Blog do Ari: Bons tempos em que o Guarani mandava jogos na quarta-feira à tarde

Isso aconteceu até janeiro de 1964, com a inauguração dos refletores do estádio

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Na contramão da postura da mídia, de modo geral, a coluna adota linha editorial de não conjecturar sobre partida a ser realizada, exceto em circunstâncias excepcionais.

Toda projeção sobre suposto favoritismo de uma equipe pode se tornar inválido por ‘ene’ motivos e o melhor mesmo é abolir o achismo.

Já que o foco é o jogo do Guarani contra o Santa Rita de Alagoas pela Copa do Brasil, na tarde desta quarta-feira em Paulínia, fiquemos apenas com o atípico horário do jogo.

Que tal, então, uma viagem no tempo para que resgatemos o dia 11 de janeiro de 1964, data da inauguração dos refletores do Estádio Brinco de Ouro, na vitória bugrina sobre o Flamengo por 2 a 1, em partida amistosa.

Antes disso, o Guarani jogava quarta-feira à tarde em seu estádio, e com público médio de dois a três mil torcedores, além daqueles ‘durangos’ que só conseguiram olhar parte do campo do chamado morrinho localizado atrás da cabeceira do placar eletrônico, numa época em que não havia construção de casas naquele local.

Foi o período em que a molecada ‘enforcava’ aulas escolares e havia muitos comerciantes bugrinos estabelecidos na área central de Campinas que se mandavam pro campo nas tardes de quartas-feiras, em jogos que começavam às 15h30.

TREZE DE MAIO

Na Rua Treze de Maio, que ainda não tinha formato de calçadão, dava pra enumerar vários lojistas bugrinos. Igualmente na Rua Costa Aguiar.

Saudositas bem lembram dos proprietários da Loja Reizinho, da Casa Secos & Molhados, das relojoarias dos Chinelattos. Também fanáticos eram os irmãos Luizinho e Fausto da Casa Agropecuária Meirelles, donos da Loja Pires e Pires, Centro dos Alumínios Bittar, Cecatto e Cármino Campagnone do cartório, etc.

A rigor, as grandes caravanas do Guarani na década de 70 sempre contavam com apoio de comerciantes do Centro de Campinas, como a invasão ao Estádio do Morumbi na final do Campeonato Brasileiro contra o Palmeiras, em 1978.

Voltando à década de 60, quando se jogava no Brinco de Ouro quarta-feira à tarde, as duas cabeceiras do estádio eram de madeira, numa época em que o torcedor bugrino priorizava ficar bem perto do ataque de seu time e fazia aposta em dinheiro do bolão de linha, que consistia na escolha do atacante autor do primeiro gol.

SAUNA

Havia mão única na Avenida Princesa d’Oeste e o acesso ao estádio era por um portão lateral onde hoje é a sauna e, sem seguida, as catracas manuais sob as cadeiras vitalícias.

Defronte aquele portão lateral de entrada no estádio havia um terreno baldio que ‘condenava’ os carros ao atoleiro em dias de chuvas.

Portanto, que alguém conte aos boleiros do Guarani um pouco da história do clube, para que eles se encham de brio na partida da tarde desta quarta-feira.

Afinal, passar à segunda fase da Copa do Brasil é sinônimo de ‘dindim’ pro Guarani. E como o clube está precisando de ‘grana’, o jeito é ganhar.