Allan Aal erra na estratégia do Guarani e Moisés é decisivo na vitória da Ponte

Time pontepretano ganhou o dérbi

Allan Aal erra na estratégia do Guarani e Moisés é decisivo na vitória da Ponte

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Por ‘centas’ razões o dérbi campineiro é marcado por imprevisibilidade.

Em circunstâncias normais seria plenamente admissível esperar o Guarani mais encorpado na noite desta quarta-feira, no Estádio Moisés Lucarelli.

Por consequência, o lógico seria a Ponte jogar atrás da linha da bola, e tentar sair no lucro através de contra-ataques, expediente que usou contra Santos e Ituano.

Evidente que o torcedor pontepretano está vibrando com a vitória por 3 a 1 sobre o maior rival, mas qualquer análise despida de paixão passa pelo reconhecimento que precisou apenas jogar um ‘tostãozinho’ a mais do então praticado.

Sim, aquela obrigação de transpirar bem mais em dérbi foi marca registrada pela Ponte, além de contar com lampejos decisivos de seu atacante Moisés, partícipe nos lances que determinaram os três gols.

ALLAN AAL

Quem diria que o treinador Allan Aal, do Guarani, fosse cometer erro crasso de planejamento de jogo?

Trocou o estilo corajoso de seu time atacar neste Paulistão, e a levou pra campo a proposta de jogar esperando o adversário, para, na retomada de bola, tentar colocar velocidade em contra-ataques.

Não bastasse a equivocada mudança de estratégia, difícil o bugrino admitir a troca de posicionamento do meia Andrigo, fixado na faixa direita do gramado, devido à ausência do atacante Bruno Sávio.

Ora, sem espaço para criar por dentro, Andrigo ficou encaixotado pela direita, mesmo tendo pela frente o improvisado lateral Felipe Alburquerque, escalado na esquerda.

E o time bugrino não teve ganho com a escalação do meia Régis por dentro, pois a bola raramente chegou ao meia-atacante Davó, enquanto o atacante de beirada Júlio César obedeceu orientações para primeiramente ajudar na marcação, e atacar se possível.

Assim, o Guarani passou todo primeiro tempo sem criar uma chance sequer.

LOCATELLI

Se outros adversários deste Paulistão tiveram percepção de que a Ponte não tem saída de bola qualificada, e o recomendável seria marcá-la sob pressão por ali, o Guarani preferiu começar a pegada pouco além do meio de campo, e com isso permitiu que zagueiros pontepretanos tocassem a bola livremente, até a aproximação do volante Vini Locatelli, que recebia o passe e tentava organizar as construções de jogadas, que na prática não prosperavam.

Quando isso não ocorria, defensores da Ponte alongavam a bola, na maioria das vezes visando incursões do lateral-direito Apodi ao ataque.

Assim aquele jogo fraco, que se arrastava, só ganhou lucidez quando Apodi, da direita, cruzou, o volante Dawhan resvalou na bola de cabeça, que se ofereceu ao atacante Moisés, que chutou de primeira e de forma indefensável, no canto direito do goleiro Rafael Martins: Ponte 1 a 0, aos 47 minutos.

EMPATE

De um escanteio favorável a Ponte Preta aos três minutos do segundo tempo, a maioria de seus jogadores se mandou à área adversária, e com isso foi oferecido o contra-ataque ao Guarani, puxado por Régis, que serviu Davó, livre de marcação.

Pior para os pontepretanos foi a má colocação de seu goleiro Ygor Vinha na jogada, pois deixou a meta praticamente aberta, na tentativa de fechar o ângulo. No desdobramento da jogada, no chute fraco do bugrino, não conseguiu chegar a tempo para evitar o gol: 1 a 1.

TALLES

A suposição de que o Guarani ditaria novo ritmo na partida caiu por terra quando infantilmente o seu zagueiro Talles cometeu pênalti na disputa com Moisés, aos sete minutos.

Aí, o centroavante Paulo Sérgio se encarregou da cobrança e converteu.

E ao passar à frente do placar novamente, sabiamente a Ponte Preta teve preocupação maior com a marcação, para não voltar a ser surpreendida, enquanto o Guarani havia sucumbido.

Allan Aal esperou 22 minutos do segundo tempo para sacar Régis, visando a entrada de Matheus Sousa. Com isso, Andrigo reassumiu a sua função por dentro, porém bem marcado e absorvido.

TERCEIRO

E já no expediente de contra-ataques, a Ponte chegou ao terceiro gol quando o zagueiro Rayan alongou bola de trás, o meia Camilo ajeitou de cabeça para Moisés, que driblou o lateral Pablo e finalizou: Ponte 3 a 1, aos 31 minutos.

Ora, se Moisés seria o jogador capaz de fazer a diferença pró-Ponte Preta, não seria Pablo, com dificuldade de marcação, o mais indicado na escalação, para marcá-lo.

Já que o Guarani tinha proposta de jogar esperando, o raciocínio lógico seria a escalação de um lateral mais talhado para marcação, caso de Éder Sciola, o que não ocorreu.

De prático, no segundo tempo para o Guarani, apenas a cabeçada do zagueiro Airton, cuja bola tinha endereço do canto esquerdo de Ygor Vinha, que no reflexo praticou a defesa.

O mesmo Airton que, desesperado, após o encerramento da partida, quis revidar provocação de Niltinho com a bola, durante o jogo, e foi expulso.

Agora, vai desfalcar a equipe contra a Inter de Limeira.