Blog do Ari: Bolinha, repórter que deixou saudade e integra o time do céu
Profissional sempre achava dois pênaltis inexistentes para clubes de Campinas
Neste dois de novembro, Dia de Finados, minhas orações estão voltadas à alma do radialista Domingos de Almeida Costa, o Bolinha, nome real usado na primeira passagem pelo rádio de Campinas, e posteriormente apenas Almeida Neto, na segunda passagem.
Não tenho informação precisa de quando Bolinha morreu, mas creio que há mais de dez anos.
Bolinha foi um peso pesado que beirava 140 quilos, e sempre atuou como repórter setorista de clubes.
Do rádio de Piracicaba ele veio para Campinas em 1979, para trabalhar na antiga Rádio Educadora AM – hoje Bandeirantes-Campinas – como repórter setorista de Ponte Preta.
Bolinha tinha incrível facilidade para fazer amizades, e por causa dos novos amigos ganhou gosto pela Ponte. Assim, sempre achava que o juiz prejudicava o time ao não assinalar pelo menos dois pênaltis – naturalmente inexistentes – por jogo.
No primeiro ano de Campinas Bolinha se assustou com a violenta torcida do Marília, em jogo da Ponte no Estádio Bento de Abreu Sampaio Vidal.
Como motorista do veículo Veraneio de sua emissora, ingenuamente o estacionou defronte ao estádio, jamais imaginando que vândalos marilienses o depredassem totalmente. Cacos de todos os vidros do automóvel se amontoaram em bancos e assoalho, e os quatro pneus foram furados.
A Ponte ganhava o jogo por 4 a 1 até metade do segundo tempo, quando o time da casa reagiu e empatou, na base de pressão da torcida local.
A rigor, naquele período era difícil repórter de linha independente desenvolver livremente o seu trabalho.
Renato Silva (já falecido), um pontepretano confesso, foi impedido de entrar no Estádio Moisés Lucarelli em 1979, porque não gostaram daquilo que ele falou na Rádio Brasil.
RÁDIO CENTRAL
Da Rádio Educadora Bolinha migrou para a Rádio Central, e o hábito de simpatizar pelo clube que fazia cobertura não foi modificado. Sei lá por que razão Bolinha foi pressionado e impedido de fazer cobertura no campo da Ponte Preta. O jeito foi descer a antiga Avenida dos Esportes para reportar as coisas do Guarani.
Na Rádio Central, Bolinha ganhou um programa musical noturno, com seleção extremamente romântica. Aí, só para sacaneá-lo, insisti para que tocasse o intérprete Vicente Celestino com a canção ‘O Ébrio’.
– Peraí, Ari, você quer colocar gritaria no meu programa – recusou Bolinha inicialmente.
Claro que insisti. Certo dia liguei pro programa dele, solicitei a música e ele tocou.
Era difícil Bolinha perder a estribeira. Cerca ocasião, entretanto, não suportou o descaso do treinador Ênio Andrade (já falecido) após um treino do Guarani, nos anos 80.
Enquanto Bolinha fazia perguntas preparatórias em off para o noticiário, o treinador respondia monossilabicamente.
– Bolinha, vai perguntando – provocava o treinador, enquanto se exercitava com flexões na saleta da antiga bancada de rádio no Estádio Brinco de Ouro.
O repórter ‘bufou’ de raiva e ‘desceu a lenha’ no treinador naquele programa.
Calejado, Bolinha tinha sacadas sarcásticas. Na época, o hoje narrador de TV Osvaldo Luiz era repórter setorista da Ponte Preta pela Rádio Central, e ambos tinham o hábito de almoçar juntos após o programa da manhã.
Jamais me esqueço do diálogo de ambos, no ar, no final de um programa.
– Bolinha, vamos pegar aquele ‘rango’ esperto – sugeriu Osvaldinho.
– Osvaldo, um rango muito esperto sai do prato, e aí fica ruim – respondeu Bolinha, que provavelmente faz parte do time de repórteres do céu.





































































































































