A Burrobrás mata um técnico por semana
Os comentaristas de chuteiras e os prancheteiros – aqueles que resolvem jogos com desenhos, contando também com os estatisqueiros, são corporativistas
Poucos escapam e, se a gente quiser, dá para formar uma sociedade, mesmo sem CPF ou CNPJ, porque, toda semana, um treinador de futebol é pendurado no poste da execração pública.
Do alto do Monte Everest, um analista ponderou a Dorival Junior, depois da vitória do Santos contra o Corinthians, se não era a hora de uma reciclagem geral dos nossos treinadores. A resposta veio de bate-pronto:
“Reciclagem, não. Primeiro, vem a formação. E qual é a formação que se tem no Brasil“?
Até que enfim, uma resposta inteligente no momento de uma burrice total em nosso futebol. Poucos escapam e, se a gente quiser, dá para formar uma sociedade, mesmo sem CPF ou CNPJ, porque, toda semana, um treinador de futebol é pendurado no poste da execração pública. O nome ideal para essa sociedade seria a Burrobrás. Afinal, uma estatal a mais faz diferença? Nenhuma. O técnico “morre” numa semana e ressuscita na outra. Mas é triste.
Não tenho procuração adjudicia para defender nenhum treinador. O pouco de futebol que sei aprendi com o saudoso Oto Martins Gloria e Ithon Fritzen. E esse pouco que sei não me credencia a desempregar ninguém. Até porque o problema do futebol brasileiro não é treinador. É falta de craques. Diante da escassez de jogadores do nível de um Didi, Djalma Santos, Ademir da Guia, Rivelino, Tostão, Dirceu Lopes, Gerson, Roberto Dias, Edson Cegonha, Jairzinho, Clodoaldo (sem citar Pelé, paremos por aqui, porque é covardia).
Os comentaristas de chuteiras e os prancheteiros – aqueles que resolvem jogos com desenhos, contando também com os estatisqueiros, são corporativistas. Jogador é sempre preservado, pois o espírito de classe prevalece. O culpado é sempre o cartola – culpado porque além de errar vai na onda desse festival de mesmices e babaquices.
Até pode-se compreender esse habeas-corpus midiático para jogadores que não jogam nada, mas sempre são endeusados. Basta fazer uma jogada boa ou gol bonito e o boleiro recebe o título de craque e ainda pede música naquele programa de tevê que cansa até cachorrinho de madame.
O craque das manchetes pode errar. Recebe uma críticasoft e pronto. O treinador, se o time perdeu, vira saco de pancadas. Se o time já vinha mal, uma derrota em determinadas circunstâncias, é suficiente para o treinador levar um bico nos fundilhos e no dia seguinte ligar para um empresário amigo ou então entrar na fila do SINE, serviço nacional de emprego.
Claro que os treinadores aprenderam o pulo do gato. Assinam contratos com multas altas. Assim, mesmo sendo desmoralizados, têm a garantia financeira. O cartola entrega a cabeça do treinador, ele não perde dinheiro e as hienas se divertem.
Trocar treinador é a mesma coisa que trocar de cueca. Assim, caminha o nosso futebol. Já ganhamos copas com bons treinadores. Salvo as exceções, hoje, com a falta de formação de craques, vivemos uma ciranda macabra. Não ganhamos mais nada importante.
E olhem que tivemos Feola, que não era gênio como técnico, foi campeão; Aimoré Moreira, também campeão em 1962; Telê Santana, bom treinador que perdeu em 82 por causa da soberba. Ganhamos com Zagalo em 70 e 2002 com Scolari. Tínhamos craques. Não demonizem os treinadores. Isso é endossar e fortalecer os desejos da Burrobrás. Afinal, quem é mais burro? Quem contrata? Quem desapoia ou aceita essa humilhação no circo mambembe do futebol?

CPI VAI MEXER NOS ESTÁDIOS
OU VAI DEIXAR PRÁ LAVA-JATO?
Você acredita em CPI da CBF com Romero Jucá como relator? O homem é um serviçal de luxo de todos os governos. Todo mundo sabe quem é quem no futebol. Quem não conhece Marin, Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira? Sem o artigo 127 da Constituição eles não botariam a cabeça de fora.
O jornalista Jamil Chade cansou de denunciar esses caras. Repetir tudo outra vez? Chamem a Polícia Federal, o Ministério Público ou o dr. Sérgio Moro. O resto é palanque de réptil de asfalto. Criem sub-relatorias na CPI e apurem a roubalheira na construção de estádios. Ficar só no varejo da corrupção cheira mal.
TORRE VAI LONGE. E MAIS ALTO.
O PALMEIRAS QUE SE CUIDE
O dono da arena do Palestra Itália faz seu jogo. Tira proveito do contrato leonino que lhe deram. O homem quer que o clube não venda mais ingressos através da Avanti. Isso prejudica as vendas das cativas.
Torre entrou com um pedido de arbitragem na Fundação Getúlio Vargas. Além disso, está lá na disputa da exploração das 10 mil cadeiras. Torre quer toda a renda. O Palmeiras acha-se dono das 43 mil cadeiras. É mesmo?
PIXULECOS
1 – Numa reunião social, um corintiano maldoso bateu firme:
“Acho que o Tite proibiu o nosso time de ir ao ataque e de chutar em gol”.
Contra o Santos, na volta da Copa do Brasil, se isto acontecer, o bicho vai pegar.

2 – Fabricio é mais um formado na base do Corinthians que vai embora. Começou em Campinas, No Primeiro Chute. Tem futuro. Os donos da Lei Pelé devem estar muito satisfeitos. Os empresários, nem se fala. No fim sobrará um pedaço de pizza para o Corinthians.
3 – Alguém já leu os contratos da construção do Itaquerão? Será que ninguém cobra isso através da Lei da Informação? Quem paga a conta, com muito sacrifício, é o torcedor e tem o direito de saber de tudo. Algum advogado está disposto a questionar isso, através dos meios legais?





































































































































