Blog do Ari: Rivellino só escala o zagueiro Thiago Silva na seleção de 70. E você?

Tem lugar pra mais goleiro do treinador Felipão no time do tri?

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De tanto blá-blá-blá ouvido ao longo desta quarta-feira após a convocação dos jogadores da Seleção Brasileira à Copa do Mundo, o que mais me chamou atenção foi uma entrevista do ex-meia Roberto Rivellino à agência de notícias Reuters, ocasião em que sequer viu parâmetro de comparação do time do tricampeonato mundial de 1970 a este do treinador Felipe Scolari.

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Companheiro, este assunto de saudosista provavelmente não seja de seu agrado, mas é o enfoque desta postagem. Então a ‘conversa’ é com você ‘veião’: Tem razão Roberto Rivellino quando cita que desta seleção apenas o zagueiro Thiago Silva teria lugar naquele timaço de 70?

Permita-me começar a discordância. O goleiro Jefferson, reserva de Júlio César, é melhor de que Félix, o goleiro do tri. A rigor, no final da década de 60 o goleiro Ado, do Corinthians, estava pegando tudo e inexplicavelmente o titular foi Félix.

Do quarteto defensivo de 70 só o lateral-direito Carlos Alberto Torres seria escalado numa mesclagem daquela seleção com a atual.

Rivellino escalou apenas Thiago Silva no lugar de Wilson Piazza, e ainda creditou isso à improvisação do ex-volante mineiro à quarta zaga.

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EVERALDO

Convenhamos que a dupla Thiago Silva e David Luiz é muito melhor de que Brito e Wilson Piazza. Também não há parâmetro de comparação da eficiência do lateral-esquerdo Marcelo ao futebol apenas de marcação de Everaldo, que completava a defensiva daquela época.

Pronto. Do meio de campo pra frente Rivellino tem toda razão. Que diferença de Clodoaldo, Gérson e Rivellino para Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar?

Diferença no bater na bola, precisão nos lançamentos, antevisão de jogadas, posicionamento e sobretudo improvisação.

Aquele time de 70 era tão qualificado a ponto de o treinador Zagallo ser obrigado a achar lugares para três pontas-de-lança em seus respectivos clubes, casos de Jairzinho, Pelé e Tostão.

Jairzinho atuou como ponteiro-direito fazendo o facão, ou seja, a diagonal. E ‘vendia’ saúde! Na época já tinha a explosão dos atacantes de hoje, aliada a habilidade e frieza nas conclusões.

Pelé dispensa comentários, enquanto Tostão – devido à extrema inteligência – dava show com ou sem bola.

Que baita jogador foi Tostão! Vocês, da nova geração, perderam a alegria de ver futebol. Aquela boleirada driblava, enfiava bola como ninguém, e diferentemente do que falam por aí também recuava pra ocupar espaços no campo de defesa, quando necessário.

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Por vezes, o time brasileiro da época ficava apenas com Jairzinho isolado no ataque, porque Pelé, Tostão e Rivellino ajudavam Gérson e Clodoaldo a fechar espaços.

Claro que com a bola nos pés raramente aquela boleirada errava passes e sabiamente a levada às imediações da área adversária.

Claro que a infiltração em defesas qualificadas era mais difícil. Naquela época não havia espaço pra zagueirão cintura dura. O atacante só conseguia levar vantagem no lance na base da habilidade, bom balanço de corpo e drible seco no chamado pé bobo do sujeito.

Estes dribles convencionais de boleiro alongar a bola e pegar à frente eram facilmente neutralizados pela zagueirada usando-se o corpo para ganhar a jogada. Aí entrava a capacidade de improvisação do atacante brasileiro ao produzir fantásticas tabelinhas, que de fato envolviam zagueiros adversários.

Pois é Riva, sua entrevista para a agência de notícias Reuters é uma bela pauta pra quem ousa discutir progresso ou regresso do futebol.