A "cama" deixou J. Havilla rico
A "cama" deixou J. Havilla rico
Na década de 60, mais precisamente nos anos 66 e 67, o J. Havilla, um belo exemplar filho de árabe, moçoilo lá com seus 18 anos, cabelos longos, roupas estravagantes, sem o hábito de usar meias, karman-Guia vermelho, do ano, chega em Votuporanga para gerenciar a decadente Rádio Piratininga, que pertencia, como tantas outras, a Miguel Leuzi. Nós que lá estávamos, com salários atrasados, lutando para manter a emissôra no ar, quando vimos o Havilla chegar perguntamos: o que esse pobre coitado veio fazer aqui ? Sair de São José do Rio Prêto, cidade cheia de encantos, ótimos cinemas, os melhores clubes do interior, bons colégios, restaurantes das melhores comidas, meretrício que só perdia para Bauru, para fazer o quê em Votuporanga ?
Além do mais, a cidade que não passava de uma promessa de prosperidade, já contava com excelente emissôra, a Rádio Clube, que tinha o melhor radialista-jornalista do Brasil que era Luiz Rivoiro, e também Oliveira Prates, Osvaldo Tridapalli, Alberto Mariano, Luiz Carlos Bordoni, Jonas Rosa, Ticão, Oséas Arantes, Celso Tridapali, Marinalva Góes, ainda foi buscar Ubiurajara Lemos e Oneide Aparecida, para evitar imprevistos e derrotar o recem chegado. Além do mais, quem botaria fé na joavialidade daquele play-boy ? Muito bem, aos poucos o Havilla foi se apresentando e mostrando para que veio. Em pouco tempo a programação da Piratininga estava brigando de igual para igual com a Rádio Clube. Os salários já não estavam atrasados e, nós, os funcionários, já podíamos andar de cabeça erguida pelas ruas sabendo que nenhum comerciante viria perguntar sobre as contas atrasadas, nossas e da Rádio. A Piratininga que antes só fazia transmissões esportivas locais passou a viajar com a Votuporanguense onde ela jogasse.
Quem ganhou ? Foi a cidade de Votuporanga, que passou a contar com a Rádio Clube ainda mais forte. A Rádio Clube melhorou também o seu jornal semanário, “A Vanguarda”, fazendo com que o “Oeste Paulista”, outro semanário, do grande jornalista Viana Filho, que fez história na cidade, também melhorasse para continuar competindo. O Havilla, que indiretamente mexeu com a vida de todo mundo, sem patrocinadores de peso e também porque a luta contra a Rádio Clube era dificílima, fez uma única contratação: Sergio de Carvalho, hoje, destacado, brilhante e respeitado jornalista de seis copas do mundo e colunista do Futebol Interior. Ao Havilla, que vez em quando participava das transmissões esportivas, cabia o gerenciamento, a melhoria do faturamento e receber o inspetor da Rede Piratininga, Sr. Alvoacir, homem carrancudo, de poucas palavras e extremamente desconfiado. Só que tinha um pequeno problema: o Havilla, que morava em um quarto de hotel, não admitia ser acordado antes das 10 da manhã. E, a incumbência era minha. “Não se pode chamar o homem antes das 10, ouviram ?” “ E se fôr o Alvoacir que mandar chamar ?” “Nem se for o Miguel Leuzi, e estamos conversados”, eu dizia.
Em 68, depois de uma rápida passagem por Jales, cidade também da noroeste do Estado, o nosso jovem e vitorioso play-boy se manda para a Capital de São Paulo, contratado pela Rádio e TV Bandeirantes. Fica ali por bom tempo e forma-se em Direito. Pelo seu brilhantismo, é contratado pela TV Globo e, ai é que vem a história da cama. O Havilla foi escalado para um quadro às 6 e meia da manhã, num programa em que o jornalista entrevistava algum figurão tomando café numa mesa pomposa, toda incrementada com frutas coloridas, paes de todas as espécies, bolos, sucos, leite, café, tudo servido em um jogo de serviço em prata reluzente. A concorrência, por pura maldade, dizia que as frutas eram de plásticos. Quando lhe deram a notícia de sua escalação e que deveria estar no estúdio por volta das cinco para os preparativos , o Havilla bradou: “ O quê, eu levantar as cinco da madrugada prá fazer entrevista ? Só pode ser brincadeira. Eu não venho” !!!.
E não foi. Isto, evidentemente, custou-lhe o emprego, porém, com o dinheiro da demissão comprou uma praticamente falida empresa de placas em pontos de ônibus, TRAFFIC, que, ele, Havilla, tranformou na terceira ou segunda maior empresa de Publicidade e Markting Esportivo do Planeta. O Havilla, por mérito único e exclusivo, é proprietário da Rede TV TEM, retransmissôra da Globo em São José do Rio Prêto, Bauru, Sorocaba e Itapetininga, além de outros ivestimentos na área da comunicação. É por isso que digo sempre: administrar com sucesso não é sorte. É, acima de tudo, dedicação, conhecimento, competência e trabalho, que às vezes vara a madrugada. Entendeu porque o nosso vencedor acordava às 10 da manhã ?





































































































































