Adeus a Zé Roberto, boêmio que jogou no Guarani em 1967

Atacante morreu neste sábado de sete de maio em Serra Negra

Adeus a Zé Roberto, boêmio que jogou no Guarani em 1967

No dia 14 de fevereiro, duas semanas após a implantação da coluna Cadê Você, o personagem enfocado foi o atacante Zé Roberto, ex-craque de 71 anos de idade, radicado em Serra Negra, aposentado e recuperado de um AVC (acidente vascular cerebral) há três anos.

Pois Zé Roberto morreu neste sábado sete de maio, após complicações de uma úlcera, e deixou a história de atleta indisciplinado, boêmio, mas sobretudo artilheiro.

E um ano de sua história na bola foi escrita em Campinas, no Guarani.

Na produção da coluna há dois meses, contei a história de uma goleada do Bugre por 3 a 0 sobre a Portuguesa Santista, pelo Campeonato Paulista, no Estádio Brinco de Ouro.

Foi na tarde do sábado de 19 de agosto de 1967, época em que jogos vespertinos começavam às 15h, e que que ele marcou dois gols. O ponteiro-esquerdo Dalmar, que pegava forte na bola, marcou o outro.

Lembro-me como fosse hoje a testada certeira de Zé Roberto, sem chances para o goleiro Cláudio. O então meia-direita bugrino subiu com estilo, e aparentemente mais alto de que a trave.

Time bugrino da época? Pois não: Dimas; Miranda, Paulo, Guassi e Diogo; Bidon e Milton dos Santos; Carlinhos, Zé Roberto, Parada e Dalmar. Técnico: Aparecido Silva.

Na ocasião eu engraxava sapato em cadeira montada no quarteirão de parada de ônibus da Viação Cometa, única empresa de transporte de passageiros de Campinas a São Paulo, defronte à antiga estação ferroviária de Campinas.

Ali, em janelinha de ônibus, era comum observar a farra de Zé Roberto com biscoiteiros, vendedores ambulantes e carregadores de mala.

E a farra se acentuava na noitada paulistana com bebidas e mulherada. Repetia-se o lema de que ‘o dia seguinte a Deus pertence’.

Zé Roberto jamais negou que desfrutou de prazeres da vida noturna, confessou não se arrepender de nada, mas desaconselhou garotos que ingressaram no futebol profissional enveredar por aqueles caminhos.

Após empréstimo ao Guarani, retornou ao São Paulo em 1968 – clube que o revelou – mantendo atitudes inconsequentes.

Cerca ocasião, se apossou de obra de pintura a óleo de apartamento de um amigo, e se mandou para a Praça da República sem que fosse notado. Quando constataram atleta e objeto desaparecidos, saíram à procura, localizando-os em feira de expositores.

Claro que o quadro não seria vendido. Tudo não passou de brincadeira para assustá-los.

O apogeu na carreira dele foi na dupla Atlético Paranaense e Coritiba. Há histórico também na Seleção Brasileira.