’Auê’ do São Paulo levanta suspeita de esquema para o Verdão
Campinas, SP, 25 (AFI) – Mais do que denunciar a falta de estrutura do Palestra Itália, o São Paulo quis, no episódio do gás de pimenta, ocorrido no último domingo, deixar claro que existe um forte esquema de bastidores para que o Palmeiras seja campeão Paulista de 2008. E o episódio não é um fato isolado. Coadjuvante nessa história, a Ponte Preta pode ser a grande prejudicada.
Tudo começou com o Ministério Público e o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero (foto), cedendo à pressão palmeirense, que teria sido encabeçada pelo governador do Estado, José Serra, e liberando o Parque Antártica para a semifinal contra o São Paulo. Tudo depois de tecerem severas críticas às condições do estádio e se disserem favoráveis às finais no Morumbi.
Governador na parada?
Tal decisão lembrou 1970, quando num dos últimos jogos do Estadual daquele ano, entre Ponte Preta e São Paulo, o governador Laudo Natel sentou no banco de reservas do Tricolor, no Morumbi. Não deu outra. Com toda a pressão, o São Paulo tirou da boca da Ponte Preta seu primeiro título. O São Paulo venceu por 2 a 0 e com um dos gols marcado de um pênalti inexistente “cavado” pelo atacante Terto. O juiz do jogo era José Arnaldo Coelho, hoje comentarista de arbitragem da Rede Globo.
Como abriu exceção para o Palestra, a FPF teve de ceder a pressão de Ponte Preta e Guaratinguetá e liberou as semifinais no interior. Um erro leva a outro. Não que Macaca e Guará não merecessem mandar os jogos em seus estádios, mas no último sábado ficou evidente a falta de preparo do policiamento de Guaratinguetá durante uma confusão com a torcida da Ponte Preta. Sem querer saber quem eram os culpados, PM’s distribuíram pauladas e spray de pimenta em quem estivesse na frente.
No dia seguinte aconteceu aquilo que desmoronou a imagem da Federação. No intervalo do duelo entre Palmeiras e São Paulo, um gás de pimenta foi atirado no vestiário visitante e não permitiu que os jogadores do Tricolor ficassem no local. A reclamação foi veemente e acabou em denúncia no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da FPF.
Denúncias de insinuações!
“Isso não pode ficar impune. É coisa da várzea”, afirmou o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio. O dirigente Tricolor não parou por aí. Além de cutucar a Ponte ao dizer que o time campineiro é igual peru do Natal, que morre na véspera, menosprezou o título Estadual.
“O Paulistão não passa de uma pornôchanchada (filme de sacanagem) com enredo”, em mais uma insinuação de que a competição já tinha um campeão antes mesmo de começar . A Ponte Preta, por sua vez, quer mostrar o contrário.
“Chegou a nossa vez. A Ponte Preta mereceu chegar à final e agora vamos lutar pelo título”, rebateu o volante Deda. O jogador procurou entender as declaraçõe do presidente do São Paulo de um jeito irônico.
“Temos que levar em conta a idade dele. Ele já não pensa muito bem”.
Outra vitória nos bastidores
Na última quinta-feira, no entanto, a força do Palmeiras dominou os bastidores da Federação. Além de conseguir engavetar o processo relativo ao episódio do gás – ele será julgado, mas só terá valor prático em 2009 -, a diretoria do Palmeiras conseguiu ‘escalar’ o árbitro que desejava para a primeira final do Paulistão:
Luiz Flávio de Oliveira, o irmão de Paulo César de Oliveira (foto), inimigo número um do Verdão após não anular o gol de mão do atacante Adriano na primeira semifinal contra o São Paulo. Antes disso, tinha “errado em excesso” num jogo decisivo contra o Bragantino, em Bragança Paulista, na virada palmeirense, por 5 a 2.
E tem jornalista consagrado que concorda com isso. O editor do jornal Lance!, Guilherme Gomes, criticou a atitude da FPF em sua coluna “Papo com Editor”, na edição desta sexta-feira.
“Politiqueira, conveniente e absolutamente previsível a decisão do Tribunal de Justiça Desportiva no caso do gás: denunciou o Palmeiras por descuido no episódio ocorrido em seu estádio, mas de forma a não impedir de maneira alguma a realização da finalísima do Paulistão no local.(…) Alguém tinha alguma dúvida sobre isso? Surpresa seria se algum dirigente sério – substantivo e adjetivo que não costumam casar – tivesse a coragem de interditar o estádio após o lamentável episódio.
(…) Mas quem seria capaz disso? A Federação Paulista, que sucumbiu às pressões e liberou o local mesmo após ter dito aos quatro cantos que não havia tal possibilidade por absoluta falta de condições do estádio? A FPF não tem moral para isso”
Diante das circunstâncias, foi criada uma atmosfera de pressão em cima de quem tem menos culpa no cartório: o árbitro, Luis Flávio de OLiveira, que pode querer mostrar o contrário. E é aí que a Macaca entra na parada. Depois de tudo que rolou ao longo da semana, tem esquema para ser campeão. Até natural o esforço, tendo em vista que o time do Palestra Itália não comemora uma conquista paulista desde 1996.





































































































































