Após reunião na Justiça, Guarani e Maxion encaminham solução para venda do Brinco

As duas partes conversaram nesta terça-feira e saíram bastante satisfeitos com a conversa

As duas partes conversaram nesta terça-feira e saíram bastante satisfeitos com a conversa

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Campinas, SP, 12 (AFI) – Guarani e o Grupo Maxion deram o primeiro passo para o entedimento que pode decretar a venda do Estádio Brinco de Ouro, em Campinas. Em audiência mediada pela juíza Ana Cláudia Torres Vianna, da Justiça do Trabalho, as duas partes saíram satisfeitas do encontro com a possibilidade do grupo arrematante do estádio auxiliar o Bugre na construção de uma nova arena e um centro de treinamento.

Após o leilão, o time campineiro ameaçou entrar com embargos contra a arrematação caso não fossem atendidas algumas exigências. A suposta lista apresentada pelo Guarani em reunião realizada na última terça-feira exigia a construção de uma nova arena com capacidade para 20 mil lugares, um novo clube social e um novo CT.

“Reunião positiva, porque conseguimos quebrar resistências. Foi um fato democrático, porque os vereadores estavam presentes e ajudaram no diálogo. Houve um encaminhamento concreto. Há um certa urgência para dar um encaminhamento ao acordo, mas hoje a conversa evoluiu bastante. Temos um ponto em comum: tentar viabilizar o Guarani. Em cima disso construimos este diálogo”, disse a magistrada, que ainda confirmou que, pelo menos, até o final da temporada, o Bugre poderá jogar no Brinco.

Tanto a diretoria do Guarani, quanto os representantes do Grupo Zaffari, dono da Maxion, também saíram satisfeitos da audiência, mas ressaltaram que o acordo está longe de ser concretizado. Desta forma, a queda de braço ainda deve se arrastar pelos próximos meses.

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“Evoluímos as tratativa, isto é claro. O acordo, no entanto, não é fácil, tem um monte de variáveis. Queremos que o Guarani, uma entidade importante de Campinas e do futebol brasileiro, saia de forma honrada desse processo.Não temos prazo fixados. São conceitos que serão analisados com nossa equipe para chegar num apoio possível”, comentou Claudio Zaffari, representante da arrematante.

“Foi uma reunião muito salutar. Vimos que existe a possibilidade da viabilização de uma arena. Discutimos alguns pontos para isto, mas não existe nada concreto. O que é certo é que vamos brigar pelos direitos para o Guarani e fazer certo, com aprovação na assembleia de sócios”, completou Horley Senna, presidente do Bugre.

PROBLEMAS…

Um dos maiores problemas para a construção de uma nova arena para o Guarani é a localização. A juíza afirmou que o terreno é um dos entraves da negociação. O Bugre não teria outro local para construção de um novo campo e a Maxion não estaria disposta a arcar com os custos da compra do espaço.

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“Esta é uma situação bastante complicada. Foi sugerida a doação de terreno por meio da prefeitura, mas ouvimos que o prefeito não está interessado em ajudar desta forma. A comissão de vereadores nos ajudou bastante neste quesito e levantou algumas possibilidades para viabilizarmos o acordo sem as doações. Desta forma, conseguimos encaminhar uma solução”, explicou Ana Cláudia Torres Vianna.

Para o presidente do Guarani, o principal problema é a falta de recursos para tocar o futebol, mesmo com a possibilidade de ganhar um novo estádio. Horley afirmou que a oferta da Magnum, parceira do clube, prevê um aporte financeira mensal para reforçar o orçamento bugrino.

“Dizem que eu prefiro a oferta da Magnum, mas o que me preocupa como presidente é o Guarani. A proposta da Magnum dá dinheiro para eu tocar o dia-dia. Eu penso nisto, porque se não tiver verba para o presente pode ser que não tenhamos futuro”, disparou.

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MAIS DO LEILÃO

No dia 30 de março, a Justiça do Trabalho aceitou a oferta da Maxion, que se dispôs a pagar 30% do valor total à vista – algo em torno de R$ 31,5 milhões. O restante será pago em 12 parcelas de R$ 6,1 milhões. Antes do leilão, a juíza Ana Claudia Torres Vianna declarou que não aceitaria menos que R$ 126 milhões, valor mínimo imposto para que o leilão ocorresse. Porém, a Maxion foi única empresa a fazer uma oferta.

O terreno do estádio – a área tem em torno de 80 mil metros quadrados, localizado na região nobre da cidade, no bairro Jardim Proença -, está em penhorado desde 2011 por dívidas que, na época, ultrapassavam os R$ 50 milhões com a Justiça do Trabalho. Hoje, somente as dívidas trabalhistas executadas já chegam a R$ 70 milhões. Estima-se que a dívida total do clube gira já supere os R$ 250 milhões.

No último dia 18 de março, três empresas ofertaram muito abaixo do valor mínimo estipulado pela Justiça e, por isso, a juíza Ana Claudia Torres Vianna recusou. Na época, o Grupo Magnum, parceira do Guarani no início do ano, ofereceu “apenas” R$ 55 milhões, enquanto um grupo de empresários de Jaboticabal ofertou menos ainda, R$ 45 milhões. A Lances Negócios Imobiliários foi a empresa que tinha feito a maior oferta, que girava em torno de R$ 60 milhões.

Agora, a empresa Maxion Empreendimentos Imobiliários deve utilizar o terreno do Brinco de Ouro para a construção de algo adequado as necessidades de Campinas. O grupo ainda conversará com a Prefeitura para uma definição, já que a decisão tomada pela juíza Ana Claudia Torres Vianna não tem validade imediata. A diretoria do Guarani disse que irá recorrer à Justiça para que o leilão seja anulado.

O poder público tem mostrado disposição para auxiliar o Bugre no caso. Como o município detém duas das cinco matrículas do Brinco, promete embargar o leilão caso haja prejuízos ao clube. A Câmara dos Vereadores também criou uma comissão para acompanhar o caso de perto.

No início do mês de abril, a Justiça do Trabalho recusou uma oferta do Grupo Sena, que pretendia pagar R$ 220 milhões pelo terreno do Brinco. Valor duas vezes maior que a oferta a arrematação da Maxion. O problema é que, para depositar o dinheiro, a empresa exigia que a Prefeitura liberasse as duas matrículas pertencentes ao município.