Blog do Ari: Um Guarani ‘meia boca’ até poderia ser tocado por Pugliese

Álvaro Negrão estaria projetando um time apenas participativo na A2?

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O grito do ‘dia do fico’, ou ‘não fica’ para o treinador Tarcísio Pugliese ainda está entalado na garganta do presidente do Guarani, Álvaro Negrão.

Bem que ele deu uma ensaiada favorável à permanência do treinador, em entrevista à Rádio Brasil, na quarta-feira, mas depois foi precavido ao ser pressionado pela maioria dos vices, contrários à renovação de contrato de Pugliese, na reunião vespertina de quarta-feira.

Nesta sexta-feira de dia ‘D’, Negrão terá coragem de peitar os vices, e por extensão a maioria da torcida bugrina? Terá postura dos autocráticos, ou se curvará às evidências?

Em tempo: foi Negrão quem convocou os vices à reunião, em cumprimento à proposta de coalizão das alas de oposição do clube, para que assuntos relevantes sejam debatidos e decididos democraticamente.

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ÓBVIO

Claro que o bugrino, em são consciência, custa a acreditar que Negrão não esteja observando o óbvio: comprar ‘briga’ gratuita com a massacrante maioria dos torcedores e ala considerável da diretoria que rejeita a permanência do treinador.

Como Negrão estrategicamente adiou a definição para esta sexta-feira, logicamente nos permite que elucubremos sobre os motivos que o levam a insistir com Pugliese.

Os indicativos são de que projeta montagem de um elenco bem ‘meia boca’ para o Campeonato Paulista da Série A2, com justificativa na ponta da língua: falta de dinheiro.

Se Negrão já sinalizou aperto ainda maior nos gastos do futebol do Guarani para 2014 – até porque colocou dinheiro do bolso no clube neste Brasileiro da Série C -, a dedução lógica é que não se constrangeria na hipótese de campanha apenas intermediária na A2. Nesta linha de raciocínio, aquilo que vier a mais – acesso à A1, por exemplo – teria conotação de lucro.

Não se surpreendam se o projeto prático de Negrão é de fazer o Guarani voltar ao galope apenas quando aparecer dinheiro da venda de maior parte do imóvel do Estádio Brinco de Ouro.

CONFISCO

Se a proposta prática do futebol do Guarani converge para esta linha de raciocínio, acessos implicariam em responsabilidade maior para montagens de elencos mais qualificados, sem que haja recursos para isso. É sabido que as fontes de renda do Guarani são automaticamente confiscadas com penhora de dezenas de ações judiciais. Assim, acesso poderia significar‘bater e voltar’, ou subir e descer.

Este exercício de elucubração nos permite entender que pra se montar um time ‘meia boca’ nada impede que o elenco seja entregue a um treinador apenas razoável e consequentemente barato.

Barato por barato, talvez Negrão tenha projetado que a permanência de Pugliese seria a alternativa que se ajustaria ao Guarani do momento.

Pelo menos Negrão sabe que ele arregaça as mangas, tem ascendência sobre o grupo e, em última análise, seria a garantia de uma campanha intermediária.

Se pensa exatamente isso, por que o presidente bugrino não coloca este discurso à sua coletividade?

Certamente a maioria discordará da posição. Apesar disso, não deixa de ser uma postura de quem quer evitar o passo maior de que a perna, como se aplica em gestões de empresas privadas.

PAIXÃO

O diferencial é que futebol tem as suas particularidades. Torcedor é movido a paixão e questiona a razão.

Quer o clube esteja em situação ‘pré-falimentar’, quer nade em dinheiro, a cobrança será sempre para montagens de equipes competitivas

Convém destacar que a obtenção de resultados positivos serve para se quitar investimentos feitos no futebol.

A discussão está posta. Com ou sem Pugliese, o Guarani precisa ser debatido. Ou melhor: o Guarani precisa ser ‘içado’ a outro patamar.