A ordem mundial é marcar

A opinião é unânime: o futebol mudou. Mudou no Brasil, na Itália, na Inglaterra, enfim no mundo. A força física fez com que marcar seja prioridade. Infelizmente para os românticos não é marcar gols, e sim marcar no sentido de marcação, pressão na bola.

Hoje, um time que chega nos primeiros lugares em qualquer campeonato,joga com oito, nove e até dez atletas atrás da linha da bola. Antes, isso acontecia só no futebol europeu, mas agora é moda aqui no Brasil.

O exemplo é o pentacampeão brasileiro São Paulo. Na época do técnico Cilinho, que acaba de ser contratado para as categorias de base do Corinthians, a prioridade era o ataque. Muller, Silas, Careca, Pita e Sidnei jogavam na frente, buscando o gol. Assim foi também o São Paulo do saudoso Telê Santana.

O São Paulo atual, do técnico Muricy Ramalho, joga com 3 zagueiros, seus atacantes marcam muito e se um atleta perde a bola, ai dele. Tem que correr atrás dela até recuperá-la È uma exigência de Muricy.Assisti ao jogo pela Champions League na última quarta-feira entre Shakhtar Donetsk da Ucrânia e Milan.

O atacante brasileiro do Shakhtar Brandão, que foi um autêntico centro-avante aqui no Brasil pelo São Caetano, foi um defensor, mais especificamente lateral esquerdo, assim que o Milan tinha a posse da bola.

A temperatura de dois graus ajudou muito essa movimentação do atleta, mas com vários defensores, os times tentam primeiro não tomar gols, para depois marca-los. Assim está a filosofia do futebol globalizado: quem não faz uma boa marcação não vence um jogo e tampouco um campeonato.