Alô Brigatti: o pior cego é aqule que não quer ver!

Alô Brigatti: o pior cego é aqule que não quer ver!

Braga lidera o grupo e aumenta pressão sobre o Corinthians

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A Ponte Preta tem um executivo de futebol de verdade? Se tem, o mínimo que dele se exige é que acompanhe o planejamento pré-jogo do treinador e cobre, ou circunstancialmente exija que se façam as coisas de forma correta.

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Se Gustavo Bueno foi conivente com o treinador João Brigatti no pré-jogo contra o Bragantino, tem igual parcela de culpa pelo desastre técnico da equipe na derrota por 2 a 1, na noite desta segunda-feira, no Estádio Moisés Lucarelli.

Afinal, Brigatti continuou fazendo o ‘mesmo do mesmo’.

Pior é que após aquela pobreza técnica da equipe pontepretana, com revolta de torcedores, Brigatti estava desconectado da realidade na entrevista coletiva.

“Sair jogando é o forte nosso”, foi uma ‘escorrega’ dele.

Ora, basta o adversário adiantar a marcação para que a bola defensiva da Ponte Preta seja quebrada. Verdade ou mentira?

E a fala dele continuou desconectada. Vejam:

“O time mudou a chave”. Mudou em que, Brigatti?

Concorda-se que a equipe se doa um pouco mais, mas corre errado, e tem errado mais passes de que nos tempos de seu antecessor Gilson Kleina.

PIOR CEGO

A escalação da Ponte para enfrentar o Bragantino nos remete ao dito de que ‘o pior cego é aquele que não quer ver’.

E Brigatti não quis enxergar o óbvio. Decidiu mexer onde não precisava mexer, na zaga central.

Se imaginou ganho na saída de bola com a entrada de Alisson no lugar de Wellington Carvalho, isso não ocorreu. Houve perda, isso sim, na marcação. O escalado falhou no segundo gol do Bragantino e vacilou no gol incrível perdido pelo meia Matheus Jesus, em bola defendida com o pé pelo goleiro Ivan, em lance de falha compartilhada pelo lateral-direito Jeferson.

BRUNO RODRIGUES

Ora, se o atacante Bruno Rodrigues jamais justificou a condição de titular, falta visão ao treinador para sacá-lo.

Além de não criar uma jogada sequer, não acrescenta taticamente, pois se posiciona basicamente na beirada de campo e nem sempre participa da recomposição.

Meia Zanocelo, que pela lógica deveria ser escalado no lugar de Bruno Rodrigues, entrou aos 39 minutos do segundo tempo e fez mais: sofreu falta em jogada pessoal, nas proximidades na área.

Erros de passes do time pontepretano passam pelo espaçamento da equipe em campo. A opção de um meia no lugar de atacante de beirada propiciaria compactação de jogadores no setor, e Brigatti tem ignorado isso.

ROGER

Como justificar a insistência com a ineficiência do centroavante Roger?

Pior: foi feito um equivocado planejamento de bola esticada ao jogador, como se ele tivesse velocidade pra ganhar jogadas.

E quando teve chance, faltou arranque em passe de João Paulo. Aí perdeu a disputa para o goleiro Júlio César.

Já em outro lance, chutou a bola em cima do goleiro.

No último quarto de jogo, quando esteve em campo, Safira fez mais de que Roger.

Foi travado por Aderlan na primeira finalização, e enganou a marcação do lateral Luan Cândido com drible de corpo, antes do arremate para o gol de honra da Ponte, aos 43 minutos.

Ora, Safira precisa mostrar mais de que isso pra provar ser mais útil de que Roger na equipe, Brigatti?

JEFERSON

Nem Brigatti sabe explicar aquilo que pretendia com a entrada de Jeferson, após o intervalo, no lugar de Felipe Saraiva, que tropeçava literalmente na bola.

Como a alteração sequer surtiu efeito defensivo, quando a Ponte ficou em desvantagem ele tentou corrigir o erro ao colocar Jeferson na lateral e sacar o improvisado Dawhan.

Seria válido o argumento de o Bragantino ter equipe mais qualificada se mantivesse o futebol envolvente da temporada passada.

A brutal queda de rendimento para este ano obriga quaisquer dos adversários a enfrentá-lo em condição de igualdade, principalmente sendo mandante do jogo.

Apesar dos pesares, é possível a Ponte escapar da enroscada que se enfiou, para evitar o rebaixamento. É que Oeste e Botafogo ainda são piores.

Claro que Brigatti precisa colaborar e colocar a sua cara, em vez de manter a filosofia de jogo de seu antecessor.

Por sinal, dei-lhe voto de confiança quando da contratação, convencionando que além de fazer o óbvio ele poderia melhorar tecnicamente a equipe, exatamente a atribuição dele em clubes modestos do Norte e Nordeste do país.

Na prática Brigatti surpreende ao não colocar em prática aquilo que os seus mestres lhe ensinaram.

Enquanto o Bragantino assume liderança de grupo, aumenta a pressão sobre o Corinthians, três pontos atrás do Guarani, o vice-líder.