Blog do Ari: Alô bugrino: não se iluda com esta vitória sobre o Duque de Caxias

Convenhamos que não era para o lanterna da Série C dar sufoco no Guarani!

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Vitória no futebol funciona como bombeiro: apaga o incêndio em qualquer circunstância. Abre espaço para reflexão e permite uma retomada principalmente neste período de trégua do futebol doméstico, com a edição da Copa do Mundo no Brasil.

Só que no caso específico do Guarani, seria prudente que os dirigentes não dormissem nos ‘louros’ desta vitória por 2 a 0 sobre o Duque de Caxias na noite desta segunda-feira, no Rio de Janeiro, porque em momento algum representou flagrante superioridade do time bugrino sobre o lanterna do grupo na Série C do Campeonato Brasileiro.

Pelo contrário: mesmo contra um adversário incontestavelmente limitado, o Bugre foi dominado durante todo segundo tempo e ficou a sensação ao seu torcedor de que a vitória esteve sempre ameaçada.

Por que este preâmbulo? Pra enfatizar que, embora este canto de página seja destinado ao futebol de Campinas, meu compromisso editorial é de me desgarrar totalmente do conceito bairrista de agradar bugrinos e pontepretanos quando vencem sem sustentação.

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NÚMEROS NÃO MENTEM

Então por que o Guarani venceu? Porque o adversário tem fragilidade em todos os compartimentos, e os números da competição estão aí e não mentem jamais, dizia o saudoso narrador de futebol Pereira Neto.

Claro que o Guarani soube aproveitar o vacilo do lado esquerdo defensivo do Duque de Caxias pela imprudência do treinador Moura Ribeiro que escalou um zagueiro pesado por ali, caso de Emerson, e o atacante bugrino Leleco soube aproveitar o vacilo para, em alguns lampejos, construir três boas jogadas, duas delas resultando nos gols que garantiram a vitória de seu time.

Se no segundo gol os méritos foram totais de Leleco, no primeiro, após cruzamento, houve falha gritante do miolo de zaga e goleiro Andrade do time fluminense. Assim a bola sobrou limpa para o meia Fumagalli só empurrar para as redes.

Exceto este lance fundamental, que abriu o caminho da vitória bugrina, Fumagalli não fez mais absolutamente nada na partida. Desta forma, ao ser expulso com justiça por prática de cera, não se pode afirmar que dali pra frente o time ficou com um jogador a menos. O correto é que já estava com um a menos desde o início do segundo tempo porque ele andou em campo. E a cada dia é mais questionável a validade da escalação dele, assim como do atacante Fabinho, um dos piores em campo.

TEIMOSIA DE EVARISTO

Por que o Guarani transformou um jogo teoricamente fácil em difícil? Um dos motivos é a teimosia do treinador Evaristo Piza de querer firmar o conceito de um time distribuído com três atacantes, desconsiderando que o seu meio de campo fica totalmente exposto e provocando facilidade de incursão ao adversário até as imediações da área bugrina.

O diferencial de uma segunda-feira para outra é que, diante do Guaratinguetá – time indiscutivelmente mais qualificado -, na semana passada, o maior volume de jogo foi traduzido em gols. Já o nivelamento do Duque é outro. Seu foco é a luta contra o rebaixamento à Série D do Campeonato Brasileiro.

Além dos equívocos citados, muita coisa precisa ser arrumada no time bugrino. O índice de erros de passes é altíssimo. Zagueiros ‘quebram’ bola possível de valorização. Goleiro igualmente. A indefinição de um lateral-direito persiste, porque Samuel está improvisado na função.

A soma destes erros tem irritado o atacante Silas que estranhamente comete faltas duras e desnecessárias. A rigor, a orientação do banco do Guarani para se matar contra-ataque do adversário no nascedouro tem resultado na maioria dos cartões amarelos da equipe, quando na prática este artifício só deveria ser utilizado circunstancialmente.

Afora isso substituições equivocadas. Fabinho demora pra sair e Leleco sai primeiro. Fumagalli anda em campo e demora-se pra se pensar na atitude a ser tomada.

Portanto, torcedor bugrino, não se deixe enganar pela vitória obrigatória desta segunda-feira, até porque apenas voluntariedade ainda é pouco para o seu time objetivar acesso à Série B.

Que o recesso sirva de reflexão aos cartolas e se tome medidas tidas como necessárias: apostar num treinador mais experiente e prático ou dar um voto de confiança ao novato Evaristo Piza pra se observar aquilo que acontece?

Seja como for, está claro a necessidade de uns dois ou três reforços.