Acredite se quiser. Mas o pior é que é verdade

São Paulo, SP, 26 (AFI) – Agindo contra todas as evidências e sem um mínimo de lógica, Alberto Dualib e Nesi Curi, respectivamente presidente e vice do Corinthians, sonham com uma reversão dos fatos capaz de mantê-los no poder.

Uma comprovação de que ambos possuem esta aspiração foram os acontecimentos da última quarta-feira, um dia apenas após a votação maciça, unânime do Conselho Deliberativo, convocando uma nova reunião, cujo único item da pauta é o afastamento dos dois dirigentes.

Menos de 24 horas depois a histórica reunião do Conselho que encerrou também a parceria com a MSI, Dualib e Nesi reuniram-se na sala deste último, no quinto andar da sede social e começaram a traçar o plano mirabolante que os impediria de sair da direção do clube.

Os pontos principais da verdadeira alucinação:

1. O velho aliado de ambos, Carlos Senger, presidente do CD, seria acionado como peça-chave da estratégia. Senger abriria uma ação na Justiça Comum alegando que foi forçado a marcar as reuniões para decidir o afastamento de Dualib e Curi. Afirmaria na petição que já tinha encerrado a sessão quando conselheiros lhe obrigaram a marcar as datas de 7 e 12 de agosto, esta última uma Assembléia Geral em que os associados votariam o afastamento.

2. A outra argumentação de Senger na ação a ser proposta seria a de que a reunião do CD em 7 de agosto seria inócua, nada podendo decidir, uma vez que afastamento de presidente e vice eleitos de entidades esportivas somente poderia ocorrer por Assembléia Geral, segundo interpretação de artigo do novo Código Civil.

3. Dualib e Curi também contariam com a pressão que exerceram sobre membros do CORI, que em sua última reunião votou a recomendação de afastamento. O placar foi de 8 a 4 pró afastamento. Mas ambos já teriam conseguido reverter dois votos. E, contando com a ajuda de Vadi Helu, poderiam conseguir mais dois. Assim, com um empate na questão, tentariam tornar sem efeito a recomendação do CORI que embasou a marcação das reuniões do CD a 7 de agosto e Assembléia Geral a 12 do mesmo mês.

Com esse imbróglio armado, Dualib e Curi se amparariam na morosidade da Justiça Comum para prolongar o status quo administrativo. Em outras palavras, driblando a votação do afastamento sine die.

O mais grave é que os dois agem como se o Corinthians não estivesse vivendo a pior crise política desde a sua fundação. Como se a opinião Pública não exigisse a saída deles. Como se os próprios associados não se conformassem com a situação a que o presidente e o vice colocaram o clube.

Exposto. Execrado. Sangrando sem parar.

Alheios à constatação de que o presidente do Corinthians não pode ir a nenhum estádio de futebol assistir num jogo do seu time, que necessita andar com seguranças o tempo todo, que não pode freqüentar lugares públicos, como um restaurante, por exemplo, não possuem mais qualquer base de sustentação no Conselho Deliberativo, que a diretoria executiva não mais
existe, eles tentam fingir que ainda têm futuro político no Timão.

Insuflados por Renato Duprat (sim, inacreditavelmente ele ainda dá as cartas), Dualib e Curi sonham com os 20 milhões de reais que estariam chegando com a venda de Carlos Alberto ao futebol alemão para tocar o dia-a-dia do alvi-negro e saldar algumas contas atrasadas mais urgentes.

Eles não explicam como o dinheiro virá, uma vez que a Justiça Federal proíbe depósito da MSI na conta do Corinthians e Carlos Alberto é um jogador do esquema MSI em sociedade com a Global, do empresário Pini Zahavi.

O Corinthians cometeria uma irregularidade para receber o dinheiro?

Dualib e Curi não explicam. Aliás, há muito eles não falam com a imprensa. Duprat diz que perdeu o celular que há um ano o clube lhe forneceu e também não atende jornalistas, embora o Corinthians continue a pagar suas milionárias contas telefônicas.

O clube deve perto de 70 milhões e não tem onde buscar receitas, a não ser na venda de jogadores, mas Alberto Dualib e Nesi Curi insistem em continuar mandando. E gastando.

Não há o mínimo clima político para que ambos permaneçam em seus cargos.

Mas eles agem e falam como se vivessem em outro planeta.

Na quarta-feira, 25, Nesi Curi avisava sua secretária que chegaria só depois do almoço na quinta, 26.

–Tenho que passar na Isnard da avenida São João e na Pirani, da Celso Garcia, para ver se encontro umas agulhas para minha vitrola RCA Victor.

Não posso esquecer de ir ao Banco Noroeste, assinar uns papéis. E pretendo almoçar no restaurante Papai, na Praça Clovis Bevilacqua. Finalmente, antes de vir para o clube, vou dar um pulo na Assembléia Legislativa falar com o deputado Vadi Helu e dar um abraço no presidente da Casa, o Januário Mantelli Neto.

Alberto Dualib, que a tudo ouvia, falou:

–Vamos combinar, Nesi. Passo na sua casa na Aclimação. Estou pensando em ir com você.