Blog do Ari: Adeus a Nilton Santos, a "enciclopédia"

O Brasil perde um bicampeão do mundo e que foi sinônimo de malandragem

Em 16 de maio de 2005, quando Nilton Santos completou 80 anos de idade, pude homenageá-lo em vida. Neste 27 de novembro, data de falecimento dele, recapitulo aquela coluna quando citava que o futebol era a sua grande paixão.

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Em 16 de maio de 2005, quando Nilton Santos completou 80 anos de idade, pude homenageá-lo em vida. Neste 27 de novembro, data de falecimento dele, recapitulo aquela coluna quando ele citava que o futebol era a sua grande paixão, tanto que coordenava uma escolinha para meninos do Distrito Federal.

Na época, Nilton Santos, com quase o dobro do peso dos tempos de jogador e já sem o bigode ralo, se irritava com partidas truncadas e com técnicos adeptos às retrancas.

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Em 1998, o ex-lateral-esquerdo Nilton Santos, bicampeão mundial pela Seleção Brasileira em 1962, entrou na seleção do século XX, em votação feita por jornalistas no mundo inteiro. E sabem o motivo da escolha? Nilton Santos era incapaz de dar um bico na bola. Logo, você deduz que tratava-se de um jogador de estilo clássico, sem com isso deixar de ser eficiente na marcação.

Nos tempos em que era terminantemente proibido laterais passarem do meio-de-campo, Nilton Santos contrariava a orientação e se mandava ao ataque. Foi assim que marcou três gols pela Seleção Brasileira, nos 85 jogos disputados.

A biografia aponta início em Seleção Brasileira no dia 17 de abril de 1949, na goleada por 5 a 0 sobre o selecionado colombiano. Um ano depois, Nilton foi reserva na Copa do Mundo disputada no Brasil e titular absoluto de 1954 a 1962. A vitória por 3 a 1 sobre a Tchecoslováquia, na final em Santiago, no Chile, teve duplo significado: consagração com o bicampeonato e despedida da Seleção aos 37 anos de idade.

A malandragem de Nilton Santos, identificado também como a enciclopédia do futebol, foi determinante para aquela conquista. Na terceira partida da competição, contra a Espanha, o time brasileiro perdia por 1 a 0, gol de Abelardo, e Nilson Santos cometeu um pênalti claríssimo. Um jogador espanhol foi aterrado pelo menos um metro dentro da área, mas Nilton – que cometeu a infração – levantou os braços, adiantou-se e induziu o árbitro chileno Sergio Bustamante – mal colocado no lance – a marcar apenas a falta.

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Se o pênalti fosse assinalado e convertido, dificilmente o Brasil reverteria o placar. Com o erro da arbitragem e o futebol endiabrado de Garrincha, o Brasil ganhou o jogo por 2 a 1, dois gols do também botafoguense Amarildo.

O obstinado Nilton ainda jogou mais dois anos pelo Botafogo-RJ. Pendurou as chuteiras em 16 de dezembro de 1964, na vitória por 1 a 0 sobre o Bahia, fechando, portanto, uma história de 17 anos como jogador de um só clube: seu amado Botafogo-RJ, onde disputou 729 partidas e marcou 11 gols.

Em 1947, quando se apresentou no Botafogo-RJ, Nilton Santos treinou como atacante, mas foi mandado para a defesa por ordens do lendário dirigente Carlito Rocha.

Experiência amarga foi vivida em 1956, num treino do Botafogo, quando teve de marcar um ponteiro-direito de pernas tortas. E o atrevido Mané Garrincha passou a bola entre as pernas de Nilton, que atribuiu o lance ao acaso. Na seqüência, outra ‘caneta’ e dribles desconcertantes. E, ao final do treino, o lateral chamou um dirigente do clube e ordenou a contratação do rapaz do município Pau Grande, no Estado do Rio de Janeiro. O resto da história o mundo conhece.