Blog do Ari: Quem conta com o holandês Robben pode virar o placar na Copa do Mundo

México não conseguiu parar o adversário carequinha quando foi atacado. Participou do primeiro gol e sofreu o pênalti, que resultou na virada nos acréscimos contra o México

México não conseguiu parar o adversário carequinha quando foi atacado. Participou do primeiro gol e sofreu o pênalti, que resultou na virada nos acréscimos contra o medroso México

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O atacante Neymar será futuramente o melhor jogador do mundo, mas ainda precisará absorver experiência de extraordinários jogadores como o holandês Robben. Embora seja um dos mais qualificados dribladores do planeta, este carequinha de 33 anos sabe distinguir o momento certo de prender a bola ou tocá-la. Dimensiona com exatidão o lance para tabelar ou dar prosseguimento à jogada individual. Por fim, um dos raros jogadores capazes de ludibriar marcação dupla.

0002050007900 imgRobben foi o homem do jogo nesta vitória de virada da Holanda sobre o México por 2 a 1, nos minutos finais. A rigor, não fosse o erro do árbitro Pedro Proença, que deixou de assinalar pênalti claro sobre ele ainda no primeiro tempo, a classificação dos holandeses poderia ter vindo sem sufoco.

MARCAÇÃO DUPLA

Quando o México enfrentou o Brasil, o seu treinador Miguel Herrena projetou marcação dupla sobre Neymar, quando ele se aproximava da área, e o plano foi executado com perfeição. Por isso ousou repeti-la contra a Holanda, mas a sua estratégia só deu certo quando os holandeses ficaram encolhidos em seu campo de defesa ou tocavam a bola lentamente para evitar desgaste do forte calor de Fortaleza, durante o primeiro tempo.

Em desvantagem no placar, com o gol mexicano marcado por Giovani dos Santos, logo após o intervalo, a Holanda teria que atacar e aí a história da partida foi outra.

Giovani dos Santos abriu para o México, mas recuou demais e levou virada em 8 minutosRobben passou a ser abastecido seguidamente, e mostrou que é o ‘cara’ desta Copa do Mundo. Dois adversários não conseguiam pará-lo, e ele foi construindo as principais jogadas de ataque de seu time.

Claro que ele teria que contar com o coadjuvante Sneijder pra mudar a história da partida. Pois o meia acertou um ‘balaço’ de média distância, indefensável para o bom goleiro mexicano Ochoa, no empate dos holandeses.

O gol foi a compensação para Sneijder, cujo futebol era improdutivo, só dando ‘tapa’ na bola na zona morta do campo.

Depois, no apagar das luzes – como diziam antigos narradores de futebol – Robben aplicou uma sequência de dribles dentro da área, foi derrubado pelo mexicano Rafa Márquez, e o pênalti foi convertido por Huntelaar.

VAN GALL ERRA

Excepcionalmente nesta partida não cabe elogio exagerado ao treinador Louis Van Gaal, da Holanda, pelas substituições, principalmente a coragem de ter trocado o titularíssimo Van Persce pelo grandalhão Huntelaar.

Foi a típica alteração óbvia de quem projeta inevitavelmente o jogo aéreo de seu time contra a zaga adversária.

Van Gaal errou na estratégia traçada para que o seu time se poupasse visivelmente durante o primeiro tempo, com receio de que não suportasse o forte calor de Fortaleza no segundo tempo.

No primeiro tempo, enquanto o México ocupava todos os espaços do campo, chegava sempre primeiro nas bolas espirradas, colocava velocidade nas transições ao ataque – principalmente com avanços de Moreno pelo lado esquerdo -, estranhava-se a morosidade da Holanda que sequer encurtava a marcação na chamada segunda linha de quatro, e tampouco fracionava a partida com faltas.

Naquela conjuntura, os holandeses Robben e Van Perse ficaram divorciados no ataque e servidos apenas em bola longa. Logo, eram absorvidos pela marcação mexicana.

JOGO DRAMÁTICO

Não bastasse aquele quadro, a Holanda ainda sofreu gol logo no início do segundo tempo, e acordou. Passou a atacar.

Dali pra frente foi um jogo dramático, típico de Copa do Mundo, que correspondeu plenamente às expectativas do público.

Avança na competição a perigosa Holanda, e com vitória extremamente valorizada pelo desempenho do aguerrido time mexicano do goleiro Ochoa, que voltou a praticar outra defesa à queima-roupa, numa amostragem de que as bolas defendidas contra o Brasil não foram por acaso.