Com passagem pela dupla Ba-Vi, meia ex-seleção visa retorno ao Brasil

Promessa do Vitória fala sobre trajetória no futebol, diz que teria novas escolhas hoje e projeta o futuro

Promessa do Vitória fala sobre trajetória no futebol, diz que teria novas escolhas hoje e projeta o futuro

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Salvador BA, 20 (AFI) – Salvador. Terra quente, animada e um grande cartão postal do Brasil. Da capital do Axé Music para a Dinamarca são nada mais nada menos do que 8.879 Km. O que liga o estado nordestino do país escandinavo é um soteropolitano que já foi tido com uma joia do futebol brasileiro: Mateus Costa, hoje com 25 anos. Por duas temporadas, ele defendeu o Naesved na Segunda Divisão do Campeonato Nacional.

PROMESSA

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Ex-atleta das categorias de base de Bahia e Vitória, o meia-atacante viveu grandes momentos até chegar na Seleção Brasileira Sub-15, sendo companheiro de Gabigol, ídolo do Flamengo e então promessa do Santos.

Como todo jovem, cometeu erros, ficou deslumbrado com o repentino sucesso e hoje busca voltar aos bons momentos. Na Europa, passou pela fase de adequação, acumulou causos e está novamente no Brasil com mais bagagem para dar sequência a sua carreira.

Do menino sonhador até virar atleta no futebol europeu, a caminhada foi longa. Ao Futebol Interior, ele contou um pouco da sua vida dentro do futebol. Confira:

Como todo garoto, ser jogador é um grande desejo. Gostaria de saber como você se apaixonou pelo futebol e como foi esse seu início ainda criança?

“Quando eu era pequeno, minha mãe me deu um carrinho de brinquedo e simplesmente não gostei. Quando ela me deu a bola, aí sim foi amor à primeira vista. E essa bola de futebol virou o meu brinquedo preferido. Não a largava de jeito nenhum. Acho que ali começou a minha paixão pelo futebol.”

Como foi o passo para ingressar na base de um grande clube como o Bahia? E como foi depois fazer sucesso no Vitória, o maior rival do tricolor?

“Fiz escolinha, depois fui para o Galícia até passar numa peneira na base do Bahia e me transferi para jogar na base do Corinthians, em São Paulo. Pude conviver em grandes clubes do país, mas o momento mais especial foi quando estive no Vitória. Fiquei por cinco anos, o clube me ajudou muito quando minha filha nasceu e foi o clube que assinei o meu primeiro contrato profissional. Sou extremamente grato por tudo que vivi no Barradão. Foram momentos inesquecíveis, justamente no maior rival do primeiro grande clube que joguei.”

Você alcançou a Seleção Brasileira na base, teve conquistas e destaque. Como foi a sua reação quando recebeu a notícia da convocação?

“Ter uma convocação para a Seleção Brasileira, mesmo que na base, é a realização de um sonho, né. Eu estava na rua com uns amigos e meu pai estava em casa, quando passou no noticiário que dois jogadores do Bahia foram convocados. Quando cheguei em casa, ele estava chorando de tanta emoção e até então eu não sabia o que tinha acontecido. Levei um susto. Aí minha mãe me contou que eu havia sido chamado para a Seleção e a sensação foi única.”

Hoje, mais maduro, mudaria algo que fez quando era mais jovem?

“Com certeza mudaria escolhas que eu fiz lá trás. Por ter começado cedo, ter alcançado grandes coisas muito novo e ser o “estrelinha” da base, eu me deixei levar por caminhos que não eram os melhores. Graças a Deus, pude amadurecer e mudei muito a minha cabeça e passei a ser mais profissional. Hoje sou um atleta completo e não mais um simples jogador.”

Você esteve um período no futebol dinamarquês. Sair do Brasil, um país tropical, para um país bem mais frio e com cultura diferente, é uma mudança brusca. Como foi esse período?

“Eu tive um pouco de receio quando cheguei porque era muito frio e eu estava acostumado com o calor de Salvador. Mas eu tinha que me adaptar ao clima e esse processo não poderia demorar. Nas duas temporadas que fiquei lá, a primeira foi a mais desafiadora por conta das lesões que sofri e pelo clima. Na segunda, já ambientado, pude jogar e me destacar.”

Houve alguma situação curiosa e inusitada lá na Dinamarca? Quais foram as maiores diferenças notadas por você?

“O brasileiro é muito mais livre, gosta de sair, passear… Já o dinarmaquês é muito mais rígido. Uma vez eu estava no vestiário e coloquei no som uma música brasileira. Aí o capitão do time veio reclamar dizendo que a música estava incomodando ele. Óbvio que eu respondi, né (risos). Pedi para o tradutor falar para ele que “o velório também estava me incomodando” por conta de todo aquele silêncio. No final, a gente se entendeu e fomos para o jogo.”

Quais as principais diferenças entre o futebol dinamarquês e o brasileiro na sua visão?

“O futebol brasileiro tem uma qualidade individual absurda. Já o dinarmaquês é muito mais tático e de força. Aliás, o futebol europeu em si é assim. É um jogo mais corrido e dinâmico. A minha segunda temporada foi melhor porque eu passei a fazer mais academia, fiquei mais forte e pude me adequar melhor ao padrão de jogo do país.”

Qual atleta que você se espelha no modo de jogar e onde você ainda sonha em chegar na carreira como jogador de futebol?

“Meu ídolo é o Neymar, mas os atletas que eu mais me inspiro jogando são Di Maria e Zé Roberto, que se aposentou há alguns anos. Eu sou super fã desses três. Como o Zé já parou, quem sabe eu ainda não tenho a oportunidade de jogar com os outros dois? Jogar uma Liga dos Campeões? É um grande sonho e eu vou atrás dele.”

ACOMPANHAMENTO

Hoje, Mateus Costa segue treinando em Salvador, com acompanhamento de profissionais de educação física a espera de mais uma oportunidade para mostrar o seu futebol novamente em solo brasileiro.