Blog do Ari: Se a Ponte não sabe finalizar, não pode reclamar da derrota no Paraná

Em chances de gols, bola é chutada em cima do goleiro Weverton

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Permitam-me, prezados colegas de Redação do FI, discordar do enfoque de que a derrota da Ponte Preta para o Atlético Paranaense por 1 a 0 foi injusta. Também discordo daqueles que eventualmente atribuem méritos totais ao goleiro Weverton, do Furacão, pelo fato de o gol de empate não ter saído.

Se em finalizações à queima-roupa de jogadores pontepretanos Weverton se esparramasse todo e pegasse as tais bolas tidas como impossível, seria compreensível a lamentação pela Ponte não ter trazido um ponto da capital paranaense na noite deste domingo. Na prática, o que ficou devidamente caracterizado foi falha de finalização.

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O meia-atacante Chiquinho não sabe enfrentar goleiros, porque em circunstâncias idênticas à partida deste domingo também perdeu gol, chutando a bola em cima do goleiro. Portanto, nada de milagre de Weverton. Bastava uma cavadinha e pronto.

O atacante Ratão, oriundo das categorias de base, fez jogada de Pelé, ao aplicar chapéu em zagueiro adversário dentro da área, mas chutou em cima de adversário.

Num lance seguinte, ficou na cara do gol e recuou a bola para o goleiro Weverton, lembrando o melhor estilo do ponteiro-direito Dito Flexa, de meados da década de 70.

Com esta incompetência no fundamento finalização, o que a Ponte pretendia neste confronto com o Furacão?

A diferença fundamental é a qualidade do adversário no arremate. Nem se compara o nível de dificuldade do meia atleticano Paulo Baier no lance que originou o gol da vitória de sua equipe. Ou chutar de bate pronto, de sem-pulo, é mais fácil de que a bola colada ao pé?

Pra quem não teve a oportunidade de assistir à partida pelo canal fechado, o lance do gol do Furação foi praticamente uma repetição daquilo que já havia ocorrido no final da partida contra o Flamengo.

A bola ‘viajou’ bem alta da esquerda à direita sobre toda extensão da área, e mais uma vez Uendel e Sacoman marcaram a própria sombra. Aquela lição do lance em que o polivalente André Santos marcou o gol de empate do Flamengo não serviu para absolutamente nada. Foi repetido de forma quase idêntica.

CHUVA

Choveu bastante no Paraná e o gramado do Estádio Durival de Brito estava impraticável para o futebol.

O técnico Jorginho, da Ponte, surpreendeu ao escalar três zagueiros, manteve três volantes e sacou o meia Adrianinho devido ao estado do gramado, porque a bola não corria.

De início o Atlético se adaptou melhor àquela circunstância e se mandou ao ataque. Chegou ao gol aos 11 minutos e a Ponte só finalizou pela primeira vez ao gol adversário aos 22 minutos e através do volante Baraka.

Depois disso, a Ponte se encorajou, o volante Felipe Bastos empurrou o time ao ataque na base da disposição, e numa cabeçada do lateral-direito Artur – que parecia um centroavante – a bola tocou no pé da trave.

A Ponte voltou para o segundo tempo com a mesma volúpia, mas se esbarrou na boa marcação defensiva do Furacão.

Por isso Jorginho ‘sacou’ Ferron e Alef e colocou em campo os atacantes Adaílton e Ratão. Aí, no abafa, foram criadas e desperdiçadas as oportunidades com Ratão.

Antes que sobrem críticas ao treinador Jorginho, cabe reafirmar que treinou exaustivamente finalizações na preparação para este jogo. Também exercitou marcação defensiva para que o adversário não ficasse livre dentro de sua própria área. Adiantou?

O problema é qualidade dos jogadores do elenco pontepretano. Por isso nem sempre adianta a cobrança só de raça, de se colocar o coração na ponta da chuteira. É preciso capacidade para se executar corretamente a função.

TELEVISÃO

Por fim, lamentável a postura do comentarista da TV fechada na transmissão deste jogo. No mínimo ele é oriundo de rádio do Paraná, acostumado com aquele contestável bairrismo. Por isso só fazia avaliações técnicas com implicações do Atlético.

Este provincianismo cabe em rádio do interior, mas jamais em televisão com circuito nacional, cuja transmissão é direcionada a torcedores do Atlético Paranaense e Ponte Preta.