Blog do Ari: Argentina cresceu na hora certa e não é zebra na decisão

Holanda tem força na marcação e é dependente do futebol de Robben

Holanda tem força na marcação e é dependente do futebol de Robben

Dá Argentina ou Alemanha na final desta Copa do Mundo? A pergunta feita ao ídolo do futsal Falcão, na Rádio Globo de São Paulo, foi respondida na bucha: “Final de campeonato não se joga, se ganha”.

Comungo da opinião e, por extensão, não dá pra se atribuir favoritismo para selecionado ‘a’ ou ‘b’. Cada um, de seu modo, vai levar pra campo no domingo, no Estádio do Maracanã, virtudes e defeitos de outra significativa página na história do futebol.

O fato de a Alemanha ter mostrado nesta Copa Mundo da Fifa um time com invejável organização tática não lhe assegura destacado favoritismo.

Os argentinos, que nesta quarta-feira conquistaram vaga à final após empate sem gols em pouco mais de 120 minutos e se prevaleceram através de cobranças de pênaltis, foram se ajustando gradativamente na competição e reduziram aquela dependência quase que exclusiva do meia Messi para atingir os seus objetivos.

SABELLA

Nisso, agiu corretamente o treinador Alejandro Sabella quando sacou o inseguro zagueiro Fernandez e deu camisa para o veterano Demichelis. Assim, a defesa parou de sofrer susto a todo instante.

Claro que a entrada do volante Bighia no lugar do improdutivo Gago, rodadas passadas, deu outra pegada ao setor, além de evitar sucessivos erros de passes.

Soma-se a isso o crescimento brutal de produção do também volante Mascherano, quer se transformando em terceiro zagueiro quando necessário, quer qualificando a saída de bola defensiva.

Pra ajudar na montagem do time argentino, foi providencial a lesão do então improdutivo atacante Aguerro – que voltou mal no segundo tempo desta partida diante da Holanda. Assim, houve ganho com a entrada do veloz Lavezzi, que tem preocupado adversários com jogadas ofensivas pelos lados do campo, assim como recua para evitar descidas de laterais do outro time.

Este crescimento do futebol da Argentina tem a ver com trabalho no cotidiano e fundamentalmente pelo apurado estudo dos adversários através do treinador Sabella e os seus auxiliares. Além da troca sucessiva de informações no banco de reserva, eles mapeiam pontos vulneráveis do adversário, e diante da Holanda a escolha certa foi explorar o fraco lado esquerdo da defesa ocupado por Martins.

Se por ali a Argentina concentrava suas principais jogadas de ataque, o esperto treinador holandês Louis Van Gall tratou de trancar a ‘porteira’ no intervalo, quando deslocou o polivalente Kuyt para guardar o setor no lugar de Martins.

CRIATIVIDADE

Só que o problema da Holanda transcende boa observação de seu treinador. O time não tem criatividade e por isso foi condicionado a rodar a bola lentamente a procura de uma brecha para conclusão de jogadas, e isso permitiu a recomposição dos argentinos. Outra opção foi a postura fechada na defesa e velocidade nos contra-ataques através do atacante Robben.

Se no passado o meia Sneijder foi tido como o jogador criativo do time, hoje erra passes curtos e já não tem a cobrada mobilidade. O que esperar o atacante Van Persie, que tem sido o Fred holandês?

Diante deste quadro, a Holanda tinha que mostrar arrojo ofensivo apenas na prorrogação porque mostrava mais ‘gás’ de que a Argentina. E ao desguarnecer a defesa correu risco duas vezes de ser surpreendida, mas por sorte o argentino Palácio, principalmente, perdeu gol feito.