Bagunça no BID da CBF leva clubes das Séries A e B a não utilizarem novos contratados
Os problemas já começam em discordâncias do Regulamento Geral de Competições com o Regulamento Específico de Competições
A bagunça que se tornou o futebol brasileiro nos últimos dois anos, com punições a clubes por erro nos registros dos jogadores, gerou temores em todas as divisões do país
Campinas, SP, 30 (AFI) – A bagunça que se tornou o futebol brasileiro nos últimos dois anos, com punições a clubes por erro nos registros dos jogadores, gerou temores em todas as divisões do país. Por mais que o Regulamento de Competições da CBF permite que jogadores se transfiram de um clube de uma divisão para outra, independente do número de jogos já realizados na competição anterior, clubes das Séries A e B ainda temem relacionar jogadores contratados desta forma possam levar a perda de pontos.
Mesmo o atual campeão e líder do Brasileirão, Cruzeiro, não se arrisca. Esperando um pronunciamento ou documento legal da CBF que permita a utilização do lateral-esquerdo Breno Lopes, o clube já cobra o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) a respeito do caso. Como Breno se transferiu do Paraná depois de estourar o limite de seis jogos na Série B, a Raposa teme sofrer punição na esfera desportiva.
Há dois dias, a CBF enviou um comunicado informando que qualquer tipo de consulta em relação a situação de jogadores ficará sem resposta. A entidade teme que qualquer documento seja utilizado como argumentos de defesa para clubes punidos junto ao STJD.
O mesmo acontece com a Ponte Preta, por exemplo, na Série B do Campeonato Brasileiro. Neste mês, a Macaca assegurou a contratação do volante Josimar junto ao Palmeiras, que disputa a Série A do Campeonato Brasileiro. Assim como Breno Lopes, o volante também disputou mais de seis jogos na antiga divisão e, por isso, ainda não foi relacionado no time campineiro, atual líder da Série B.
Recentemente, quatro clubes foram punidos com perda de pontos por problemas junto aos registros da CBF. No ano passado, a Portuguesa acabou rebaixada depois de perder quatro pontos pela escalação irregular do meia Héverton, que deveria cumprir suspensão na última rodada, apesar dos registros na entidade tornarem apta a sua participação no jogo.
Neste ano, mais quatro clube punidos. River-PI e Villa Nova-MG no Campeonato Brasileiro da Série D por utilizarem jogadores que já tinham disputados duas competições nacionais por outros dois clubes diferentes e América-MG na Série B, pelo mesmo motivo.
BAGUNÇA INSTAURADA
A dúvida dos clubes nestes casos vem de uma discordância entre o Regulamento Geral de Competição (RGC) e o Regulamento Específico da Competição (REC). O primeiro, em seu artigo 49, diz que “um clube não poderá incluir em sua equipe, na mesma temporada, um atleta que já tenha atuado por dois outros clubes, em quaisquer das competições coordenadas pela CBF, com exceção das copas regionais, em consonância com as determinações da FIFA sobre a matéria”.
Já o artigo 9º do REC da Série A e o artigo 7º do REC da Série B dizem que “um atleta poderá ser transferido de um clube para outro durante o mesmo campeonato, desde que tenha atuado em um número máximo de seis partidas pelo clube de origem, sendo permitido que cada atleta mude de clube apenas uma vez”.
A própria CBF não consegue esclarecer, de forma clara aos clubes, se o REC de uma competição determinada pode influenciar no REC. Caso isso seja possível, as transferências entre clubes de uma divisão e outra se torna praticamente inviável, afinal com pelo menos 26ª rodadas disputadas, a maioria dos jogadores já disputaram ao menos seis jogos. Pior do que isso, alguns clubes já utilizaram jogadores nestas condições, caso do zagueiro Gustavo, que atuou mais de seis vezes pelo Paraná na Série B, se transferiu e jogou no Atlético-PR.
CBF SEM CONTROLE
Os problemas nos registros de jogadores, transferências e suspensões se tornaram recorrentes na CBF nos últimos anos. A própria entidade já assumiu o erro diversas vezes, como no ano passado, quando o Figueirense utilizou um jogador irregular, a entidade não percebeu a irregularidade e após denúncia do Icasa, admitiu, publicamente, que havia errado.
Em julho deste ano, a entidade demitiu o então diretor de registro e transferência, Luiz Gustavo Vieira de Castro, dando mais uma mostra de que está ciente das barbaridades cometidas pelo órgão.
Assim como Ponte Preta e Cruzeiro, outros clubes devem encaminhar pedidos diretamente ao STJD para saberem e terem autorização para a utilização ou não de jogadores transferidos de clubes de outra divisão e que já tenham estourado o limite de jogos.
CASOS DA PONTE PRETA
Além de Josimar, a Ponte Preta também espera a resposta da consulta feita ao STJD sobre o caso do lateral-esquerdo João Lucas. Contratado em setembro, o jogador já tinha disputado cinco partidas pelo Atlético-GO na Série B deste ano, mas foi relacionado (sem entrar em campo) em outras duas partidas. Ou seja, João Lucas atuou cinco vezes, mas foi relacionado sete vezes.
Como o artigo 7º do REC utiliza a palavra “atuado” e não “relacionado” para esclarecer que o limite são de seis partidas, o departamento jurídico da Macaca acredita na possibilidade de utilizar o jogador, mas temendo punição, espera a liberação oficial do STJD.





































































































































