Blog do Ari: Montillo e Cícero fazem a diferença pro Santos; Ponte fez o que pôde

Não dá para culpar ninguém pela derrota em São Paulo

É preciso que o torcedor pontepretano seja realista e encare com naturalidade a derrota para o Santos por 2 a 1 na noite deste sábado, no Estádio do Pacaembu.

Se muito, na projeção natural, era jogo pra Ponte trazer o empate. Sem ser brilhante, o Santos conta com três jogadores de nível acima do elenco pontepretano, casos do lateral-direito Cicinho e os meias Montillo e Cícero.

Isso faz a diferença num confronto de equipes que pautam por forte marcação no meio de campo e deixam poucas brechas na defesa para que o adversário aproveite.

Apesar de tudo, paradoxalmente a Ponte teve a chance de arrancar o empate já nos acréscimos, quando rondava seguidamente a área santista.

Primeiro foi a elasticidade do goleiro santista Aranha ao se antecipar ao atacante William, da Ponte, aos 47 minutos. E, no lance seguinte, Sacoman acertou cabeçada em que a bola passou rente ao gol adversário.

MARCAÇÃO ADIANTADA

Se no início do Santos imaginava que a Ponte Preta fosse se retrancar e colocar em prática a proposta do contra-ataque se equivocou redondamente. Por isso a sua equipe demorou um pouco para se encontrar na partida.

Foi o período em que a Ponte recuperava a posse de bola, se distribuía bem, mas não conseguia ser objetiva para criar a chance do arremate. Quando as jogadas se afunilavam nas imediações da área santista, havia extrema dependência da individualidade do atacante Rildo, o único que penetrava com dribles.

Naquele estágio, o maior volume de jogo da Ponte poderia ser transformado em gol numa cabeçada de Ferron defendida, no reflexo, por Aranha.

EQUILÍBRIO

Depois disso, o Santos conseguiu equilibrar a partida e chegou ao primeiro gol pela virtude de Montillo ao bater na bola em cobrança de falta e desorganização defensiva da Ponte na marcação.

No lance do gol de Everton Costa, o marcador pontepretano deveria ter sido um dos zagueiros, ou o volante Alef, ou até o mesmo o atacante William, que ajuda a defesa naquela circunstância.

Deixaram a incumbência para o lateral-direito Régis, sem aptidão no jogo aéreo, e aí foi fatal.

No segundo tempo, o Santos jogou com sabedoria para administrar a vantagem. Soube colocar em prática a estratégia de duas linhas de quatro para marcação e, ao recuperar a bola, sabia o momento de acelerar nos contra-ataques ou de trabalhar a bola a procura da brecha para fustigar.

E quando a zaga da Ponte marcava na altura do meio de campo, Cícero ficou com a bola, envolveu Ferron que apareceu na marcação e, com a zaga campineira aberta, serviu Montillo que só completou.

POR QUE ALEF?

Naquela circunstância, qualquer treinador optaria pelo chamado ‘tudo ou nada’, e com Jorginho não foi diferente.

A tentativa de troca dos meias Elias por Adrianinho visava dar mais mobilidade ao time. Na prática piorou porque Adrianinho entrou mal no jogo.

Pior é quando se troca um volante por um atacante – caso de Alef por Leonardo – sem que o time tenha sido treinado para isso. Daí o questionamento sobre repetidos rachões, um desperdício de programação que poderia ser trocada por trabalho tático.

Leonardo ficava enfiado na frente ao lado de William, e, nas poucas vezes que voltava para buscar bola, não havia fluxo.

E o meio de campo pontepretano afrouxou muito com a saída de Alef, que corria uma barbaridade, desarmava, se projetava ofensivamente e fazia boa partida.

Por que não sacar o já cansado Felipe Bastos? Esse negócio de depositar confiança na bola parada dele, mesmo extenuado, tem representado mais perda do que expectativa positiva.

Por fim, quando a Ponte parecia entregue e o Santos já ‘empurrando’ a partida até o final, dois fatos quase modificam o desfecho..

Primeiro a expulsão de Cicinho aos 40 minutos do segundo tempo e a entrada do atacante Rafael Ratão no lugar de Rildo, na Ponte Preta.

Pois foi num lance de lucidez e frieza de Ratão que a Ponte chegou ao seu gol e, consequentemente, acreditou que pudesse empatar.

Naquele corre-corre, o Santos passou aperto e dependeu do experiente Aranha para garantir a vitória.

Sobre o lateral Régis? No firme propósito de mostrar qualificação até aplicou dois ‘bonés’ em adversários durante o primeiro tempo e confundiu até um comentarista de TV que o rotulou de bom jogador. Depois caiu na mesmice, sem contudo comprometer.