ARTILHEIROS 2015: Lista tem pastor folgado, pokémon goleador e gordinho dengoso
Ricardo Oliveira foi o grande nome do ano com seus 37 gols, mas nomes como o de Yago Pikachu e Nonato também ficaram marcados em 2015
Ricardo Oliveira foi o grande nome do ano com seus 37 gols, mas nomes como o de Yago Pikachu e Nonato também ficaram marcados em 2015
Campinas, SP, 24 (AFI) – A temporada do futebol brasileiro chegou ao fim e novas histórias foram escritas por todo o país. Entre triunfos e derrotas, alguns jogadores ficaram marcados no ano de 2015, principalmente aqueles que contribuíram com a necessidade fundamental de uma partida de futebol: os gols. Os artilheiros são os responsáveis pelo momento mais importante do esporte, por isso merecem o reconhecimento por cada bola que colocaram nas redes adversárias. O que interessa aqui é a quantidade. Números que apontam a eficiência do jogador que carrega a maior das responsabilidades nos pés.
Neste ano, alguns nomes decepcionaram, enquanto outros, que não nutriam de grandes expectativas, conseguiram grande destaque pelo bom trato com a pelota. Ricardo Oliveira voltou ao Brasil para defender o Santos e foi contestado por sua idade. Com 35 anos, marcou um gol para cada ano de vida e mais dois, só para tirar uma onda, terminando o ano como maior artilheiro.
Entre nomes de peso como Alexandre Pato, Lucas Pratto e Fred, surgem algumas surpresas, como o lateral Yago Pikachu, do Paysandu, que anotou 20 gols, e o atacante Kayke, do Flamengo, que terminou o ano com mais gols que seu badalado companheiro Paolo Guerrero. Em Goiânia, Nonato, do Goianésia, lutou contra a balança e contra a dengue, mas ficou entre os 14 maiores goleadores.
RICARDO É MEU PASTOR… E GOL NÃO FALTARÁ
Não houve neste ano atacante que tenha se destacado mais que Ricardo Oliveira. Seja por suas provocações, por seus gols ou por seus cultos. Sim, o jogador chamou a atenção da mídia também por seu carisma ao pregar o evangelho aos fiéis de sua igreja, com uma eloquência que passa longe do discurso do jogador de futebol ´comum´. A mesma desenvoltura utilizada para cultivar e propagar fé, foi bem aproveitada para bater boca e dar uma provocada nos rivais.
De qualquer maneira, nenhuma ação pós-jogo ou extracampo ofuscou o seu maior feito do ano. Com uma idade bastante avançada para os padrões do futebol brasileiro, o atacante vestiu a camisa do Santos e parece ter sido abençoado pelos deuses do futebol (aqueles citados pelo religioso Mano Menezes).
Não satisfeito com a artilharia do Paulistão, campeonato no qual marcou 11 gols, Ricardo também foi o melhor no Brasileirão, com 20 gols, seis na frente do vice Vagner Love, que fez 14 e é digno de uma menção honrosa, já que provavelmente foi um dos jogadores mais cornetados do ano, mas deu a volta por cima. No fim, Ricardo Oliveira foi o maior artilheiro da temporada, com 37 gols marcados.
GORDINHO DENGOSO E POKÉMON ARTILHEIRO
Além dos nomes incontestáveis, é interessante ressaltar os artilheiros improváveis. Muitos fatores interferem no desempenho ofensivo de um atleta. Se o jogador não está na forma ideal ou joga em uma posição na qual tem que dedicar grande parte de sua atenção a marcação dificilmente ele se destacará fazendo gols. Mas dois nomes estão aí para contrariar o senso comum.
O lateral-direito Yago Pikachu conseguiu terminar o ano entre os 15 jogadores que mais marcaram gols. Na lista, é o único que atua em uma posição na defesa. Além disso, ele e o meia Valdivia, são os únicos não atacantes entre os artilheiros. Artilheiro do Paysandu na Série B, com nove gols, Pikachu chegou a marca de 20 gols na temporada. Além de virar celebridade no Pará, as boas atuações pelo Papão renderam um contrato com o Vasco.
Outro artilheiro que chama atenção é um atacante de origem, mas que foge um pouco ao formato ideal que geralmente se tem de um goleador. Visivelmente acima do peso, Nonato é da “escola Walter de futebol”: gordinho, mas com o pé mais calibrado que muito jogador em forma. Aos 35 anos de idade, sofre pouco com lesões, mas teve que tirar um tempo de descanso, ao contrair dengue. Mesmo assim, o retorno foi rápido e o jogador foi artilheiro do Goiano pelo Goianésia, com 10 gols. Depois de uma passagem pelo Treze-PB, pelo qual disputou a Série D, terminou a temporada com 20 gols na conta.
DOIS EM UM – PROBLEMA E SOLUÇÃO
Assim como Ricardo Oliveira, o segundo maior artilheiro do ano também se destacou tanto pelos gols como por alguns traços peculiares de sua personalidade. No Bahia, desde que voltou de uma rápida turnê pela china, o capixaba Kieza tem feito o serviço com bastante competência no tricolor. Além disso, arruma algumas confusões com muita eficiência.
No Ba-Vi do segundo turno da Série B, o Bahia perdeu por 3 a 1, mas o atacante deixou o dele. Tudo bem que na comemoração ele tirou a camisa do uniforme, exibiu a camiseta de uma torcida organizada proibida de frequentar estádios e acabou levando o amarelo. Depois disso, marcou mais um gol, que foi anulado pelo juiz, porque havia dominado a bola com a mão. Isso rendeu mais um cartão amarelo e a expulsão do artilheiro. Antes de sair de campo, atrasou um pouco o jogo com muita reclamação e quando deixou o gramado distribuiu ofensas ao juiz e a todos os repórteres presentes.
