Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG alfineta TV Globo, Corinthians, Flamengo, Botafogo e até jornalistas

Dirigente questiona divisão de cotas de TV, é contra volta do mata-mata e diz que Globo pode salvar futebol brasileiro

No melhor estilo, “morde e assopra” presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, não deixou de criticar a atual divisão de cotas de TV do Brasileirão, em entrevista ao UOL Esporte.

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Belo Horizonte, MG, 08 (AFI) – O presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, definitivamente não tem “papas na língua”. No melhor estilo, “morde e assopra” o cartola não deixou de criticar a atual divisão de cotas de TV do Brasileirão, em entrevista ao site UOL Esporte. Entre alvos do polêmico, estiveram Corinthians, Flamengo, Botafogo, alguns jornalistas, além da Globo, detentora dos direitos das competições nacionais. Mas considera que a emissora carioca pode salvar o futebol brasileiro.

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Kalil não fugiu às polêmicas

Um dos pontos altos da entrevista é a “espanholização” – termo inclusive citado por Kalil – do futebol brasileiro. O tema tornou-se recorrente nos últimos anos na imprensa e entre os próprios clubes. Há um temor de que o Brasileirão passe a ter uma polarização entre Corinthians e Flamengo, assim como o Espanhol com Barcelona e Real Madrid. Isso por conta da divisão desigual de cotas.

“A única coisa que eu espero que seja discutida é a ‘espanholização’ do futebol brasileiro, porque eles só querem passar jogos de Flamengo, Corinthians, Corinthians e Flamengo. Só que a maior audiência da Globo no ano passado foi o Atlético-MG na Libertadores”, cutucou.

MATEMÁTICA EXATA?
O presidente atleticano questionou o raciocínio de que os Timão e Fla, por terem as maiores torcidas no Brasil, são os que dão mais audiência. Na visão do cartola, um time menor que brigue pela taça, como o Internacional, pode dar mais audiência do que um Flamengo caindo pelas tabelas. E, para argumentar sua lógica, ele não poupou os palavrões.

“Dão p… nenhuma! Quem dá Ibope é quem está na frente e quem disputa títulos”, disparou, ressaltando que este foi o motivo que fez a Globo se mexer e convocar os clubes do Brasileirão para discutir melhorias no futebol. “A Globo deve ter visto isso. Ela se f… quando deu 52% da renda para cinco times (Corinthians, Flamengo, São Paulo, Vasco e Palmeiras… A Globo está fragilizada porque a audiência está indo para o c…, e é só isso”, concluiu.

QUEM PLANTA CHUVA
Desde 2011, quando o Clube dos 13 foi implodido, os clubes passaram a negociar suas cotas de TV individualmente com a Globo. Com isso, a diferença de cotas entre os clubes aumentou. A partir de 2016, por exemplo, Fla e Timão deverão ganhar mais de R$ 100 milhões a mais que clubes como Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo.

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Maurício Assumpção vítima (ou responsável?) de crise no Botafogo

Aliás, o Botafogo é uma das principais vítimas do movimento que ele próprio incentivou, segundo Kalil. O Alvinegro foi um dos clubes que encabeçou o fim do Clube dos 13. Hoje, não consegue competir com os rivais Flamengo, Vasco e Fluminense – este último mais por conta do patrocínio da Unimed e menos por conta da TV.

Com mais de cinco meses de atrasos nos direitos de imagem, o Fogão vive uma crise profunda. Todas as receitas do clube estão bloqueadas pela Justiça por conta das dívidas que já superam os R$ 700 milhões. O presidente Maurício Assumpção até chegou a ameaçar a abandonar o Brasileirão.

SOLUÇÕES À VISTA
Uma das soluções para Kalil é a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, que foi adiada para após as eleições e tem gerado polêmicas, sobretudo, no pessoal do Bom Senso FC e parte da imprensa. Esta, aliás, também foi criticada pelo mandatário do Galo: “Só sabem fazer b… e querem que os clubes vão para p… que os pariu”.

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Bom Senso FC, assim como Kali, é contra mudança de fórmula no Brasileirão

Preocupada com a queda de audiência com o futebol, a Globo se reuniu com os clubes mais para propor a volta do mata-mata do que para discutir melhorias no esporte. O dirigente do Atlético se mostrou contra a mudança da fórmula do campeonato, e considera que a Globo pode salvar o futebol.

“Pelo amor de Deus! Isso (fim dos pontos corridos) seria andar para trás. Hoje o Atlético-MG tem autoridade para falar isso porque é o terceiro clube do Brasil em venda de pay-per-view”, afirmou. “Se for para fazer gracinha eu levanto e vou embora. Meu amigo, a Globo tem de dar uma solução para nós”, concluiu.