Blog do Ari: Se a Ponte se salvar será uma das maiores zebras do futebol

Time não mostra capacidade para reagir, como no empate com o Bahia

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Qualquer observador razoável do futebol já concluiu que este time da Ponte Preta não tem condições de fazer mais do que isso aí. Portanto, terei uma das maiores surpresa no futebol caso ele escape do rebaixamento.

Aí você contra-argumenta que ainda tem muito chão neste Campeonato Brasileiro, que muita água vai rolar debaixo da ponte, que o Fluminense em situação semelhante outrora já escapou, e por aí vai.

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Sim. Só que não vejo funcionalidade – pra não dizer potencial – neste time pontepretano pra somar mais 20 pontos até o final da competição. O empate por 1 a 1 em Salvador, diante do Bahia, na noite deste domingo, foi o reflexo disso.

Dois times iguais em campo, porém os baianos não contam em seu quadro com um jogador que destoa como o lateral-direito Régis, que mal serviria para se encaixar nas principais equipes do Campeonato Brasileiro da Série C, e joga na Ponte.

Comentei, semanas atrás, que só um dirigente profundamente conhecedor do futebol poderia ajudar a dar jeito neste time, mesmo com o treinador Jorginho ainda aí.

O dirigente com este perfil não admitiria a trapalhada de quinta-feira passada contra o Galo mineiro, e antes do jogo contra o Bahia chamaria o treinador num canto e cochicharia no ouvido dele: ‘Nada de Régis, viu! Ele não marca e desce atabalhoadamente ao ataque. Faça aquilo que estou mandando’.

QUALQUER UM

Se Jorginho respondesse colocar quem se Artur, jogador da posição, está machucado, o experiente diretor de futebol diria: ‘Qualquer um que marque’.

Na metade do primeiro em Salvador, Jorginho e milhares de pontepretanos perceberam que o lado direito da defesa era um convite para os baianos se organizarem. Pra deitarem e rolarem em cima de Régis, que, perdido, chutava a bola pro lado em que o nariz estava virado.

Já que errou na escalação do jogador, por que Jorginho esperou o intervalo para a troca, como manda os bons costumes?

Aí entrou o zagueiro César na lateral-direita, no segundo tempo – sempre contestado aqui -, mas reconheçamos que fez o elementar: reduziu o espaço do adversário que caía por ali e assim acabou da farra do boi pelo setor.

Só que aí a Ponte só havia sofrido pressão, se desestabilizado e tomado o gol de empate.

Perceberam como uma peça mal encaixada no tabuleiro estraga tudo?

Calma. Não vamos culpar apenas Régis. Os problemas do time da Ponte são extensos.

Sejamos justos ao reconhecermos que Jorginho percebeu que faltava o homem que pudesse conduzir a bola para organizar o ataque pontepretano, e por isso acertadamente apostou que o meia Chiquinho pudesse fazer isso, porque o volante Alef errava passes e não se apresentava pro jogo.

Só que Chiquinho sentiu contusão muscular com 12 minutos do segundo tempo, saiu aos 16, e foi queimada uma substituição.

Bom, na tentativa de ganhar o jogo, de justificar que o seu time ficou com três atacantes, Jorginho escalou Ratão.

Adianta posicionar o time com três atacantes se a bola não chega? Não chegava porque Adrianinho só a fez chegar em dois excelentes lançamentos e um punhado de outros errados.

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ADRIANINHO
Nada de rasgados elogios para Adrianinho apenas por dois acertos. A rigor, sequer se aproximou da área adversária.

Felipe Bastos, outro meio-campista, estava apagadíssimo. Parecia ainda cansado da correria do jogo contra o Náutico, para tão pífio rendimento.

Aí o Bahia percebeu que a válvula de escape da Ponte era com as arrancadas do atacante Rildo pelo lado esquerdo, e seus jogadores se revezaram em barrá-lo com faltas duras, mesmo que isso custasse cartões amarelos.

Apesar de todos os pesares, mesmo não jogando bem, o mais difícil era a Ponte explorar bem um contra-ataque e conquistar a vantagem no placar, num lance que teve participação de Adrianinho lançando, Rildo construindo e William arrematando.

Era jogo para o time pontepretano sustentar a vantagem e dar um novo alento à sua sofrida torcida. Era. As falhas habituais e a qualidade duvidosa de vários jogadores não permitem o sonhado progresso.