Bela roba: Verdão é o dono de arena que não é sua
Ora, 5% de um investimento, de mais de bilhão de reais, somando-se aí o valor do terreno e mais a arena, não é muita coisa
É só fazer a conta: otimistamente, se a Arena desse um lucro liquido de 100 milhões ao ano, a parte do Palmeiras seria de 5 milhões de reais
Quando surgiu o debate sobre a construção da Arena, um dos maiores entusiastas tinha nome e sobrenome: José Cirilo. Nas conversas com diretores, conselheiros e torcedores o bom panglossiano Cirilo transpirava otimismo e, orgulhosamente, afirmava que o Palmeiras, com a casa nova, iniciaria uma fase de prosperidade, pois, na sua avaliação, o clube teria um lucro liquido de 5% sobre todo o faturamento dos eventos da Arena.
Ora, 5% de um investimento, de mais de bilhão de reais, somando-se aí o valor do terreno e mais a arena, não é muita coisa. É só fazer a conta: otimistamente, se a Arena desse um lucro liquido de 100 milhões ao ano, a parte do Palmeiras seria de 5 milhões de reais. Muito bem, se dividirmos esse valor por 12 meses, teríamos 400 mil reais. Na época, não pagaria nem o salário do canastrão Valdívia.

Mas isso é coisa do passado. É preciso discutir a realidade fática. Se a Arena é uma realidade, perguntamos: qual é o resultado financeiro? E algumas questões podem ser colocadas para a colação daqueles que veem as coisas com as lentes da razão:
1 – A Arena, que é uma realidade, ainda não deu o lucro de 5% da receita liquida do seu construtor e de seu operador de eventos, a empresa americana AEG e o proprietário da casa.
2 – E por que não se chegou ainda àquele percentual que tanto encantava o panglossiano José Cirilo? Aonde erraram? Os cálculos feitos eram realistas? Por que venderam à mídia e à própria torcida que a Arena seria um poço de petrodólares na Água Branca?
3 – Quem duvidar da argumentação deve consultar o balanço do Palmeiras no ano passado: receita R$ 3.147.402.06 e uma despesa de R$ 1.163.566,26. Esses números são dos eventos e não têm nada a ver com a receita dos jogos, que é outra coisa, muito boa porque o futebol deu um resultado operacional de mais de 10 milhões de reais.
4 – O pior de tudo é que as partes vivem em conflito, muito dissimulado, até certo ponto, porque não interessa a ninguém estender a roupa suja nos varais da cidade.
5 – O Palmeiras julga-se credor de mais de 2 milhões e o construtor da Arena também cobra praticamente o mesmo valor do Palmeiras. A AEG, a empresa que opera na área de eventos cobra da construtora valores que seriam de mais de 4 milhões e ameaçou até de rompimento de relações comerciais, se não receber aquilo que julga ser de seu direito.
6 – A construtora, por sua vez, teve problemas com uma prestadora de serviços na área de segurança e limpeza e, inclusive, chegou a requerer a falência do devedor. O assunto foi contornado com o parcelamento da dívida.
7 – Além disso, existe uma arbitragem na Fundação Getúlio Vargas. O Palmeiras quer toda a receita da venda das 40 mil cadeiras e só concordaria em ceder 10 mil assentos para serem comercializados pela construtora. As partes, quando se sentem prejudicadas, mandam os problemas para a comissão de arbitragem. Quando isso vai se resolver, ninguém sabe.
8 – Algumas fontes já disseram que a GV já tem os percentuais definidos na solução das pendências: uma parte ficaria com 60% e a outra, 40%. O que ficar com o percentual menor, naturalmente, não aceitará e o caso tem potencial de ficar mais tempo sem uma solução definitiva.
9 – Os eventos têm sido feitos na Arena. A parte do Palmeiras é uma mixaria, a AEG deve ficar com uma boa parte e assim mesmo reclama. E a construtora fica com a parte maior? Ninguém sabe porque falta transparência por parte do Palmeiras, da construtora e da empresa de eventos.
10 – Pelo jeito os contratos foram ruins. O Palmeiras, como proprietário do Palestra Itália, embora tenha cedido 50 mil m² ao construtor, é meio dono da Arena. Pior é que ninguém exige uma prestação de contas porque o problema está sob arbitragem na GV.
11 – O Palmeiras é dono da casa, mas arrumou dois sócios que pagam uma miséria. É um dono de araque. Os outros participantes desse surrealista consórcio, em que o dono não é dono, e os sócios brigam pelo dinheiro do aluguel do espaço que não é deles. Os dois sócios brigam e o Palmeiras alugou o muro da conveniência e da omissão.
12 – O Conselho Deliberativo e o COF não podem mais ficar em silêncio comprometedor. Como é que os dois sócios brigam pelo dinheiro de um espaço que é do Palmeiras e ninguém se toca? Ninguém se mexe! A profecia de José Cirilo era falsa. A arena é bonita, mas o lucro é dos outros. O clube ficou com a quirera. Bela roba, paisano!





































































































































