Acredite se quiser!

* O Gazeta, antigo time amador de Campinas que chegou disputar uma divisão federada, depois de Guarani e Ponte Preta, era o terceiro time da cidade. Tinha imponência de grande equipe e chegou a contar com jogadores de grande fama.*

* O Cilinho, que jogava pelo Guarani deixou o Bugre, imagina, para jogar no Gazeta. Aliás, foi no Gazeta que o conhecido e respeitado técnico iniciou sua carreira já demonstrando conhecimentos em estratégias, o que, em pouco tempo, o tornou famoso. Por conta disso foi técnico no Guarani, na Ponte Preta, São Paulo e em dezenas de outros importantes clubes. *

* O Gazeta, embora fosse campeão Varzeano em quase todos os anos, apresentava um diferencial enorme sobre os times de Campinas e certamente do interior do Estado: O Gazeta tinha verdadeiras feras (malandros, no bom sentido) como diretores e era exatamente ai que moravam os grandes sucessos.*

* São inúmeros os casos, porém, quero contar apenas um que representa bem o que foi a esperteza desses dirigentes. Aliás, um deles Ponte-pretano doente, ainda vivo, e que ocupou todos os cargos na Ponte, foi quem protagonizou o acontecido: *

* Por contusões, expulsões, além de outros motivos, o Gazeta não podia contar com seus principais jogadores na partida de domingo contra o Sousas. O Gazeta, para exemplificar, que precisava desesperadamente da vitória, não tinha sequer onze jogadores para colocar em campo. *

* Este diretor e jogador Gazeteiro a que me refiro, depois de muito
matutar, convidou dois colegas no sábado à noite, sem nada falar sobre o plano, e seguiram, DE MADRUGADA, para o estádio do Sousas.*

* Lá, um ficou na porta observando o movimento de rua. Qualquer presença incomoda deveria ser avisada através de um assobio. Os outros dois, depois de pularem o alambrado, munidos de serra de corte, serraram os dois pés de um dos gols. A serragem atingiu 95 por cento, fazendo com que os cinco por cento restante, mantivessem a trave de pé.*

* Agora a explicação: estudioso profundo das equipes adversárias, esta pessoa a que me refiro, sabia que o goleiro do Sousas costumava fazer arrastar o pé direito de uma trave à outra. Depois, encostava na trave e nela batia com força com a sola da chuteira.*

* Final, para espanto geral, a trave caiu. Foi aquele corre-corre. O árbitro, Maurício Brandão, deu meia hora para o Sousas arrumar um serralheiro que soldasse os dois pés da trave. Como não conseguiram, a partida foi adiada e o Gazeta safou-se da derrota. *

* HISTORIA PARECIDA EM BELEM *

* O técnico João Avelino, o popular 71, foi contratado para dirigir o Remo, em Belém do Pará. A equipe razoavelmente boa não tinha, entretanto, um bom goleiro. Foi ai que João Avelino mandou contratar Raimundinho, da Votuporanguense.*

* Raimundo, nos anos 60, foi um dos melhores goleiros do interior de São Paulo. Chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira de Novos apesar da sua baixa estatura.*

* “Como vou dizer para os Paraenses que Raimundinho, com esse tamanho é a solução ?”, perguntava para ele mesmo o técnico João Avelino.*

* Terminado o campeonato o Remo foi campeão e Raimundo eleito o melhor jogador do campeonato. Só depois de encerrado o contrato e de volta à São Paulo, João Avelino contou o que fez: sem que ninguém soubesse, contratou um serralheiro amigo e mandou que este diminuísse a altura das traves em 10 centímetros. *

* Entendem os raros leitores por que digo sempre que antigamente o futebol era mais romântico ? *

* DEU NO QUE DEU *

* Num dos primeiros trabalhos que fiz para o FUTEBOL INTERIOR, falei da dificuldade de relacionamento que Luxemburgo teria com J. Hawilla. O técnico falastrão poderia bater de frente com todos os diretores, torcida, jogadores… Menos com o Hawilla. Bateu, levou. Está desempregado. *