BARRACO NO MORUMBI - Cadê a gente fina do São Paulo?

Hoje, o Tricolor chuta o pau da barraca e faz seu nome rolar na calçada da execração pública

Os últimos acontecimentos denigrem a imagem do sacrossanto São Paulo, como gosta de dizer Juvenal Juvêncio; embora, ultimamente, o ex-presidente tenha baixado o nível da discussão

0002050119832 img

Bons tempos aqueles em que os cardeais do São Paulo tinham ética e, mesmo diante de dificuldades, o clube nunca desceu ao rodapé da esculhambação e da bagunça. Ah, bons tempos em que o São Paulo tinha homens de conduta serena, justa, sem comprometer a imagem da instituição. Hoje, o Tricolor chuta o pau da barraca e faz seu nome rolar na calçada da execração pública.

Os últimos acontecimentos denigrem a imagem do sacrossanto São Paulo, como gosta de dizer Juvenal Juvêncio; embora, ultimamente, o ex-presidente tenha baixado o nível da discussão e do debate democrático.

Gil Athaíde e Miguel Aidar transformaram o São Paulo num fim de feira. E não faltam as bananas...

Gil Athaíde e Miguel Aidar transformaram o São Paulo num fim de feira. E não faltam as bananas…

Por mais que alguns desmintam a briga entre Carlos Miguel Aidar e seu vice Ataíde Gil Guerreiro envergonha os são-paulinos de verdade. Presidente bater boca com vice, no café de um recinto de luxo, é prova de má educação. Dizem até que houve socos, quedas e um substancial repertório de ofensas pessoais. E como consequência, o São Paulo mergulha numa crise ética e provoca uma crise política difícil de ser estancada, para que o clube possa trilhar caminhos do entendimento, do diálogo e da pacificação. Difícil, muito difícil.

CRIATURA CONTRA CRIADOR

0002050119849 img

Essa crise, esse barraco de periferia, não começou na semana passada. Ela vem do tempo em que Juvenal Juvêncio resolveu rasgar os estatutos para abocanhar mais um mandato. A escolha de Aidar, feita por Juvenal, era continuar na coxia do poder.

Só que Aidar não aceitou o cabresto de Juvenal muito menos de ser um coadjuvante de quem não queria abrir mão do poder, mesmo não ocupando mais a cadeira presidencial.

Assim como aconteceu quase sempre na política, a criatura (Aidar) se insurgiu contra o criador (Juvenal). Não demorou e ambos estenderam suas cuecas de divergências pessoais nos varais da mídia e o resto é consequência.

O pior é que não existe uma liderança para botar ordem na casa e acabar com esse circo que só prejudica o São Paulo. Pior ainda é se o São Paulo não melhorar no campo e não ganhar um título até o fim do ano. É bom não esquecer que há uns 10 anos que o time não tem uma conquista expressiva.

MAIOR VÍTIMA É O CLUBE

Nesse tiroteio verbal, cheio de balas perdidas, outras vítimas virão, mas a vítima maior é o clube. Pode-se dizer que Juvenal deixou uma herança maldita. Pelo menos é o que disse Aidar. O ex-presidente contou que levantou uma parte do dinheiro da televisão. Antecipação de receita é um buraco que você faz hoje e amanhã o buraco será muito maior. Consta que o São Paulo fez uma outra operação (FIDIC) no fim da gestão de Juvenal. Aidar queria fazer outra operação financeira para quitar débitos e a se habilitar para entrar no tal de PROFUT.

Enquanto isso o déficit aumenta. As dívidas bancárias que aparecem no balanço é de 270 milhões. Como pagar? O clube não tem um patrocínio de boa rentabilidade em sua camisa. Essa história de sócio torcedor é mais uma panaceia de marqueteiros que sabem muito bem que hoje está mais difícil tirar dinheiro do bolso do torcedor.

Osorio falou, falou, falou e...foi embora

Osorio falou, falou, falou e…foi embora

Carlos Osório veio para resolver e o que o São Paulo ganhou com ele? Ele não passou de um sabereta de bola que fala castelhano. O problema do futebol não é técnico daqui ou de fora. O que falta é jogador. Gastar milhões com Pato, Luis Fabiano e outros não resolveu nada.

A crise do São Paulo cobre de vergonha os verdadeiros são-paulinos. Quem já teve Laudo Natel, Henri Aidar, Manoel Raimundo Pais de Almeida, Antonio Nunes Leme Galvão, Constantino Cury, Marcelo Portugal Gouveia e outros olha para o Vaticano do Sacrossanto São Paulo só vê barraqueiros. É um barraco atrás do outro. Mais do que isso: quando se quer elogiar alguém fala-se que gente fina é outra coisa. Hoje, no Morumbi dos barraqueiros, gente fina é outra coisa. Não é barraqueiro. O santo São Paulo do passado precisa expulsar os barraqueiros de hoje, que só envergonham a instituição.

P I X U L E C O S

1 – A Odebrechet entregou o Itaquerão para o Corinthians. Conforme dissemos aqui, o término das obras devem consumir pelo menos 100 milhões de reais. A própria construtora fala na necessidade de 100 a 200 milhões. E o dinheiro? Quem vai arrumar? Cadê o naming rigts ? Por que a diretoria não se manifesta? Por que os conselheiros não tomam posição? O CORI serve prá que? Para bater palmas aos homens do Executivo? O time está bem, tem tudo para ser campeão, mas o estádio não pode virar um esqueleto de concreto interminável.

2 – E o Palmeiras, heim? Levou uma surra de criar bicho nas costas. Esse time é muito instável. A torcida do Palmeiras merece coisa melhor. Compraram muito bagulho para o time. Levar vareio de um time como o Chapecoense é o fim da picada. Paulo Nobre: com esse time, você não se elege mais nem como inspetor de quarteirão da rua Palestra Itália.