Blog do Ari: Chutinho de Pato joga classificação do Corinthians no lixo

Grêmio avança na Copa do Brasil

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Sabe quando uma criança de aproximadamente cinco anos de idade chama o pai pra brincar com bola?

– Paêêê! Pega a bola aí que eu vou chutar – avisa o inocente.

– Chuta com força filho – diz o pai coruja.

Aí, é natural de se esperar um chutinho em que o pai sequer precisa se agachar pra pegar a bola.

E sabem qual a diferente da cobrança de pênalti do atacante Alexandre Pato, do Corinthians, para o menininho, na noite desta quarta-feira, em Porto Alegre?

O chutinho foi o mesmo. Só que nesta classificação do Grêmio na Copa do Brasil o goleiro Dida se agachou para pegar a bola.

E como Alexandre Pato foi xingado pelos corintianos!

Errar pênalti – quando a definição é através deste expediente –, após empate sem gols no tempo normal, faz parte do futebol.

Errar recuando a bola para o goleiro, em cobrança de pênalti, é anormal

Digamos que aquela tentativa de cavadinha – que na prática nem cavada foi – caracterizou-se como ato de irresponsabilidade. Inadmissível para o jogador mais bem pago do elenco corintiano.

Tem-se que reconhecer, por outro lado, que o futebol covarde do Corinthians teria que ser castigado com a desclassificação da Copa do Brasil.

Se o forte esquema de marcação colocado em prática pelo time paulista impediu que sofresse gol na partida, e com o zero a zero a definição se arrastou através de cobranças de pênaltis, teria que ser premiada a equipe mais ousada, que ao longo da partida perseguiu incessantemente o gol, embora tenha abusado do jogo aéreo.

A vitória do Grêmio também foi um prêmio ao exemplo de atleta que é o goleiro Dida, de 40 anos de idade, que praticou três defesas das cinco cobranças de pênaltis do adversário.

Durante a partida, o Corinthians só deu sinais da validade de também atacar quando o seu treinador Tite abriu mão da formatação com três volantes e colocou o atacante Emerson no lugar de Guilherme. Ralf e Edmilson foram os outros volantes.

Mas o impaciente Emerson se envolveu em encrenca com o chileno Vargas, do Grêmio, e ambos foram expulsos.

Já o Grêmio jogou pra ganhar, com comportamento diferente nos dois tempos de partida.

ESCOLA EUROPÉIS

No primeiro tempo, o time gremista incorporou fielmente a antiga escola européia de ligação direta de qualquer lugar do campo para as imediações da área adversária, visando sempre o atacante Barcos, homem de referência para a função de pivô ou completar jogadas.

Afora isso, o diferencial de se trabalhar a bola no time do Grêmio foram triangulações pelo lado direito do campo, com o lateral Pará encostando no meia-atacante Kleber. Nestas jogadas, a defensiva corintiana bateu cabeça.

No segundo tempo, o Grêmio trocou o cansativo jogo aéreo pela bola no chão.

Em ambas as situações impostas pelo Grêmio funcionou o cinturão de marcação do Corinthians. Os três volantes deram a devida proteção ao quarteto defensivo.

Quarteto porque os laterais Alessandro e Fábio Santos só se defenderam e ajudaram os zagueiros Paulo André e Gil.

MEIA PRESSÃO

O tempo todo o Grêmio foi mais determinado em campo. Sem a bola, até Barcos dava combate para impedir que o Corinthians saísse com liberdade de trás.

A meia pressão do Grêmio ainda no campo defensivo corintiano incluía os meias-atacantes Kleber e Vargas, passava pelos jogadores de meio de campo com a incumbência de marcar, e a tarefa era completada com redobrada atenção dos homens de defesa.

Este componente tático do Grêmio reflete a assimilação da atual escola européia, com um jogador pronto para o desarme e outro na sobra na hipótese de a bola ainda continuar com o adversário.

Taticamente o treinador Renato Gaúcho mostra evolução, mas está claro que com jogadores do atual perfil de Kleber e Barcos não dá pra se projetar grandes realizações ofensivas para a equipe gremista.