Arena Verde ainda não é uma nova serra Pelada

hoje é preciso encarar a realidade e encontrar uma formula organizacional e financeira para que a Arena seja rentável e coloque as receitas do Palmeiras em grande nível

hoje é preciso encarar a realidade e encontrar uma formula organizacional e financeira para que a Arena seja rentável e coloque as receitas do Palmeiras em grande nível

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“O contrato do Palmeiras com a construção da arena no Palestra Itália vai dar 5% do lucro líquido e seremos um dos maiores clubes do Brasil”, disse o vice-presidente da época, José Cirilo, quando a W.Torre iniciou as negociações para a remodelação do Palestra Itália. Dizia muito bem aquele personagem de Chico Anísio: “palavras são palavras, nada mais do que palavras”.

Talvez José Cirilo e outros que lutavam pela realização do empreendimento, aliás, muito bonito, não se deram ao luxo de fazer a continha que qualquer botiqueiro faz no dia a dia lá no fundo da periferia. Admitamos, por hipótese, que, realmente, o lucro anual da arena seja de 100 milhões de reais. Cinco por cento desse valor são 5 milhões de reais. Se você dividir isso por 12 meses, mal dava para pagar os salários do falastrão e enganador Valdivia.

Mas, como ninguém discutiu valores, hoje é preciso encarar a realidade e encontrar uma formula organizacional e financeira para que a Arena seja rentável e coloque as receitas do Palmeiras em nível, pelo menos, aproximado do que fatura o Barcelona.

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Outro dia, um jornal questionava a baixa receita do Palmeiras com sua belíssima arena, coisa que já fizemos aqui algumas vezes, apontando uma dicotomia de interesses do Palmeiras e da própria construtora, Usou-se como argumento o fato de que as dívidas do parceiro são de 150 milhões, Isto, para uma empresa que tem vários empreendimentos no mercado imobiliário, não é um exagero, embora tivesse sido requerida sua falência por uma mixaria de 500 mil reais, não paga.

As receitas oriundas da Arena são pequenas, conforme o balancete de agosto, e foramde R$ 257.726,42. No acumulado de oito meses as receitas foram de R$ 1.694.982,38. Em dólares, isto representa pouco mais de 400 mil – uma ninharia para um empreendimento tão grande. Só que no próprio balancete de agosto, em duas rubricas – os gastos foram de R$ 215.707,15 (Arena-Alianz Parque) e mais de R$ 68.614,74. No acumulado de oito meses, os gastos na Arena foram de R$ 686.995,64 (Arena-Alianz Parque) e R$ 2.011.793,43, isto é, entre a receita e a despesa houve um pequeno déficit de mais ou menos 50 mil. O que era para dar lucro ficou perto do empate.

Agora, alguém achar que será possível uma parceria com outros patrocinadores é um sonho, pois a W.Torre que se ressarcir dos seus investimentos – falam de 650 milhões – não vai querer dividir nada com ninguém.

Pior do que isso é o imbróglio que o Palmeiras se meteu, pois entrou com um pedido de comissão de arbitragem junto à Fundação Getúlio Vargas. A W.torre entende que, pelo contrato, tem direito de explorar a venda de tíquetes em todo estádio, mas abriu mão de 10 mil lugares. Paulo Nobre quer que o direito de venda dos lugares seja de 40 mil em favor do clube. A construtora, por sua vez, é contra o Palmeiras vender ingressos pela internet por entender que isso reduz sua receita.

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Além disso, já começa a ser feito um questionamento quanto ao uso do nome Arena Alianz. A mídia não é obrigada a usar o nome do estádio em suas transmissões. Assim, o naming rights da Alianz não e veiculado a ela e isso pode engrossar ainda mais a arbitragem na FGV.

O Palmeiras levou vantagem, se compararmos com o Itaquerão, na questão dos investimentos em obras. Afinal, o clube não paga prestações, embora as receitas, até agora sejam pífias, conforme está demonstrado pelos números extraído do balancete do mês de agosto. Já o Corinthians tem que transferir de suas rendas de jogos, descontados os custos do evento – em torno de 40% – e cacifar no fundo de investimentos, responsável pela astronômica conta de construção do estádio.

O problema no futebol é que os contratos são sempre mal feitos. A discussão de valores, em nível técnico, principalmente, é de difícil compreensão por conselheiros, quase sempre leigos nesses assuntos.

Depois a consequência vem: receitas pífias, custos altos e dívidas astronômicas, que podem comprometer o futuro dos clubes. O Palmeiras, por exemplo, pensou que a Arena seria sua Wall Street brasileira ou, se quiserem, uma nova Serra Pelada, onde hoje é só um buraco alagado e cemitério de muitos sonhos de riqueza. A arena do Palmeiras ainda não é a Serra Pelada do Palestra Itália. Tomará que melhore.