Blog do Ari: Centroavante isolado morre de fome; menos cobrança ao atacante Alemão!

Time da Ponte Preta jogou muito atrás contra o Audax

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Boleiros têm hábito de questionar jornalistas e radialistas sobre aonde jogaram quando se irritam com críticas. Pois em mil novecentos e bolinha, quando eu era um profissional corporativista, torcia o nariz quando adotavam este procedimento com colegas, até porque me relacionava bem com a boleirada que sabia jogar, e pouco me importava com aquilo que falava o chamado jogador ‘meia colher’.

O tempo se encarregou de mostrar que não é desprezível o cutucão da boleirada, até porque incontáveis profissionais de comunicação ou vários daqueles que se infiltram no meio nunca chutaram uma bola de futebol e opinam sem o devido fundamento.

Ah, mas é preciso ter sido jogador de futebol profissional para emitir opinião abalizada? Não necessariamente. Exemplos estão aí aos montes de quem assimila categoricamente a tal da bola rolando e nem por isso a chutou uma vez sequer.

É inegável que aqueles que jogaram ou jogam futebol, mesmo que varzeano, absorveram na prática diferentes situações ocorridas no transcorrer de uma partida e isso serve de parâmetro para que a opinião seja mais concreta.

Pegue como exemplo críticas endereçadas ao atacante Alemão da Ponte Preta na partida contra o Audax e reflita. A mídia é formadora de opinião. Logo, quando o atleta é criticado contundentemente – como foi o caso de Alemão – o torcedor faz coro.

Estaria Alemão abaixo do condicionamento físico esperado? Lógico que sim. Exatamente por isso não teve pernas pra sair pros lados do campo, como fazia rotineiramente, e a partir daí começava e terminava jogadas individuais.

O que fez Alemão então no último sábado? Atuou centralizado no ataque, e quem desempenha esta função torna-se dependente de ‘garçons’ para abastecê-lo. E quem o abasteceu convincentemente contra o Audax?

BICUDO

Quem joga como centroavante isolado de certo acompanha minha linha de raciocínio. É bicudo pra cá, bola alongada pra lá e o dito cujo fica feito barata tonta olhando a bola voadora e vigiado por um monte de beques. E ainda cobram dele que seja decisivo.

Ora, se o goleiro do Audax sequer sujou o uniforme durante o primeiro tempo é porque o time pontepretano jogou extremamente retraído, devido às circunstâncias impostas pelo adversário.

Leve em conta, igualmente, aquele punhado de volantes escalados pelo treinador Sidney Moraes, que o seu Adrianinho não jogou nada, Silvinho não ganhou uma jogada sequer, e o estreante lateral-esquerdo Magal cruzou muito mal.

ADEMIR

Ah, mas o garoto Ademir substituiu Alemão e fez o gol da vitória pra Ponte Preta, é o imediato argumento das pessoas para até cobrarem a escalação do rapaz da base no time titular.

Calma, gente. De fato Ademir teve o mérito de fazer jogada de velocidade e frieza na conclusão. Mas é preciso considerar que quando ele esteve em campo o time da Ponte já havia adiantado a marcação, e a bola chegou mais vezes – e com mais qualidade – no ataque, diferentemente daquilo que ocorreu quando Alemão estava em campo.

É preciso este discernimento de situações diferentes e o treinador Sidney Moraes o teve ao manter Alemão no time.

Outra constatação geral é que o time da Ponte Preta precisa melhorar e muito na noite desta quinta-feira em Piracicaba, contra o XV. Do contrário, adeus Vasco, como se dizia antigamente.

E por que se dizia Vasco hein? Alô parceiros da velha guarda! Até hoje não entendi concretamente o significado da palavra Vasco neste contexto, pois parece-me nada ter a ver com o time de futebol do Rio de Janeiro. Ou tem?