Blog do Ari: Jorginho e William não precisavam mudar o foco da vitória da Ponte

Time pontepretano venceu reservas do Atlético Mineiro

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O treinador Jorginho, da Ponte Preta, raciocinou coerentemente na escalação do time contra o Atlético Mineiro, nas três substituições e poderia ter retornado ao seu lar em paz, nesta quarta-feira, após tanta turbulência. De repente, na entrevista coletiva pós-jogo, trocou o racional pelo emocional ao disparar pra todos os lados.

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“Tem gente que torce contra”, foi o primeiro disparo da metralhadora. “Seca pimenteira”, prosseguiu na artilharia, até então deixando um suspense sobre o alvo. “Tem uns caras chatos que ficam atrás de mim que não torcem. Só vêm (ao estádio) para atrapalhar”, mirou bem para os torcedores das cadeiras vitalícias.

Na vez do atacante William falar aos repórteres e instigado a repercutir o desabafo de Jorginho, a primeira postura foi de conciliação. “Emoção do momento” foram as primeiras palavras, como tivesse entendido como natural a reação do torcedor descontente. “Procuro não dar ouvidos, senão acabo me desconcentrando”, acrescentou.

O executar bem o papel de bom bombeiro, William só mereceu aplausos. Só que em seguida foi constatada uma recaída, sem que alguém colocasse combustível no fogo aparentemente debelado. “O verdadeiro torcedor é aquele que não pára de cantar e não aquele que vem aqui e xinga. Lá dentro é totalmente diferente”.

Eis a questão, e mais uma vez parafraseando o locutor comercial da antiga propaganda da empresa Freios Vargas: e precisava de tudo isso?

GOLS PERDIDOS

Se a vitória foi de fato inquestionável e poderia ter sido elástica se o próprio William e Rildo não desperdiçassem reais oportunidades, é preciso considerar que o adversário veio a Campinas com um time totalmente reserva, teve as expulsões de Jemerson aos 32 minutos do primeiro tempo e Rosinei aos 34 minutos do segundo tempo.

Logo, a Ponte não fez mais que a obrigação ao ganhar a partida em dois lances de bola parada: William de pênalti e Elias de falta, um em cada tempo de jogo.

E olha que o Galo começou marcando saída de bola da Ponte e com isso evitou que ela se organizasse a partir de sua defesa. A situação só se modificou pouco antes da metade do primeiro tempo.

Se no segundo tempo em momento algum a Ponte foi ameaçada, também passou 20 minutos sem criar absolutamente nada.

A entrada de Adaílton no lugar de Adrianinho aos 18 minutos do segundo tempo visou criar alternativa rápida pelo lado direito, para que o time se aproximasse do gol adversário.

Coincidentemente, os melhores momentos da Ponte na partida foram daquele período até o final da partida, quando criou as chances citadas, sempre em jogadas de velocidade puxadas pelo atacante Rildo.

Certo estava o ex-treinador pontepretano Paulo César Carpeggiani quando cobrava a contratação de um meia condutor de bola que se infiltra na defesa adversária e se aproxima dos atacantes. Elias e Adrianinho não têm esta característica. Pautam pelo toque de bola.

Quanto ao treinador Jorginho, ao optar por dois meias não afeitos à marcação, pensou bem ao escalar Magal como companheiro de Baraka, na cabeça da área, para fortalecer a pegada.

No intervalo, ele também teve correta leitura de jogo ao trocar Magal por Alef, com intuito de valorizar a posse de bola e adiantar a marcação, empurrando o Galo para o seu campo de defesa.

Portanto, se a vitória teve validade pra Ponte continuar respirando neste Campeonato Brasileiro, Jorginho e William não precisariam ter mudado o foco.

E mais: William, pra demonstrar solidariedade ao técnico Jorginho, quando deixava o gramado, alfinetou aqueles que criticaram o seu comandante por ter poupado os titulares contra o Galo em Belo Horizonte, citando que “falaram muita bobagem”.

Só pra refrescar a memória do atacante pontepretano, antes daquela maratona de jogos ele se ofereceu para atuar em todas as partidas. “Se o Jorginho escalar eu jogo. Não gosto de ficar de fora”.