Talvez ele tenha prejudicado o próprio time no episódio que acabou de ser relatado, mas o que é realmente relevante para esta lista ele fez. Balançou as redes no clássico, assim como fez em outras 29 oportunidades. Foi artilheiro do Baiano, com oito gols – na campanha do título tricolor – e vice-artilheiro da Série B ao lado de Marcelo Toscano, com 14 gols. Também foi o segundo maior goleador da Copa do Nordeste, com cinco gols, e anotou dois na Copa do Brasil.
TOP 3
Alguns nomes como Alexandre Pato, Fred, Lucas Pratto e até Leandro Damião – um grande mistério do futebol – sempre entram nas competições como fortes candidatos à artilharia. Pato não foi artilheiro em nenhum campeonato, mas depois de um ano esquisito no Corinthians e um rendimento irregular em 2013, já pelo São Paulo, o atacante teve seu melhor ano desde o retorno ao Brasil e terminou no top três dos maiores goleadores. Foram 26 gols marcados na temporada.
Com o mesmo número de gols de Pato, Kayke, do Flamengo, balançou as redes mais vezes que o badalado Paolo Guerrero. Sem a grife dos outros dois citados, se destacou pelo ABC, marcando 20 gols. No Mengão foram apenas seis gols – o peruano marcou quatro -, mas serviram para terminar empatado com o jogador-ave. Kayke também foi artilheiro do Campeonato Potiguar.
ESTADUAIS
Durante a disputa dos estaduais, Lucas Pratto, do Atlético-MG, e Leandro Damião, do Cruzeiro, disputaram a artilharia no mineiro. Mas o cruzeirense levou a melhor, com nove gols. O argentino marcou seis. Mas no restante do ano, Pratto se saiu melhor e chegou a brigar pela artilharia também no Brasileirão, mas caiu de rendimento junto com todo o time do Galo e ficou atrás de Ricardo Oliveira e Vagner Love, com 13 gols, empatado com André (Sport) e Jadson (Corinthians). No fim da temporada, foram 22 no total. Damião fez 18.
Fred, do Fluminense, também marcou 22 gols no ano. O jogador foi o artilheiro do Campeonato Carioca, com 11 gols marcados. Ele também alcançou uma marca importante, ao se tornar o quinto maior artilheiro da história do Flu, com 161 gol em 266 jogos. Em outros estaduais, jogadores com menos nome também fizeram bonito. No Gaúcho, Michel do Passo Fundo, foi o melhor, com 11 gols. No Ceará, Núbi Flávio fez onze com a camisa do Icasa. Mas de todos os estaduais, o maior destaque foi Kiro, que meteu caixa 19 vezes no Pernambucano.
NACIONAIS
Quem também balançou as redes 19 vezes foi Zé Carlos do CRB, o artilheiro da Série B. Com 23 gols em toda a temporada ainda ficou no top 5 da temporada, junto com Robert (Vitória/Sampaio Corrêa). Na Copa do Brasil, Gabriel honrou o apelido (Gabigol) e terminou na artilharia, com 9 gols, desbancando o companheiro de Santos, Ricardo Oliveira, que foi vice. O menino da vila terminou o ano com 21 gols feitos. Na Série C, Guilherme Queiroz, da Lusa, foi o artilheiro, com 12 gols, e na Série D, com o mês número, Jonatas, do São Caetano foi quem mais marcou.
DA A2 À SÉRIE B
No texto acima – e na lista abaixo – só foram citados jogadores que disputaram a primeira divisão dos estaduais. Já que não é das tarefas mais fáceis obter informações de todos os campeonato Brasil a fora. Mas dois nomes que disputaram a Série A2 do Campeonato Paulista merecem uma atenção especial. Marcelo Toscano, pelo Mirassol, Jobinho, pelo Rio Branco, e Diogo Acosta, pelo São Caetano terminaram empatados na artilharia da segunda divisão estadual com 15 gols cada.
Após o término da A2, Toscano conseguiu um contrato com o América-MG e Jobinho ficou com o Bragantino. Os dois times disputaram a Série B e os atacantes, provaram que não são “jogadores de estaduais”. Toscano foi vice artilheiro da segunda divisão nacional, com 14 gols e ajudou muito na campanha do acesso do Coelho. Assim, fez 29 gols na temporada. No Braga, Jobinho marcou 11 e terminou com 26.
CONFIRA A LISTA DOS ARTILHEIROS DE 2015
Ricardo Oliveira (Santos) – 37 gols
Kieza (Bahia) – 29 gols
Alexandre Pato (São Paulo) e Kayke (ABC/Flamengo) – 26 gols
Roberto (Vitória/Sampaio Corrêa) e Zé Carlos (CRB) – 23 gols
Fred (Fluminense) e Lucas Pratto (Atlético-MG) – 22 gols
Daniel Morais (Tupi-MG/Náutico), Gabriel (Santos), Max (América-RN), Rafael Oliveira (ABC/Botafogo-PB) e Tozin (Aparecidense/Luverdense) – 21 gols
Nonato (Goianésia/Treze-PB) e Yago Pikachu (Paysandu)- 20 gols





































































































































