Blog do Ari: Egoísmo de William prejudica a Ponte Preta

Equipe pontepretana joga mal no empate com o Bahia

Se o atacante William, da Ponte Preta, tivesse marcado gol por ocasião da segunda cobrança de pênalti e desse a vitória ao seu time contra o Bahia, o discurso estaria na ponta da língua.

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Se o atacante William, da Ponte Preta, tivesse marcado gol por ocasião da segunda cobrança de pênalti e desse a vitória ao seu time contra o Bahia, o discurso estaria na ponta da língua: “Ele mostrou que não se abateu com a perda do primeiro pênalti, teve personalidade, pegou a bola, foi lá e marcou”.

Como William perdeu a segunda cobrança de pênalti e com isso a Ponte Preta ficou apenas no empate sem gols na noite deste sábado, em Campinas, palavras textuais do atacante pontepretano aos repórteres em geral: “É o dia mais triste de minha carreira. Nunca havia perdido dois pênaltis em uma só partida”.

Para William e todos aqueles que estiverem inseridos no mesmo contexto, o recomendável é descartar a segunda cobrança. Sem essa de personalidade. Perda de pênalti mexe com aspecto psicológico do jogador e, no caso específico de William, com o agravante de que não vinha bem na partida e, de certo, já devia estar irritado com isso.

William tem crédito com a torcida pontepretana, mas foi egoísta sim ao insistir na cobrança do segundo pênalti. E que esta experiência sirva de lição para outros cobradores de pênaltis na mesma circunstância. O ex-palmeirense Edmundo já foi tão egoísta e também colocou em seu currículo perda de dois pênaltis em uma partida. Pior ainda para o atacante argentino Palermo que perdeu três pênaltis numa só partida.

RAMIREZ SONOLENTO

Que o time da Ponte Preta, no geral, jogou mal, isso é um fato notório. Alguns jogadores, como o volante Paulo Roberto e os laterais-direitos Artur e Thiago Cametá são fracos e não se pode cobrar mais deles.

Entretanto, tem que haver cobrança sim sobre a apatia do meia Ramirez, que está se movimentando pouco e produzindo menos ainda com a bola nos pés.

Em noventa e poucos minutos fez apenas uma jogada, quando colocou a bola na cabeça de William. Só. Não fez mais nada. Ou melhor: perdia a bola e voltava andando.

O setor de criação do time pontepretano fica comprometido quando passa a depender de Chiquinho para organizar jogadas. Desta vez, fixado pelo lado direito, optou por alongar a bola e errou a maioria.

Assim, sem incursões dos laterais – Uendel só se soltou ao ataque no segundo tempo -, a Ponte dependeu basicamente das jogadas em velocidade que Rildo criava, resultando em dois pênaltis para o seu time.

ESCALAR BEM

Portanto, a providência imediata a ser adotada pelo treinador Paulo César Carpeggiani é escalar e modificar corretamente o time. E isso passa naturalmente por relegar Paulo Roberto e Cametá.

Outra: por que inverteu o posicionamento de Rildo com Chiquinho, colocando o canhoto pra jogar pelo lado direito?

Carpeggiani já deveria ter corrigido o abuso de bola alongada, visto na vitória sobre o Náutico e repetido diante do Bahia. E o time precisa colocar em prática mais velocidade para pressionar um adversário predisposto a se defender e com preocupação apenas de contra-atacar, como foi o Bahia.

No frigir dos ovos, a Ponte perdeu dois pontos. Apesar da forte marcação do Bahia, é um time com limitações nas laterais, não exploradas suficientemente.