Blog do Ari: A bola rola, mas a quantas anda a sua segurança?

Não há sossego até para familiares de pacientes em hospital

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O espaço é do futebol e continuará sendo. Há momentos, entretanto, que não dá pra se silenciar observando tamanha barbárie. Não dá pra apenas se indignar ao se constatar a banalização da vida humana. Não dá pra admitir convivência com a criminalidade em alta escala e interpretar que ela está incorporada ao nosso cotidiano e assim será.

Há décadas o finado Tião Carreiro, caipirão de voz grossa e bonita, lembrava em uma de suas modas de viola que o mundo velho está perdido. E acrescentava que ‘já não endireita mais. Os filhos de hoje em dia já não obedece(m) os pais. É o começo do fim. Já estou vendo sinais. Metade da mocidade estão (o correto é está) virando marginais.

HOSPITAL

Pois não deram bola pra advertência do violeiro e deu no que deu. Pasme, na invasão de uma quadrilha a um hospital do Rio de Janeiro nesta terça-feira, uma sexagenária esticou a mão e ofereceu o seu aparelho celular antes que um dos malandros ‘educadamente’ fizesse a exigência.

Foi medida preventiva pela vida. Está instalado o domínio do medo. E precisava aquela mulher, no outono da vida, passar por aquilo?

Pois ela passou por aquilo, como previa Tião Carrero, porque metade da mocidade está virando marginal.

Claro que a culpa é dos pais que não souberam educar. Reconheçamos que culpa maior é do poder público, que faz de conta que se preocupa com o crescimento da criminalidade. E você, que se julga esperto, faz papel de trouxa e vota neles.

Se governos estaduais e municipais não colocam em prática projetos educacionais que minimizem efeitos da marginalidade infantil, o mínimo que você deveria fazer seria dar uma banana pros pretendentes que buscam reeleição.

MUDE

Tape olhos e ouvidos quando os sujeitos botarem a cara na televisão. Mude. O novo é talvez. O conhecido dispensa comentários.

Se o governo estadual não controla a segurança pública de forma preventiva e repressiva, desconfie dele. Mostre a sua indignação.

E o governo federal? Claro que tem culpa no cartório. E muita.

Não reprime, como devia, entradas de armas e drogas na extensa fronteira brasileira. Não fala grosso contra o Congresso Nacional que deixa engavetado projetos de mudança do obsoleto Código Penal.

Assim, a destemida bandidagem age. Rouba, espalha terror e mata. Iguala a vida humana a de uma formiguinha.

A brincadeira do faz de conta passa também por advogados criminalistas tão bandidos quanto aqueles que roubam e matam, mas para a sociedade se apresentam engravatados e de ternos bem alinhados.

Felizmente é uma minoria da categoria, como a mídia já documentou fartamente, mas não deixa de ser lamentável.

CÓDIGO PENAL

E você procurou saber aquilo que os congressistas fazem para imediata mudança do Código Penal? Não, né?

O seu parlamentar voltará a pedir voto na eleição que se aproxima e virá com a mesma conversa fiada.

Aí, você, que se imagina espertão, vai cair de novo naquele conto da tampinha pra cá e bolinha pra lá, dos papeiros de rua.

Como diz o radialista Milton Neves, da Rádio Bandeirantes, futebol é a coisa mais importante entre as menos importantes. Por isso, vamos ficar de olhos bem arregalados neste descontrole de segurança que ronda este Brasil afora.

Amanhã será você quem vai perder a vida brutalmente, ou por sorte terá que imitar aquela idosa do Rio de Janeiro, que num saguão de hospital se antecipou e entregou o seu celular antes que malfeitores fizessem o pior.