Blog do Ari: Carpeggiani faz o crítico pensar o jogo da bola
Treinador tem leitura da partida e busca alternativas
Treinador que me faz pensar o jogo da bola e mostra alternativas diferenciadas no transcorrer de uma partida de futebol cresce no meu conceito.
Claro que não estou citando os teóricos Gilson Kleina e Guto Ferreira de estilo bem semelhante, que passaram pela Ponte Preta.
Ambos traçam planificações bem definidas, e observa-se poucas e previsíveis variantes durante o transcorrer das partidas.
Paulo César Carpeggiani, que assumiu recentemente o comando técnico da Ponte, é diferente. Procura ter a correta leitura do jogo e trabalha com alternativas para modificação de seu time, caso não seja de seu agrado, ou tenha dificuldade para encontrar o caminho da vitória.
Carpeggiani exigiu de nós, críticos, uma reflexão daquilo que pretendia ao substituir o volante Fernando pelo meia Adrianinho.
Muita gente ficou de orelha em pé quando Chiquinho foi recuado para a função de volante, mas na prática mestre Carpa não estava se aventurando.
Na vitória da Ponte sobre o Santos, Chiquinho já havia se revezado com Ramires na função de segundo volante e não decepcionou.
Logo, o raciocínio era que Chiquinho fizesse a transição do campo de defesa ao ataque em velocidade e o meia Adrianinho valorizasse a passagem da bola na meiúca, para que ela chegasse com qualidade no ataque.
No plano teórico uma baita sacada. O problema é a prática. Nada a contestar em relação a Chiquinho, mas Adrianinho foi um peso morto no jogo. Por isso os seus admiradores já não podem cobrar acintosamente chance para que ele tenha lugar no time.
A entrada de Alemão e do jeito que ele entrou foi coisa de treinador que ‘saca’ do riscado.
No mínimo Alemão foi orientado para insistir na jogada pessoal, pois só assim a Ponte conseguiria furar o forte bloqueio do Fluminense.
Alemão teve personalidade porque errou em três ou quatro tentativas de entrar driblando na defesa adversária.
DRIBLADOR
Nestas circunstâncias, é comum companheiro de equipe falar um ‘monte’ no ouvido do driblador, que para não contrariar o grupo opta pelo futebol coletivo.
Alemão teve personalidade para tapar os ouvidos de eventuais comentários dos companheiros, de certo amparado pelas orientações do comandante.
E uma jogada pessoal de Alemão resultou no gol de William, após preciso cruzamento.
Esqueçam o relato do passe inicial do meia Geovanni, para que a bola chegasse em Alemão. Valeu o gingado, a sensibilidade do atacante para definir o exato momento em que a bola teria que ser passada para William.
Posso futuramente discordar dos métodos de Carpeggiani, mas por ora reconheço que ele faz o crítico raciocinar bastante sobre as suas intenções quando a bola rola, diferentemente da treinadorzada por aí que troca seis por meia dúzia.
Como é gostoso discutir futebol com profundidade, sacar coisas aparentemente imperceptíveis.
Venham que a gente tem muito a aprender sobre esse negócio de bola rolando e, paradoxalmente, dezenas de torcedores se preocupam apenas em alfinetar o rival em Campinas.
Que gosto bobo! Que perda de tempo!





































































































































