Blog do Ari: Antecipação dos colombianos nas jogadas chamou atenção
São Paulo vence Atlético Nacional por 3 a 2
No intervalo da partida em que o São Paulo venceu o Atlético Nacional de Medellín, da Colômbia, no Estádio do Morumbi por 3 a 2, pela Copa Sul-Americana, nesta quarta-feira, optei por ‘corujar’ duas emissoras da capital paulista pra ouvir aquilo que os comentaristas de lá estavam falando, quando o placar registrava empate por 1 a 1.
Aí um deles, cheio de entonação na voz, pensando que estava abafando, achou como foco o meio-campista Maicon como organizador do São Paulo.
Claro que mudei de emissora depois de ouvir tamanha bobagem. E acidentalmente cai na Rádio Capital, que a ‘centos’ anos não ouço, inclusive fui correspondente de Campinas em 1980.

Pra minha surpresa ouvi a voz do amigo José Roberto Lux, o Zé Boquinha, comentando a partida pela emissora. Ah, mas o Zé Boquinha é do basquete, podem argumentar alguns desavisados.
Sim, foi uma baita jogador e treinador de basquete – inclusive com passagem pelo Tênis Clube de Campinas -, mas jogou futebol de quarto-zagueiro no União Barbarense, foi diretor de futebol da Ponte, e por conhecer a ‘rapadura’ descreveu bem que o São Paulo centralizou as jogadas durante o primeiro tempo, e com isso facilitou a marcação adversária.
COISAS DIFERENTES
Bom, vejo jogos internacionais com olhos diferentes. Fico ‘antenado’ pra detectar aquilo que o adversário coloca em prática e que a gente relega ou não trabalha com a mesma intensidade. Assim, enumero duas virtudes destes colombianos do Atlético Nacional.
Mesmo sem anotação de dados estatísticos do jogo, tenho convicção que o Nacional foi uma das equipes que mais desarmou jogadas de forma limpa, na bola, em jogos que assisti nesta temporada.
E este lateral-esquerdo, ou ala, Juan David Valencia Hinestroza, lembrou laterais da velha guarda que na disputa mano a mano tomavam a bola na ‘boa’ do adversário.
Seria dádiva? Claro que sim, mas aliado a treinos & treinos; condicionamento & condicionamento. Só assim para o atleta ter o tempo exato da bola.
A capacidade de antecipação deste Valencia lembrou seguramente o paraguaio Gamarra, o ex-zagueiro do Corinthians, ou os ex-bugrinos Amaral Justino e Ricardo Rocha.
Reitero a explicação: antecipação nas jogadas. Nada a ver com o refino com a bola nos pés.

COMPANHEIRO MARCADO
Chamou-me atenção também o estilo deles tocarem a bola para um companheiro mesmo marcado.
Na cultura do futebol brasileiro a preferência do passe geralmente é para o jogador desmarcado.
Os colombianos já sabiam que o São Paulo encurtaria o espaço para evitar que trabalhassem a bola, mas apesar disso foi feito o passe para companheiro marcado.
O diferencial é que a maioria dos jogadores do Atlético nacional sabe fazer o pivô, de forma que a bola seja protegida do marcador.
Afora estes dois aspectos diferenciados, o time colombiano erra muitos passes, principalmente o seu setor defensivo quando é apertado.
POUCAS CHANCES
Por isso, os colombianos pouco criaram. A rigor, num jogo de cinco gols foram criadas sete reais oportunidades, o que mostra que os goleiros Rogério Ceni e Franco Armani quase não trabalharam.
Claro que o gol do meia Jadson, do ‘meio da rua’, não pode ser enquadrado como oportunidade. Já os dois gols de cabeça do zagueiro Antonio Carlos sim. Além disso, o São Paulo só foi contundente num chute fraco de Aloísio que o defensor Nájero salvou quase em cima da linha, e uma bola travada pelo zagueiro Henriquez, em finalização de Antonio Carlos.
O Nacional teve três chances e guardou dois gols, ambos presenteados pelos zagueiros Antonio Carlos e Rodrigo do São Paulo. Houve também uma escapada de Uribe que chutou cruzado e a bola passou perto do gol de Rogério Ceni.





































































































































