Abandono da base! Entenda os porquês da má fase do Paulista

Jundiaí, SP, 11 (AFI) – A dificuldade que o Paulista vem tendo na temporada 2008 é resultado de diversos fatores: problemas para encontrar o técnico ideal, manutenção de uma base que foi rebaixada para a Série C do Campeonato Brasileiro, no ano passado, e a falta de um goleiro que inspire segurança à torcida e ao grupo de jogadores.

Outro fator que vem pesando contra o time jundiaiense é a crise técnica que as categorias de base do clube estão passando. Resultado disso é que, na semana passada, o Paulista teve que buscar três jogadores na base do Fluminense (Léo Itaperuna, Diego e Fernando) ao invés de utilizar jogadores das suas próprias categorias menores.

Em um passado não muito distante, quando venceu a Copa do Brasil, em 2005, a situação do Paulista era bem diferente e as categorias menores abasteciam o time profissional, não sendo necessário a vinda de jovens jogadores de outros times. Do time titular que decidiu o título contra o Fluminense e contando os três atletas que entraram no decorrer da partida, 66,6% da equipe foi formada nas categorias de base do clube.

Dos quinze atletas, dez iniciaram a carreira em Jundiaí (o goleiro Rafael Bracalli, os laterais Lucas, Julinho e Fábio Vidal, o zagueiro Réver, e os meias Amaral, Elvis, Mossoró, Cristian e Fábio Gomes). Participaram da decisão, apenas cinco atletas que vieram de fora (o zagueiro Dema, os meias Juliano e Jéfferson, além dos atacantes Léo e André Leonel). O próprio técnico da equipe campeã da Copa do Brasil foi “formado” em Jundiaí, já que o primeiro time que Vágner Mancini dirigiu foi o Paulista.

Pós-título!
Após essa “safra” que deu ao clube o título da Copa do Brasil, as categorias menores do Paulista pararam de abastecer o time profissional. Tanto é que após a conquista nacional, com a negociação de diversos atletas, pouquíssimos jogadores da base representaram o Galo na Copa Libertadores de 2006.

Do time que, no dia 5 de abril, venceu o River Plate em Jundiaí, por 2 a 1, apenas quatro jogadores foram formados em Jundiaí (Rafael Bracalli, Lucas, Réver e Amaral); todos os outros atletas que disputaram essa partida vieram de fora (Dema, Beto, Wilson, Muñoz, Jaílson, Glaydson, Douglas Marques e Bosco).

Dando seqüência a essa falta de jogadores formados no clube sendo aproveitados no time profissional, apenas 27% da equipe do Paulista considerada titular em 2007 (Victor; Marco Aurelio, Dema, Marcus Vinícius e Fábio Vidal; Réver, Marcelo Oliveira, Diogo e Gláucio; Gilsinho e Marcos Denner) foi formada em Jundiaí.

Apenas os remanescentes da Copa do Brasil, Victor, que era reserva de Rafael, Réver e o experiente Fábio Vidal, vieram das categorias menores do Galo. Marcelo Oliveira, o maior destaque dessa equipe, veio emprestado pelo Corinthians.

Cenário atual!
Em 2008, o atual técnico Giba também não conta com muitas peças formadas em Jundiaí: apenas Réver, Jairo e Eduardo vêm sendo aproveitados. Os dois últimos, inclusive, vem da safra posterior a que foi campeã da Copa do Brasil em 2005.

Porém, os maiores valores dessa geração já não estão mais no clube: os meias Felipe Sodinha, hoje na Udinese, e Luiz Henrique, no Santos, conseguiram a liberação após algumas batalhas judiciais, enquanto o zagueiro Eli Sabiá e o volante Rodolfo tiveram que ir para o Lausanne, da Suiça, como parte da parceria com o Campus Pelé.

Na última Copa São Paulo de Juniores, em que o Paulista foi eliminado na primeira fase alguns jogadores despontaram como promessas. Apesar do mal desempenho da equipe, o zagueiro Eli, o volante Willian, o meias Samuel e os atacantes Alan e Thales agradaram o atual coordenador das categorias de base do clube, Marcos Biasoto.

“Já deu para perceber nessa Copa SP alguns valores que em um curto espaço de tempo vão poder ser integrados ao time profissional”, disse Biasoto à Rádio Cidade, logo após a eliminação na Copa SP. Ele, inclusive, foi um dos responsáveis pela estruturação das categorias menores do Paulista no final da década de 90.

Diante do bom trabalho, ele foi convidado para dirigir a base do Atlético-PR. Agora, diante do investimento do Campus Pelé, retornou a Jundiaí. “Para termos algum resultado em categoria de base, leva-se anos. Aquela base de 2005 só foi vitoriosa porque houve um trabalho bem feito alguns anos antes. Agora estamos retomando toda aquela estrutura”, explicou Biasoto.

O próprio presidente do Paulista, Eduardo Palhares, disse em recentes entrevistas que o time sub-15 é muito forte. “Estamos retomando a força na base e temos um time sub-15 maravilhoso. Com certeza esses jogadores vão dar muitas alegrias a torcida daqui alguns anos”, afirmou.

De acordo com o gerente de futebol, Moisés Cândido, após a saída da Parmalat do Paulista. não houve mais investimentos nas categorias menores. “Paramos de investir, até pela falta de recursos, e o resultado está vindo agora com poucos jogadores da base no time de cima. Mas estamos retomando isso e o quadro tende a mudar”, finalizou Moisés.