Após reunião, Justiça garante pagamento aos credores do Guarani com dinheiro da Magnum
Caso, no entanto, não deve encerrar novela da venda do Brinco de Ouro, em Campinas
Caso, no entanto, não deve encerrar novela da venda do Brinco de Ouro, em Campinas
Campinas, SP, 10 (AFI) – O Guarani deu mais um passo para a venda do Estádio Brinco de Ouro, em Campinas. Nesta terça-feira, em audiência no 15º Tribunal de Justiça do Trabalho com credores, advogados do Bugre e do Grupo MMG (braço da Magnum) e do Grupo Zaffari, a juíza Ana Cláudia Torres Vianna definiu as diretrizes e garantiu os pagamentos das dívidas trabalhistas com base na proposta feita pela atual parceira bugrina.

As dívidas executadas giram em torno de R$ 60 milhões. O acordo feito é que os credores que tem direito a R$ 100 mil receberão 100% dos direitos, enquanto os que tem dívidas acima de R$ 100 mil embolsarão 90% das dívidas. As partes chegaram a um acordo depois de horas de negociação. O pagamento deve acontecer a vista, assim que houver definição da anulação ou não do leilão do Brinco feito pela Justiça do Trabalho. No próximo dia 19, a juíza tomará a decisão se anula o primeiro leilão do Brinco de Ouro ou mantém o Grupo Zaffari no negócio.
“Depois de longas horas de audiência, os credores encontraram uma forma fazer o pagamento. A proposta de intenção de ficar com o Brinco e fazer o pagamento dos credores foi aqui. O arrematante esteve aqui, eles não acham viável o pagamento da forma que os credores aceitaram”, afirmou o juíza.
O dinheiro para o pagamento será adiantado pelo Magnum e, posteriormente, descontado do 14% do Valor Geral da Venda (VGV) que a empresa destinaria ao Bugre após a venda do Estádio Brinco de Ouro e construção dos novos investimentos imobiliários no local, descartando o shopping e o hotel..Não há um valor concreto. A previsão é que o VGV possa chega a R$ 2,3 bilhões, mas não há garantias. Vale lembrar que a Justiça congelou 46 milhões da MMG após anulação de leilão em novembro do ano passado.
Após o encontro desta quarta-feira Justiça, Guarani, Maxion e Magnum ficarão no aguardo sobre o próximo passo da juíza. Baseada em todos os encontros, ela deverá ficar entre duas situações: confirmar a arrematação da Maxion por R$ 105 milhões e negar os embargos de arrematação em primeira instância; ou então anular o leilão e aceitar a proposta da Magnum.

Independente de qual decisão será tomada, a tendência é de que esta batalha jurídica se arraste por anos. O que foi garantido, nesta quarta-feira, com a assinatura da ata, porém, é o pagamento das dívidas trabalhista. Se a Justiça determinar que a Maxiom é a compradora do Estádio Brinco de Ouro, a MMG terá que ser ressarcida pela empresa pela quitação da dívida em juíza.
O próprio advogado da Maxion, Darcio Marques, confirmou em entrevista ao jornal Todo Dia, recentemente, que se o leilão for anulado, a “paciência da empresa irá terminar”. Neste caso, o grupo retiraria a proposta feita no último dia 19 e levaria a briga às últimas instâncias. Se a decisão for pela manutenção do arremate, o Bugre pretende continuar tentando os embargos de arrematação.
PROPOSTAS
Em assembleia no último dia 19 de maio, representantes dos dois times apresentaram suas propostas. A Maxion, embora já tenha arrematado o Brinco por R$ 105 milhões, se colocou a disposição em ajudar o Bugre. O Grupo Zaffari se compromete ajudar na construção de uma arena para 12 mil torcedores, com possibilidade de ampliação. Além disso, viabilizaria a construção de um centro de treinamentos e uma sede social, no mesmo terreno do novo estádio.
Além disso, o clube campineiro ainda receberia um aporte mensal de R$ 350 mil pelo período de 18 meses. Este dinheiro e o valor para a aquisição do terreno do novo complexo, sairiam dos R$ 105 milhões utilizados para a arrematação do Brinco. Isso também não agrada aos credores, que pretendem ver as dívidas abatidas integralmente dos R$ 105 milhões.
No caso da Magnum, a proposta foi de pagar as dívidas trabalhistas – as executadas giram em torno de R$ 60 milhões e chega a R$ 100 milhões considerando os valores ainda não executados -, construção de centro de treinamento no terreno da Rodovia dos Bandeirantes e uma sede social no terreno onde é o atual CT. Um estádio para 10 mil lugares seria construído se sobrar dinheiro, em um terceiro terreno.
O grupo também daria um aporte financeiro de R$ 350 mil mensais por 10 anos, na forma de patrocínio. Este foi o ponto que seduziu o presidente Horley Senna, já que o clube teria um capital para manter o futebol por uma década. O problema é que todo este investimento viria dos 14% do Valor Geral da Venda (VGV) que a empresa destinaria ao Bugre.
MAIS DO LEILÃO
No dia 30 de março, a Justiça do Trabalho aceitou a oferta da Maxion, que se dispôs a pagar 30% do valor total à vista – algo em torno de R$ 31,5 milhões. O restante será pago em 12 parcelas de R$ 6,1 milhões. Antes do leilão, a juíza Ana Claudia Torres Vianna declarou que não aceitaria menos que R$ 126 milhões, valor mínimo imposto para que o leilão ocorresse. Porém, a Maxion foi única empresa a fazer uma oferta.
O terreno do estádio – a área tem em torno de 80 mil metros quadrados, localizado na região nobre da cidade, no bairro Jardim Proença -, está em penhorado desde 2011 por dívidas que, na época, ultrapassavam os R$ 50 milhões com a Justiça do Trabalho. Hoje, somente as dívidas trabalhistas executadas já chegam a R$ 70 milhões. Estima-se que a dívida total do clube gira já supere os R$ 250 milhões.
No último dia 18 de março, três empresas ofertaram muito abaixo do valor mínimo estipulado pela Justiça e, por isso, a juíza Ana Claudia Torres Vianna recusou. Na época, o Grupo Magnum, parceira do Guarani no início do ano, ofereceu “apenas” R$ 55 milhões, enquanto um grupo de empresários de Jaboticabal ofertou menos ainda, R$ 45 milhões. A Lances Negócios Imobiliários foi a empresa que tinha feito a maior oferta, que girava em torno de R$ 60 milhões.
Agora, a empresa Maxion Empreendimentos Imobiliários deve utilizar o terreno do Brinco de Ouro para a construção de algo adequado as necessidades de Campinas. O grupo ainda conversará com a Prefeitura para uma definição, já que a decisão tomada pela juíza Ana Claudia Torres Vianna não tem validade imediata. A diretoria do Guarani disse que irá recorrer à Justiça para que o leilão seja anulado.
O poder público tem mostrado disposição para auxiliar o Bugre no caso. Como o município detém duas das cinco matrículas do Brinco, promete embargar o leilão caso haja prejuízos ao clube. A Câmara dos Vereadores também criou uma comissão para acompanhar o caso de perto.
No início do mês de abril, a Justiça do Trabalho recusou uma oferta do Grupo Sena, que pretendia pagar R$ 220 milhões pelo terreno do Brinco. Valor duas vezes maior que a oferta a arrematação da Maxion. O problema é que, para depositar o dinheiro, a empresa exigia que a Prefeitura liberasse as duas matrículas pertencentes ao município. A proposta acabou rejeitada pela juíza Ana Cláudia.





































































































































