VADÃO ENXERGOU

O treinador da Ponte, Oswaldo Alvarez, o Vadão, teve perfeita leitura de jogo durante o intervalo quando fez duas alterações providenciais: sacou o volante Bruno Silva e o meia Adrianinho por razões diferentes.

Como bom político, Vadão atribuiu as mexidas porque ambos já haviam recebido cartões amarelos. Na prática, havia risco da expulsão de Bruno Silva e o time pontepretano não teve perda com o deslocamento de Ferrugem para a função de volante, fato que provocou a entrada de Neílson na lateral-direita.

Claro que o polido Vadão não diria publicamente, mas ficou explícito que sacou Adrianinho por deficiência técnica. Nem se compara a produção de Bida, que o substituiu no segundo tempo.

Assisti à partida no Centro Comunitário do Jardim Amazonas e fiz questão de mostrar aos colegas que a Ponte carecia de um meia com mobilidade para dar continuidade às bolas rebatidas pela zaga pontepretana, coadjuvada pelos volantes.

Mostrei que Adrianinho, sem pernas, define pequena faixa do campo pra jogar e que é presa fácil quando marcado de perto.

Como o elenco da Ponte não conta o pretendido meia de mobilidade, havia sugerido que Ferrugem tivesse a incumbência de desempenhar a função, exatamente para que se criasse uma alternativa de o time da Ponte tirar a bola da defesa, para que o time não ficasse exclusivamente se defendendo. Teria que se criar alternativa para também jogar.

OUTRA CARA

Aí entrou Bida, que mesmo sem a mobilidade cobrada, deu outra ‘cara’ ao time pontepretano. Como sabe prender a bola, soube segurá-la para chamar faltas e isso permitiu que o time respirasse.

A dinâmica do passe de Bida nem se compara à aquilo que Adrianinho deixou de mostrar até então.

Assim, pode-se dizer que a Ponte jogou no segundo tempo. E poderia até ter vencido a partida se duas chances reais de gols fosse convertidas.

Na primeira o meia-atacante Antonio Flávio chutou a bola no travessão; na segunda, após bom passe de Bida, Silvinho ficou na cara do gol e praticamente recuou a bola para o goleiro palmeirense Fernando Prass.

Claro que o time do Palmeiras está bem arrumado, sabe se compactar bem do meio de campo pra frente e também criou situações de embaraço à Ponte. O que falta – e sempre faltou em equipes comandadas pelo treinador Gilson Kleina – é trabalhar mais jogadas de fundo de campo.

Na prática, entretanto, o Palmeiras chegou ao primeiro e terceiro gols em decorrência de falhas rotineiras de marcação do time pontepretano, que carece de correção; jogadores marcam a bola e esquecem o adversário.

Se o segundo gol palmeirense pode ser atribuído a um erro de arbitragem na marcação de pênalti, a compensação foi sintomática com o juizão marcando igualmente um pênalti inexistente à Ponte, cavado e convertido pelo atacante Silvinho.

Portanto, se é possível a Ponte extrair algo positivo mesmo na derrota para o Palmeiras, que comece pela efetivação de Bida no lugar de Adrianinho.

Como Neílson entrou num ritmo semelhante ao de Ferrugem, igualmente deveria ser efetivado na lateral, com a conseqüente passagem de Ferrugem no meio de campo, mesmo que isso implique em mudança do esquema 4-3-3 para o 4-4-2.