Ao melhor estilo 'Tirano', Horley Senna afasta a imprensa do Guarani

O presidente cerceou os profissionais de Campinas e, com isso, afastou o torcedor do Brinco de Ouro

Brigando pelo acesso na Série A2 do Campeonato Paulista e tentando deixar para trás a instabilidade com a torcida do Guarani, o presidente Horley Senna preferiu afastar a imprensa

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Campinas, SP, 10 (AFI) – Brigando pelo acesso na Série A2 do Campeonato Paulista e tentando deixar para trás a instabilidade com a torcida do Guarani, o presidente Horley Senna preferiu afastar a imprensa do estádio Brinco de Ouro da Princesa. Ao melhor estilo ‘tirano’, o cartola proibiu os jogadores do elenco e ainda a comissão técnica de dar entrevista aos veículos de Campinas, deixando assim o seu torcedor longe da atual realidade do clube.

A primeira medida de Horley foi proibir as entrevistas pós-jogo, ainda no gramado, quando os jogadores estão de cabeça quente. Além disso, as coletivas seriam apenas com dois jogadores pré-selecionados pela assessoria do clube e cada profissional de imprensa poderia fazer apenas duas perguntas, sem prerrogativas.

Na época, o time vinha de três derrotas consecutivas e tinha medo de esquentar ainda mais o clima com a torcida, que começou a pedir a cabeça do técnico Pintado. Mas a vitória por 1 a 0 contra o Votuporanguense na última terça-feira, pela 12ª rodada da competição, não mudou o panorama. Muito pelo contrário, só cerceou ainda mais a imprensa.

Mais uma vez sem dar as caras e utilizando da assessoria, o ‘carrasco’ Horley Senna comunicou na última terça-feira que não haveria mais entrevistas coletivas e que todos os treinamentos da semana seriam fechados para os jornalistas. Ainda assim, ele deixou a Sala de Imprensa do estádio Brinco de Ouro aberta para os profissionais, para pelo menos atender as rádios locais.

Horley Senna afasta a imprensa de Campinas e o torcedor do Guarani
Horley Senna afasta a imprensa de Campinas e o torcedor do Guarani

DOIS PESOS… DUAS MEDIDAS?

Em meio a tudo isso, uma situação inusitada aconteceu no confronto com o Votuporanguense na terça-feira. Desrespeitando as ordens do ‘incompetente’ Horley, o técnico Pintado deu entrevista ao SporTV, canal fechado da Rede Globo e que transmitiu o confronto. Após o apito final, foi a vez do meia Fumagalli também conversar com o mesmo veículo.

Ambos não foram punidos pela diretoria, o que gerou um mal estar com a imprensa de Campinas, que acompanha o dia a dia do clube e leva ao torcedor as novidades. Como se não bastasse, na segunda-feira, antes do confronto, o atacante Flávio Caça-Rato foi a São Paulo para participar do programa Donos da Bola, na Rede Bandeirantes, com o ex-jogador Neto.

OPA, SURPRESA!

Desesperado com os resultados do time em campo, o ‘inexperiente’ Horley Senna dispensou na última quarta-feira o atacante Ricardinho, mesmo sem o aval da comissão técnica e do restante da diretoria. O ‘tirano’ gerou um grande desgosto com o elenco, acabou voltando atrás e apenas afastou o jogador, que atualmente treina separado no estádio Brinco de Ouro.

No mesmo dia, sem comunicar a imprensa e o torcedor, o presidente anunciou a contratação de dois jogadores totalmente desconhecidos no futebol brasileiro: Bruno Santiago do Juventus da Mooca e Marcelinho do CRB-AL. Ambos são jovens, não vinham sendo aproveitados em seus clubes de origem e chegam apenas para completar o elenco de 28 jogadores inscritos na Federação Paulista de Futebol.

OPINIÃO DA IMPRENSA!

Alberto Cesar, narrador e locutor chefe da Rádio Central AM870:

“Eu acho que de certa forma é um cerceamento da liberdade de imprensa. Eles não estão privando a imprensa e sim o torcedor do Guarani. A imprensa é simplesmente um porta-voz, eu não vou lá pra satisfazer a minha curiosidade! Quando ele cerceia essa entrada dos repórteres e dificulta a imprensa de falar sobre coisas que estão acontecendo, ele (Horley Senna) dá espaço para os boatos, que não podem ser negados ou confirmados. Pra mim é uma medida desesperadora e que não vai levar a nada. Só irrita a imprensa e a torcida do clube”.

Carlos Batista, diretor de jornalismo esportivo do Grupo Bandeirantes Campinas:

“Eu não concordo. É uma decisão burra e não funciona. Em nenhum lugar isso funcionou, o histórico é negativo. Muito pelo contrário, ao invés de resolver, você piora a situação. Porque se você não está fazendo um bom trabalho e o jogador está ruim, não está rendendo, ele não pode dar uma satisfação à torcida. E por isso é uma decisão errada! Se ele está mal, ele tem que dar uma satisfação […] De certa forma você coloca a ‘culpa na imprensa’ com essa lei do silêncio, dando a impressão que dar entrevista desvia o foco.

O presidente Horley, apesar de ter proibido entrevistas, conversou com o nosso repórter (Rádio Bandeirantes AM1170) e disse que após o jogo de sexta (contra a Portuguesa, às 21h30), se o time vencer e voltar ao G8, os jogadores voltam a dar entrevista. Isso é um absurdo! Qual o desvio de foco dele (jogador) dar entrevista quando o time está brigando pela classificação? Principalmente quando se trata e um time macambúzio, chuchulento como esse.

Tem uma frase do economista Peter Drucker que diz: ‘não existe nada mais inútil do que fazer com eficiência aquilo que não deveria ser feito’.”