Acesso lendário do Guarani no Brasileirão completa 20 anos nesta sexta-feira

Em 1991, o Bugre conquistou o acesso para a elite do Brasileirão após superar o Coritiba

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Campinas, SP, 13 (AFI) – Nesta sexta-feira, dia 13, está fazendo 20 anos que o Guarani conquistou um dos mais difíceis acessos de sua centenária história. Na ocasião, o Guarani venceu o Coritiba por 1 a 0, no tempo normal e, depois voltou a vencer nos pênaltis, garantindo o acesso para o Campeonato Brasileiro da Série A de 1992. Em 1991 apenas dois times subiam da Série B para a Série A e, além do Guarani, o Paysandu-PA foi outro time que subiu, tendo, inclusive, sido o campeão brasileiro da Série B daquele ano.

Apesar da atual fase do Guarani ser um verdadeiro sobe e desce, acesso mais difícil e lendário que este de 1991, somente o que levou o Guarani a disputar pela primeira vez o Campeonato Paulista, em 1949, na final disputada em 12 de fevereiro de 1950, na estádio da Rua Javari, em São Paulo. Em 1950, o Guarani venceu o Batatais por 2 a 1, gols de Zico e Dorival, tornando-se o segundo clube do interior a ascender para a elite, atrás somente do XV de Piracicaba, que alcançou o feito um ano antes.

Guarani na Série A
O Guarani começou a disputar o Brasileirão em 1973, sendo que nos anos 1981 e 1984 o time campineiro esteve fora da competição. Na época não havia rebaixamento e o Guarani não esteve na divisão da elite nacional em razão de campanhas negativas no Campeonato Paulista, classificatório para o Nacional. Em 1987, mesmo tendo sido vice-campeão brasileiro no ano anterior, por falta de capacidade política do então (e atual) presidente Leonel Martins de Oliveira, o Guarani disputou a Série B. Voltou em 1988, mas no ano seguinte fez uma campanha negativa e foi rebaixado.

Disputou a Série B em 1990 e brigou pelo acesso, mas acabou sendo eliminado pelo Sport-PE, no estádio Brinco de Ouro, em Campinas, em uma polêmica partida em que o árbitro carioca Paulo Roberto Chaves Duarte prejudicou muito o Guarani no empate de 1 a 1. Pelo regulamente atual, com o acesso de quatro equipes, o Guarani teria conquistado o acesso já em 1990.

Mas dois anos consecutivos em uma Segunda Divisão, ainda que em competição nacional, era revoltante para um time com a estrutura e história do Guarani, e em 1991 o único objetivo era o acesso. O então presidente Beto Zini contratou o carismático treinador Pepe e começou a montar uma equipe forte e competitiva.

Beto Zini contratou jogadores conhecidos como os veteranos Biro-Biro, Ernani (ex-Ponte Preta) e Nenê, este jovem meia revelação do Botafogo de Ribeirão Preto. Antes, o lateral Edson Abobrão, que estava no Palmeiras e que tinha jogado na Seleção Brasileira, já havia sido contratado. Assim como o goleiro Silas, campeão paulista pela Inter de Limeira; Vladimir e Gilmar, do Rio Grande do Sul; Julimar, da Ferroviária; Vânder Luiz, do Atlético Mineiro; Zé Roberto, do São Bernardo; Vagner, atacante do XV de Piracicaba; Buião, ponta do Palmeiras; e Claudinho, ponta destaque da Inter de Limeira.

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Apesar de todas estas contratações, o principal jogador do Guarani era o zagueiro Pereira, que após a conquista do acesso foi negociado com o futebol japonês. E o melhor jogador bugrino da Série B foi o goleiro Marcos Garça, que fez grandes partidas e garantiu a classificação do Guarani em um partida fantástica contra o Botafogo, em Ribeirão Preto. Além deste jogo, Marcos Garça fez outras grandes partidas, mas acabou não tendo sequência como titular da equipe campineira.

Depois do acesso para o Campeonato Brasileiro de 1992, o Guarani continuou na Série A até 2004, quando acabou sendo rebaixado, voltando a disputar a competição somente em 2010, mas voltando a ter outro rebaixamento e este ano terá que disputar, mais uma vez, a Segunda Divisão do Brasil.

Primeiro jogo oficial de 1991 contra Felipão
Depois de alguns treinamentos e um amistoso contra o Rio Branco de Andradas-MG, o Guarani fez sua estréia na Série B de 1991 no dia 27 de janeiro empatando em 0 a 0 contra o Atlético Goianiense, em Goiânia. O time do Atlético Goianiense era dirigido por Luiz Felipe Scolari e Celso Roth era o preparador físico.

Até os dois jogos finais, no sistema mata-mata, contra o Coritiba, o Guarani fez 18 partidas na Série B. Foram sete vitórias, dez empates e uma derrota, para o desativado Grêmio Novorizontino. No mata-mata contra o Coritiba, o primeiro jogo foi no estádio Couto Pereira, em Curitiba, no dia nove de maio (quinta-feira), com o time da casa vencendo o Guarani por 1 a 0, gol do zagueiro Heraldo.

O jogo da volta foi na noite de segunda-feira, dia 13 de maio de 1991. O Guarani precisava vencer para levar a decisão para os pênaltis. E logo no início da partida teve um pênalti a seu favor, mas Pereira errou. No jogo de Curitiba, Chicão também havia errado um pênalti, com o goleiro Marcos Garça fazendo a defesa.

Mas Pereira recupou-se ao marcar o gol do Guarani no final do primeiro tempo. Na etapa complementar, o jogo foi emocionante, ficando a decisão para os pênaltis. Todos os jogadores do Bugre converteram, mas Nardela errou. A cobrança que definiu o acesso do Guarani foi convertida por Edson Abobrão.

Todos que jogaram em 1991
Além do time que atuou no jogo do acesso contra o Coritiba, o Guarani utilizou os seguintes jogadores: Silas (goleiro), Vladimir (zagueiro), Gilmar (lateral esquerdo), Charles Guerreiro, Vânder Luiz, Zé Roberto, Fábio Henrique (volantes), Toninho, Ernani, Adriano (meias) e Helcinho, Buião, Zé Carlos, Paulinho e Alex (este já falecido) (atacantes). Na comissão técnica o preparador físico era Luiz Flávio Buorgemino, auxiliado por Cleber Augusto, hoje de volta ao Guarani com o treinador Vilson Tadei. E o auxiliar-técnico era José Roberto Fernandes. Herman era o terinador de goleiros.

Ficha Técnica do acesso de 1991

Guarani 1 x 0 Coritiba

Estádio Brinco de Ouro, em Campinas/SP
Data: 13/05/1991
Público: 15.218 pagantes
Gol: Pereira, aos 44 minutos do 1º Tempo
Juiz: José Roberto Wrigth (FIFA-RJ)
Decisão nos Pênaltis: Guarani 5 x 4 Coritiba
Gols do Guarani: Voney, Pereira, Vágner, Valmir e Edson Abobrão
Gols do Coritiba: Heraldo, Chicão, Pachequinho e Catani. Nardela (ex-jogador do Guarani em 1979) errou.

Guarani
Marcos Garças; Jura, Paulo Silva, Pereira e Julimar; Biro-Biro, Edson Abobrão, Nenê e Valmir (Ivair); Voney e Claudinho (Vágner). Treinador: Pepe

Coritiba
Luiz Henrique; Catani, Jorjão, Heraldo e Márcio; Hélcio, Emerson, Pedrinho Maradona e Tostão (Nardela); Chicão e Pachequinho. Treinador: Levir Culpi