Blog do Ari: Futebol da Ponte foi pobre apesar da vitória
Time correu risco até de perder a partida em casa
É fácil num momento de vitória, por mais magra que seja, massagear o ego do torcedor e ressaltar que o importante são os três pontos, que o plano de jogo defensivo foi eficiente, e que aos poucos as peças da equipe vão se encaixando, etc, etc…
Não, não meu caro torcedor pontepretano. Não vou fazer uma média com você para fingir que estou agradando-o.
Nem sempre o cronista tem que citar aquilo que você gostaria de ler. O dever de ofício indica que precisa ser citado aquilo que de fato está acontecendo com a Ponte Preta, apesar da vitória por 1 a 0 sobre o Audax na noite deste sábado no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas.
Foto: Rodrigo VillalbaA Ponte jogou mal e escapou da derrota. Sei que você vai pedir paciência, recordar que o time está em fase de arrumação, que ainda carece de melhor condicionamento físico, e que o adversário joga junto há cerca de dois anos.
Tudo bem. Ocorre que o primeiro tempo da Ponte foi horroroso. O goleiro Felipe Alves, do Audax, sequer sujou o uniforme. Não foi obrigado a praticar uma defesa sequer.
OBSTINAÇÃO
O Audax levou pro campo um plano de jogo bem obstinado. No primeiro e eficiente ataque, aos 40 segundos de partida, já colocou seis jogadores nas imediações e dentro da área da Ponte, numa clara demonstração que pretendia chegar logo ao gol e definir a partida.
Tecnicamente o Audax não mostrou destaque individual, mas se pautou por disciplina tática elogiável. Jogadores se agrupam bem e isso facilita o toque de bola, implicando em reduzido índice de erros de passes.
A movimentação dos jogadores é constante, de forma que sempre alguém aparece livre para receber a bola, e, quando ela perdida, o que se vê é uma marcação sob pressão no campo de ataque para recuperá-la.
Isso forçou jogadores da Ponte a se desfazerem da bola dando chutões pra frente, e o time do Audax retomava a posse e se organizava novamente.
Assim, mesmo sem contundência no ataque, o Audax teve chance cristalina de marcar o seu gol aos dez minutos, ocasião em que o goleiro Roberto salvou.
Ofensivamente, durante o primeiro tempo, a Ponte só deu algumas escapadas através do estreante lateral-esquerdo Magal, todas com imprecisão nos cruzamentos.
Ferrugem, que jogou na lateral-direita, não podia descer ao ataque porque o Audax concentrou a maioria das jogadas ofensivas pelo seu setor.
Assim, com o meia Adrianinho nitidamente fora de forma e Alemão isolado no ataque, a Ponte não teve o mínimo de criatividade ofensiva naquele período.
ADEMIR
No segundo tempo, o mérito da Ponte Preta foi adiantar a marcação e o procedimento de seu treinador Sidney Moraes ao colocar em campo jogadores mais leves no ataque, como Rossi e Ademir, para puxarem o contra-ataque, a partir da metade daquele período.
E foi numa das jogadas de velocidade que o atacante Ademir ganhou na corrida do adversário e marcou o gol da vitória.
Considere também que o forte ritmo de jogo que o Audax colocou em prática no primeiro tempo resultou em desgaste natural de seus jogadores, que já não tiveram a mesma mobilidade no segundo tempo.
Apesar disso, o goleiro Roberto voltou a ser exigido e praticou nova defesa difícil, evitando o gol de empate do Audax, time que perdeu em produção com as entradas de Marquinhos e Dionísio, jogadores de nível técnico inferior aos titulares.
Ainda do Audax, apesar do bom toque de bola, falta velocidade no ataque. Isso facilita a marcação de quem se predispõe a se defender, como fez a Ponte Preta ao longo da partida.
Está claro que o time pontepretano depende da escalação de um lateral-direito de ofício e dois meias – considerando-se a ineficiência de Adrianinho -, para que a bola possa chegar com qualidade ao ataque.
Se de fato o atacante Alemão dá claros sinais de estar fora de forma, não é menos verdade que ficou isolado enquanto esteve em campo.





































































































































